A UnblockPay, fintech de pagamentos globais e infraestrutura de tesouraria via stablecoins, anunciou na quarta-feira, 25 de março, a conclusão de uma rodada seed na qual levantou US$ 4,5 milhões (R$ 23,6 milhões) e foi avaliada em US$ 20 milhões (R$ 105 milhões).
A rodada foi liderada pela Prelude, fundo de venture capital de Londres, e contou com participação da gestora americana Plug & Pay, da provedora de liquidez cripto Wintermute e dos brasileiros Crescera e Triaxis. Entre os investidores-anjo estão Fabiano Cruz e Dan Faccio, cofundadores da Zoop, adquirida pelo iFood em 2024. Nenhum deles fazia parte do cap table da Unblockpay.
A rodada complementa o pré-seed de R$ 3 milhões levantado em 2025 com a aceleradora de startups de cripto americana Alliance e ajudará a companhia criada por um ex-sócio da Stone e da NG.Cash a acelerar as operações em meio ao avanço da regulação de cripto no Brasil.
"Estamos num momento ímpar aqui no Brasil para o tema das stablecoins”, diz Lucca Freire, cofundador e CEO da UnblockPay, ao NeoFeed.
O plano da UnblockPay é começar a ganhar espaço entre corretoras de câmbio, correspondentes cambiais e pequenos bancos, oferecendo infraestrutura para uso de stablecoins em transações internacionais, uma tecnologia que permite fazer operações em minutos, em vez de horas ou dias.
Parte dos recursos será destinada à adequação regulatória, enquadrando a empresa como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), figura criada pelo Banco Central (BC) no ano passado para regular empresas que querem atuar com ativos virtuais, algo similar ao que a autarquia fez em 2021, quando criou o conceito de instituição de pagamento.
A UnblockPay vinha operando graças a um período de graça dado pelo BC às diversas empresas do universo cripto. Com a regulação, a companhia precisará se adequar a uma série de normas para continuar operando, que variam de exigências de capital e patrimônio líquido até provar que tem capacidade de supervisionar as operações para impedir ilegalidades.
Outra parte dos recursos da rodada será usada para expandir o time, com contratações em regulação, compliance e área comercial. A companhia conta atualmente com dez colaboradores, muitos deles ex-Stone trazidos por Freire, que foi sócio da processadora de pagamentos depois da venda, em 2021, da Trampolin, empresa de banking as a service da qual foi um dos criadores, em 2019.
Freire, que também participou da criação da NG.Cash, fundou a Unblockpay no ano passado junto com Pedro Henrique Campo, que foi engenheiro de software na Trampolin e atualmente é CTO na UnblockPay; e Fabio Thiele, que atuou no investment bank do BNP Paribas e ocupa atualmente a cadeira de COO.
A companhia começou com câmbio e pagamentos cross border, mas a proposta é criar uma infraestrutura de banking nativa em stablecoin. "Se um banco quiser construir uma conta em dólar, ele poderá se conectar à nossa infraestrutura e abrir wallets, por exemplo", diz Freire.
Em operação há mais de um ano, a UnblockPay conta com 40 clientes, tendo mais de R$ 100 milhões movimentados em sua plataforma em fevereiro. A empresa tem conexão direta com instituições em 34 países da União Europeia (UE), Estados Unidos, Inglaterra, México, Argentina e Colômbia.

Entre os primeiros clientes está o Mercado Bitcoin, cuja operação na Europa construiu um produto em cima da infraestrutura da UnblockPay que permite remeter euros ao Brasil, com os valores em reais convertidos e pagos em Pix em menos de dez minutos.
A expectativa é de chegar ao final do ano movimentando pelo menos R$ 1 bilhão por mês e também começar a oferecer serviços para quem precisa remeter dinheiro de e para a Ásia e Oriente Médio.
A UnblockPay também está se conectando ao Swift, rede global de comunicação entre bancos para troca de informações financeiras e transferências internacionais, abrindo uma conexão indireta com instituições em mais de 200 países.
O uso de stablecoins para transferências de recursos é um tema quente no mundo cripto, com diferentes tipos de empresas entrando no mercado. No Brasil, o volume negociado de tether, uma das stablecoins disponíveis, foi de US$ 1,6 bilhão em julho, mais que o triplo do registrado no mesmo período do ano passado e 2,2 vezes o volume de bitcoin negociado no mês, de acordo com dados da Biscoint.
A Ruvo é uma startup de pagamentos internacionais e transferências de recursos para pessoas físicas e jurídicas que levantou, no começo do ano, US$ 4,6 milhões com a 1confirmation, com participação da Coinbase Ventures, Rebel Fund, Blast, contando ainda com o apoio da Y Combinator.
Grandes instituições, como Itaú, Nubank e BTG Pactual, oferecem esse tipo de ativo para seus clientes, até então com parcimônia, por conta da falta de regulação.
No caso da UnblockPay, a oportunidade está em ser o meio do caminho. Com a perspectiva do surgimento de novos provedores de infraestrutura, a avaliação é de que a experiência da equipe na Stone com desenvolvimento de sistemas para contas digitais e Pix a torna um player preparado para esse mercado.
“Tá tudo muito early ainda. Tem muito aventureiro, muita gente que é do mercado de correspondentes cambiais, porque isso é uma evolução e substituição dos atuais sistemas de pagamento, e eles precisam correr atrás. Nossa tese é de infraestrutura de pagamentos, de viés tecnológico”, diz Thiele, COO da UnblockPay.