Maior terminal portuário da América Latina, o porto de Santos vai dobrar de tamanho. O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a inclusão de 17,2 milhões de metros quadrados (m²) em espaços terrestres e áreas de fundeio e deposição de resíduos de dragagem.
Somente em áreas terrestres, onde há infraestrutura portuária, o crescimento será de 56%, passando de 9,3 milhões de m² para 14,5 milhões de m². Dessa forma, será possível a construção de pelo menos oito novos terminais, do porte das operações das companhias Santos Brasil, BTP e DP World, líderes no segmento de contêineres no porto.
“O porto já vinha estudando possíveis áreas para ampliação e localizamos espaços que pertencem à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), mas que estavam em posses dos municípios. Agora, elas passam a ser de fato do terminal de Santos”, diz Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), gestora do porto santista, em entrevista ao NeoFeed.
Na prática, não havia finalidade de uso dessas áreas, mas que poderiam ser muito importantes na hipótese de incorporação ao porto. Os primeiros leilões para concessão destas áreas devem ter início em 2027.
Agora, a direção da APS vai começar a fase de estudos de viabilidade de cargas nestas áreas e a vocação destes terrenos. O objetivo principal é diversificar a movimentação no porto, com mais espaço para o setor de combustíveis, celulose, entre outras cargas.
“A conclusão é que vamos ganhar novos terminais, de acordo com o gráfico crescente das cargas movimentadas. Se o porto perceber que, no futuro, vai precisar de mais terminais para grãos ou inflamáveis, por exemplo, teremos essas áreas disponíveis”, afirma.
A tendência, segundo Pomini, é que essa expansão, garantida pelo Ministério de Portos e Aeroportos, resulte em um aumento de pelo menos 20% no volume financeiro em um período de três a quatro anos. Em 2025, a APS alcançou receita líquida de R$ 1,4 bilhão, com R$ 4 bilhões em caixa.
Com a proximidade do leilão do megaterminal Tecon 10, que, apesar dos atrasos recentes, ainda deve ocorrer no primeiro semestre, a tendência, no entanto, é que não haja necessidade de licitar áreas para criação de terminais de contêineres.
Como o novo terminal vai contar com uma área de 622 mil m² e aumentar em 50% a capacidade de carga conteinerizada em Santos, a incorporação dos novos terrenos ao porto representa o equivalente a oito vezes o tamanho do futuro terminal de contêineres.
“A princípio, com o Tecon 10, passamos a atender a demanda de contêineres em Santos pelos próximos dez anos. Então, certamente, essas novas áreas vão chamar a atenção de outros setores, que já têm demonstrado crescimento. E isso precisa acontecer agora”, afirma.
Essa iniciativa se insere no plano estratégico da APS de dobrar a capacidade de movimentação de cargas no porto de Santos no prazo de 30 anos. Com essa ampliação e o início dos novos leilões, a perspectiva é que esse objetivo seja alcançado em um tempo menor.
“Se levarmos em consideração o novo espaço, poderíamos ter pelo menos oito grandes terminais, como os que já operam em Santos. Projetamos a área e disponibiliza para o mercado. O vencedor constrói e garante o direito de operar por 25 anos”, diz Pomini.
Hoje, o terminal santista conta, ao todo, com 65 berços de atração de navios. E, com essa nova configuração, ele deve ganhar pelo menos mais 15 até 2030.
Ainda há novos pedidos para incorporação de áreas, que estão em análise no Ministério dos Portos. São terrenos localizados em Cubatão, São Vicente e Santos. Um deles é o espaço onde hoje está o terminal de passageiros de cruzeiros, da companhia Concais, que irá mudar de lugar.
Com 42 mil m² de área, hoje é o principal terminal de embarque e desembarque de navios de passageiros do Brasil. A mudança foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em janeiro, mas ainda depende de fontes de recursos, que virão justamente do leilão do Tecon 10.
“Quando o terminal mudar de lugar, vamos usar a área para operar cargas. A ideia é definir, com uma análise detalhada, qual a melhor destinação para aquele espaço”, explica Pomini.
O porto terminou 2025 com movimentação recorde, de 186,4 milhões de toneladas. O crescimento de volume foi de 3,6% sobre o recorde anterior, de 2024 (179,8 milhões de toneladas).
O setor de contêineres foi um dos grandes pilares de crescimento, com 5,9 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Em volume, somou 62,3 milhões de toneladas (alta de 3,9%).
Em granéis sólidos, alcançou 94,5 milhões de toneladas. Apenas em soja, a movimentação foi de 44,9 milhões de toneladas. Em celulose, o volume chegou a 9,9 milhões de toneladas.