A corretora de seguros Wiz Co. está sob nova direção. Lucas Neves, que ocupava o cargo de CFO e diretor de relações com investidores, acaba de assumir a cadeira de CEO, no lugar de Marcus Vinicius de Oliveira, que estava na função há três anos. Ele agora deve ir para o conselho de administração.
Com 70% da receita voltada ao segmento de seguros e os 30% restantes para os setores de crédito e consórcio, a Wiz alcançou, nos primeiros nove meses de 2025, receita líquida de R$ 835,5 milhões, alta de12,3%, e lucro líquido de R$ 225,5 milhões (+ 23,8%). O balanço do quarto trimestre será divulgado nesta quinta-feira, 19 de março.
Para Neves, o foco de seu mandato será de acelerar a expansão da vertical de seguros, com mais possibilidades de parcerias com instituições financeiras que não tenham grande presença ainda no segmento. Em sua visão, há “um oceano azul” de novos negócios.
“Hoje enxergo oportunidades de crescimento com pelo menos 30 bancos que hoje atuam no Brasil e que a Wiz poderia ser sócia. A gente quer bancos que tenham uma carteira de crédito grande e uma operação de seguros pequena”, diz o novo CEO, em entrevista ao NeoFeed.
No segmento de seguros, a companhia tem sociedades hoje com corretoras de cinco instituições: Inter, Bmg, BRB, Paraná Banco e grupo Omni. Até 2021, a empresa tinha como principal atribuição o serviço de corretagem do canal da Caixa. A partir daí, com o fim do contrato, decidiu diversificar os negócios.
As oportunidades também estão, na avaliação do executivo, nas modalidades do mercado financeiro hoje em crescimento exponencial entre os investidores, como os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
“A gente opera com bancos, mas há uma nova economia nascendo, de desintermediação do papel bancário. E essa nova economia vai precisar de seguros. A Wiz vai olhar para os bancos e trazer esses novos produtos. Há espaço de crescimento”, explica Neves.
Ao todo, a empresa atua hoje em sete negócios ligados a seguros e mais três em crédito e consórcio, totalizando dez operações. E justamente para crescer, como desenha o novo CEO, um dos caminhos prováveis é justamente o de novos M&As.
Para Oliveira, o ponto-chave de sua gestão, que chega ao fim, foi o de garantir uma estrutura de caixa robusta, com uma gestão mais focada na simplificação da atuação, ainda que com crescimento.
“Neste período, a gente voltou as ações para governança, pessoas e olhando muito para a rentabilidade e geração de caixa. Montamos um plano estratégico para a empresa, que correspondia no crescimento inorgânico e na ampliação de novos negócios”, afirma o agora ex-CEO.
Segundo ele, hoje a Wiz registra uma alavancagem de 0,5 vez a relação dívida líquida versus Ebitda, contra 2,5 vezes, no início de 2023. “Isso nos dá tranquilidade para que o Lucas possa agora seguir fazendo aquisições que façam sentido para a empresa”, explica.
A empresa não revela o volume separado no caixa para novas compras, mas Neves diz que hoje a Wiz “tem a opcionalidade de aquisições”, sem que isso seja necessário para a recomposição de caixa.
Segundo o novo CEO, a perspectiva da mudança do ciclo de juros, desenhada pelo Comitê de Política Econômica (Copom) a partir deste mês, pode gerar novas oportunidades de capturas, como a portabilidade de dívidas em bancos.
O desafio do BRB
Além da estratégia de crescimento, o CEO terá de lidar, no início de sua gestão à frente da Wiz, com a crise de imagem do BRB, banco em que têm sociedade com a Wiz, desde 2021.
A corretora pagou R$ 585 milhões para ter 50,1% de uma joint venture com o BRB e oferecer o serviço. O contrato celebrado foi de 20 anos, com duração até 2041. Na ocasião, foi uma espécie de resposta ao mercado após a saída da Caixa.
No ano passado, o BRB tentou comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, hoje preso por envolvimento em fraudes financeiras. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master.
Mas, para Oliveira, até aqui o negócio de seguro não afetado pela crise no BRB. O negócio com o Banco de Brasília é expressivo e representa 25% da receita total da Wiz.
“Para a corretora, não houve nenhum tipo de perda. Todos os resultados foram alcançados em 2025. E até aqui, 2026 está em linha do que prevíamos. É evidente que há uma preocupação, porque o problema deles é capital e liquidez. Mas não fomos afetados”, afirma.
No acumulado de 12 meses, as ações da Wiz na B3 registram valorização de 40,1%. A companhia está avaliada em R$ 1,4 bilhão.