Os americanos Rich Veldran e Peter Mahoney, CEO e CCO da GoTo, estiveram pela primeira vez no Brasil na segunda quinzena de março, em uma visita que marcou a estreia de um tour da dupla pelos principais mercados da companhia de tecnologias de comunicação, colaboração e de trabalho remoto.

A estadia em São Paulo durou apenas três dias. Mas essa passagem rápida se conecta diretamente com o status e, principalmente, o potencial da operação brasileira no mapa de negócios da companhia americana, presente em mais de 180 países e dona de uma receita de cerca de US$ 1 bilhão.

“O Brasil é o mercado de mais rápido crescimento em toda a companhia”, afirma Veldran, CEO da GoTo, em entrevista ao NeoFeed. “E estamos aqui para descobrir o que podemos fazer para acelerar ainda mais os negócios no País.”

Com um time local de mais de 80 profissionais, a GoTo tem aproximadamente cem parceiros ativos para comercializar seu portfólio no Brasil e atende 12 mil clientes no País, numa base formada majoritariamente por pequenas e médias empresas.

A partir dessa equação, Mahoney traz outros números para reforçar o peso crescente do País para a GoTo – o País responde, por exemplo, por 80% dos negócios na América Latina. “O Brasil representa cerca de 15% do nosso crescimento”, diz. “E acreditamos que essa participação pode ultrapassar 20%.”

Com passagens marcadas para Irlanda e Guatemala – alguns dos próximos destinos da “turnê” -, Veldran e Mahoney reservaram todo o tempo da sua agenda no Brasil para conhecer pessoalmente o time, os parceiros e os clientes locais. Bem como parte da cultura e iguarias do País – por exemplo, a feijoada.

“Estamos aqui para aprender, entender e conhecer de perto a cultura e as demandas locais que podemos atender”, diz Veldran. “É muito fácil para uma empresa sediada nos EUA ter um modelo que ela acha que funcionará para o mundo todo. Mas não é assim que o mundo funciona.”

Em um dos passos anteriores nessa direção, a GoTo, a pedido do time local, integrou suas ferramentas no Brasil ao WhatsApp, aplicativo que, no País, é extremamente popular. Mas que nos Estados Unidos não é tão utilizado.

Um outro exemplo dessa abordagem é o fato de que, no Brasil e na América Latina, a companhia adota um modelo de vendas 100% baseado em parceiros, num atalho para poder atender ao batalhão pulverizado de PMEs na região. E esse é justamente um dos focos da expansão da operação local.

Com a orientação de estender esses braços, o Brasil também é a ponta de lança de uma novidade nesse modelo. Em fevereiro, a GoTo fechou uma parceria de distribuição com a DirectCall, operadora de telecomunicações brasileira que atua em todo o País.

A parceria envolve a GoTo Connect, plataforma que é o carro-chefe da empresa e que centraliza recursos de voz, chat, e-mail, mensagens, videoconferência e outras ferramentas de comunicação e atendimento a clientes. E é o primeiro acordo com uma operadora feita pela GoTo em todo mundo.

“Esse é mais um exemplo do que a matriz fez pelo Brasil a partir da nossa demanda”, diz Vanessa D’Angelo diretora de marketing da GoTo na América Latina. “Com essa parceria, vamos conseguir cobrir todo o País. E já temos negociações em curso com outras operadoras.”

Ainda no plano das parcerias, a ideia é reforçar os investimentos em marketing, o que também inclui uma outra tour, com roadshows previstos em Belo Horizonte, Curitiba e Salvador. Aqui, o racional também é ampliar as fronteiras, em particular, fora do eixo Rio-São Paulo.

“Nós já provamos nossa tese nesses mercados”, afirma Veldran. “E se você consegue vencer em São Paulo e no Rio de Janeiro, consegue vencer no restante do País.”

Nessas interações com parceiros e clientes, outro foco é entender as demandas e reforçar a oferta em determinados segmentos, como parte da estratégia de verticalização da empresa – que inclui setores como concessionárias de veículos, clínicas e centros de diagnóstico, em saúde, e varejo em geral.

Ao mesmo tempo, cada vez mais, a GoTo está embarcando a inteligência artificial (IA) em seu portfólio. Seja para automatizar o atendimento nos mais variados canais. Ou mesmo em recursos como transcrições e análises de sentimento das interações feitas nessas interações.

“Uma das grandes mudanças recentes é essa democratização de tecnologias como a IA”, diz Mahoney. “Pela primeira vez, até mesmo pequenas empresas podem ter acesso a capacidades sofisticadas para criar uma experiência de varejo com a da Apple.”

As mudanças também foram a tônica da companhia nos últimos anos. Fundada em 2003, a empresa, até então, conhecida como LogMeIn e listada na Nasdaq, fechou capital em 2020, ao ser comprada pela Francisco Partners e pela Elliot Management, em um acordo de US$ 4,3 bilhões.

Dois anos depois, a empresa também foi rebatizada como GoTo, em um movimento para abranger justamente as mudanças no seu portfólio, especialmente a partir do rápido avanço de tecnologias como a inteligência artificial.

“Precisávamos nos adaptar às mudanças tecnológicas. O que nos levou a faturar mais de US$ 1 bilhão nos primeiros 15, 20 anos não seria o que nos levaria à próxima fase”, diz Veldran. “Então, o verdadeiro ímpeto para essas nossas mudanças foi a necessidade de reinventar a empresa.”