Em 2021, o suíço Silvan Roth, o alemão Sebastian Becker e o brasileiro Bruno Vannuci criaram a EmpreX, fintech de crédito para a classe média. Há um ano, o trio ganhou o reforço do americano Jason Nassof, ex-Goldman Sachs, que liderou uma rodada de R$ 11 milhões e, de quebra, se tornou o CFO da startup.

Agora, quem está embarcando nessa tese é a SRM Ventures, braço de venture capital da SRM Asset, gestora focada na estruturação de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que está aportando R$ 40 milhões na operação.

A rodada envolve o modelo batizado internamente na gestora de “venture credit” - uma parte dos recursos é dívida, outra, equity. Na prática, o montante será usado para financiar as operações de empréstimo pessoal da EmpreX. Em troca dessa injeção de recursos, a SRM Ventures terá uma participação minoritária – não revelada – na fintech.

“Até aqui, com pouco dinheiro gasto em marketing, atraímos mais de 200 mil pessoas, o que mostra que realmente existe um gap”, diz Roth, cofundador e CEO da EmpreX, em entrevista ao NeoFeed. “Com o aporte, a meta é chegar a uma carteira de R$ 50 milhões em 12 meses, cerca de dez vezes o que já originamos até hoje.”

O gap em questão passa pela percepção de que, de um lado, os grandes bancos cada vez mais se dedicam aos clientes de alta renda. Enquanto boa parte das fintechs se concentra nos de menor renda. A tese de ocupar o espaço entre essas duas pontas foi justamente o que despertou o interesse da SRM Ventures.

“Não tínhamos nenhuma fintech no portfólio nesse nicho intermediário, que é bem desassistido”, afirma André Szapiro, head da SRM Ventures. “E, ao mesmo tempo, não tínhamos visto, até então, ninguém que conseguisse alcançar esse público de forma tão eficiente como a EmpreX.”

O modelo da EmpreX tem origem nas informações disponíveis de cada cliente, dentro do conceito de open finance, colocado em prática pelo Banco Central. A partir disso e do uso intenso de recursos como machine learning e big data, a fintech define o score de cada potencial tomador de crédito.

Essa proposta combina, sob a ótica da tecnologia, a bagagem acumulada pelo matemático e cofundador Sebastian Becker. E, na outra ponta, a experiência dos demais sócios e do CFO Jason Nassof, que trabalhou 15 anos no setor, no mercado de crédito. A cereja do bolo é o avanço do open finance no País.

“Hoje, os dados estão disponíveis de forma suficientemente estáveis para podermos criar inteligência em cima disso”, diz Roth. “O que nos permite criar nossos próprios indicadores e identificarmos se aquela pessoa tem realmente condições de assumir aquele crédito.”

Até aqui, a EmpreX, que tem uma securitizadora, financiou suas operações com recursos próprios, centrada em clientes com renda mensal, em média, de R$ 3 mil. Em sua carteira, os empréstimos pessoais são contratados 100% digitalmente e os prazos variam de seis a dezoito meses.

emprex
Sebastian Becker (à esq.), Silvan Roth e Bruno Vannuci, os fundadores da EmpreX

Já os valores concedidos giram entre R$ 500 e R$ 3 mil. A taxa de juros médio, por sua vez, é de 7% ao mês, um índice que, segundo a fintech, se compara com alternativas no mercado no patamar de aproximadamente 15%.

O montante captado junto à SRM Ventures será 100% destinado a essas operações. Além de acelerar o volume de crédito ofertado, uma das mudanças proporcionadas por essa injeção de capital será ampliar o teto dos empréstimos para R$ 5 mil.

“O aporte vai nos ajudar a chegar um setup muito mais maduro”, observa Roth. “E alcançar um patamar que, em 12 meses, vai nos permitir abrir um FIDC e captar cheques maiores com fundos que querem colocar R$ 100 milhões, R$ 200 milhões, R$ 300 milhões nesse tipo de risco.”

Em paralelo, à medida que a base evolui, assim como o conhecimento sobre a carteira e o relacionamento com os clientes, a ideia é ampliar a oferta. No forno, há produtos como consignado INSS e FGTS, além de cartão de crédito. Esse último, com a previsão de ser lançado em um ano.

Quem também vai ampliar o portfólio é a SRM Ventures, que, com a EmpreX, chega a 12 investidas, em uma relação que inclui ainda nomes como Blipay, Parcela Mais, Noodle e Juvo. Para essa última, a estruturação de um FIDC, em fevereiro, para captar R$ 100 milhões, foi um dos movimentos mais recentes da gestora.

Para 2024, a projeção da SRM Ventures é alocar um volume de cerca de R$ 300 milhões e chegar a um portfólio de 22 fintechs. A tese, assim como na EmpreX, é investir e acelerar operações especializadas em nichos e que permitam criar um ecossistema de ofertas para seus respectivos públicos.

“Não estamos muito travados em números, pois temos visto uma recuperação no mercado”, diz Szapiro. “A seca de funding foi importante e as fintechs que sobreviveram nesses últimos dois anos são realmente muito boas. E acredito que o segundo semestre vai ser muito bom em termos de captações.”