O processo de venda da CSN Cimentos começa a caminhar para a reta final, com a siderúrgica de Benjamin Steinbruch buscando ao menos R$ 15 bilhões no negócio, segundo apuração da Bloomberg.
O valor está acima do que vinha circulando no mercado, de que a companhia pretendia conseguir entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões, vendo até a possibilidade de alcançar R$ 13 bilhões, segundo apurou o NeoFeed.
A reportagem da Bloomberg aponta ainda que a CSN pretende obter esse montante pela totalidade da operação, abandonando o plano anterior de manter uma participação minoritária. "Não existe nada de retenção de ativos", afirmou uma fonte ouvida pelo NeoFeed.
A expectativa é que as propostas sejam entregues até o fim da semana. O processo está sendo assessorado pelo Morgan Stanley.
A reportagem da Bloomberg aponta que a companhia espera receber quatro propostas pela unidade. Entre os potenciais compradores estão uma produtora chinesa de cimento, a brasileira Votorantim Cimentos, a italiana Cementir Holding e a Polimix, fabricante brasileira de concreto.
Segundo a agência, a J&F Investimentos estaria interessada no ativo, mas está fora da disputa. A holding teria oferecido anteriormente R$ 10 bilhões pela operação e concordado em assumir as diligências.
A venda dos ativos de cimento faz parte dos esforços da CSN para equacionar sua estrutura de capital e reduzir a alavancagem financeira para uma vez em até oito anos. A empresa encerrou o primeiro trimestre com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 3,36 vezes, abaixo das 3,47 vezes registradas no quarto trimestre.
De acordo com o plano divulgado no começo do ano, a CSN pretendia iniciar 2026 realizando “movimentos estratégicos” para reduzir o endividamento, principalmente por meio da venda de ativos relevantes, com o objetivo de desalavancar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
O processo da CSN Cimentos é o mais avançado. A empresa também pretende vender ativos de infraestrutura, mas afirmou tratar-se de uma operação mais complexa, devido à necessidade de reunir os ativos em uma única plataforma e obter uma série de aprovações regulatórias.
A CSN Cimentos é fruto de uma série de aquisições realizadas nos últimos anos, que resultaram na criação da segunda maior produtora de cimento do País. Com sete fábricas, a empresa tem capacidade instalada de 16,3 milhões de toneladas por ano.
A unidade registrou receita de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, alta de 14% na comparação anual. O Ebitda ajustado atingiu R$ 392,5 milhões, avanço de 62,7% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior resultado já registrado pela CSN nesse segmento.
Os problemas da CSN com alavancagem não são novidade. Em 2021, o IPO de R$ 5,2 bilhões da CSN Mineração teve como um dos objetivos reduzir a dívida. Ao fim daquele ano, a relação entre dívida líquida e Ebitda havia caído de 2,23 vezes, em 2020, para 1,29 vez.
Desde então, a alavancagem voltou a ser um desafio, pressionada pelo cenário mais difícil da siderurgia e pelos investimentos em diversificação dos negócios, entre eles a CSN Cimentos.
Por volta das 15h, as ações da CSN subiam 2,3%, a R$ 4,90. No ano, os papéis CSNA3 acumulam queda de 43,7%. O valor de mercado da companhia é de R$ 6,5 bilhões.
Procurada pelo NeoFeed, a CSN informou que não comentaria o assunto.