A pizza está perdendo sua “fatia” no prato dos americanos. Até então o segundo tipo de restaurante mais comum nos Estados Unidos, as pizzarias estão sendo superadas por cafeterias e lanchonetes de comida mexicana em número de unidades.
E as vendas, embora em alta, vêm perdendo espaço frente a outros tipos de alimentos, levando executivos do setor de restaurantes a questionarem o futuro dessa categoria.
“O mercado de pizzas está passando por uma transformação”, disse Ravi Thanawala, diretor financeiro e presidente da Papa John’s International na América do Norte, ao The Wall Street Journal (WSJ). “É isso o que o consumidor nos diz.”
Os americanos ainda consomem bastante pizza. Dados da consultoria Technomic citados pelo WSJ mostram que as redes de restaurantes de pizza registraram receita consolidada de US$ 31 bilhões em 2024. Segundo o Departamento de Agricultura, diariamente, um em cada dez americanos come uma fatia de pizza.
Entretanto, considerando outras categorias, a pizza caiu para o sexto lugar no ranking de vendas em 2024, de acordo com a Technomic. É uma forte queda em relação à década de 1990, quando ocupava a segunda posição.
A “crise” da pizza nos Estados Unidos também pode ser medida pela quantidade de pedidos de recuperação judicial de cadeias do setor. Em dezembro, a controladora da rede Pieology Pizzeria, que já teve o jogador Kevin Durant como investidor, entrou com pedido de Chapter 11.
Outras empresas, como os controladores das redes Anthony’s Coal Fired Pizza & Wings e Bertucci’s Brick Oven Pizza & Pasta, seguiram pelo mesmo caminho. Uma das explicações para a perda de força da pizza é a chegada dos aplicativos de entrega de alimentos.
Até então, o consumo era alto por ser um alimento fácil de entregar. Caixas de papelão sob medida e frotas de entregadores ajudaram a tornar a pizza um item básico para quem buscava refeições rápidas e sem estresse.
Os apps mudaram esse cenário, permitindo que os americanos tivessem acesso a outros tipos de cozinha também de forma mais conveniente.
Eles também ampliaram o acesso a alimentos mais baratos, levando as redes de pizza a uma guerra de preços. Uma pizza de US$ 20 pode parecer cara diante de ofertas de fast food de US$ 5, além de alimentos congelados (inclusive pizza).
A situação tem levado até grandes redes a repensarem seus negócios. A Yum Brands anunciou, no ano passado, que exploraria “opções estratégicas” para a Pizza Hut.
Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, o CEO da Papa John’s, Todd Penegor, disse que a empresa está focada em executar sua estratégia para gerar valor, mas considera alternativas caso surjam.
A Apollo Global Management chegou a fazer uma oferta de US$ 2,1 bilhões pela empresa no fim do ano passado, mas recuou, segundo a Reuters.
Com os consumidores mudando seus hábitos, as empresas se veem obrigadas a adaptar suas ofertas e operações. A Papa John’s passou a oferecer mais acompanhamentos e a padronizar processos – segundo Thanawala, os restaurantes assavam as pizzas em temperaturas diferentes, resultando em produtos desiguais.
A empresa está reduzindo o número de restaurantes, concentrando operações em locais com potencial de crescimento. Outras unidades precisam apenas de reforma, disse Thanawala. “É uma marca que precisa de trabalho”, afirmou.