Rony Meisler foi um dos primeiros empreendedores no Brasil a usar as redes sociais para produzir conteúdo, construir uma marca pessoal e, a partir desse engajamento, alavancar seu negócio – nesse caso, a Reserva, grife cofundada por ele e vendida para a Azzas 2154 – na época, Arezzo&Co – em 2020.

Meisler deixou a Azzas 2154 em agosto de 2024, mas continua atraindo milhares de seguidores em seus perfis. E esse modelo está no centro da mais nova aposta da Rebels Ventures, criada por ele e os outros três fundadores da Reserva – Fernando Sigal, Jayme Nigri Moszkowicz e José Alberto Silva.

A venture builder do quarteto acaba de anunciar a quinta investida do seu portfólio: a Blank, startup cuja tese inclui, entre outras ofertas, ensinar o caminho das pedras para que empresários e CEOs se tornem influenciadores digitais e, por consequência, num canal de aquisição de clientes para suas companhias.

“Eu cheguei nesse negócio de mídia social como marca pessoal quando tudo era mato”, diz Meisler, ao NeoFeed. “Hoje, muitas pessoas querem fazer e não sabem como. Então, há uma grande oportunidade aqui e a Blank entra justamente nessa ponta.”

O investimento que une agora a Rebels Ventures e a Blank envolve uma participação minoritária da operação. A dupla não revela, porém, o valor aportado em troca dessa fatia. Mas faz questão de compartilhar uma questão associada a essa cifra.

“A Blank teve o interesse de muitos investidores que tinham milhares de seguidores, mas queriam entrar apenas com o smart money”, diz Micael Crasto, cofundador da Blank, ao lado de Lucas Freitas. “Mas isso, pra nós, não tinha validade. Queríamos um sócio que também entrasse no risco.”

O namoro entre as duas partes teve início, porém, antes mesmo da criação da Blank, quando Crasto ainda trabalhava na gestão das redes sociais da G4 Educação e, em paralelo, criou a Lord Journal, uma revista digital voltada ao mercado de luxo, que, em dois meses, atraiu 200 mil seguidores.

Ainda na Reserva, Meisler foi um dos perfis que engrossaram esses números. Na época, ele entrou em contato buscando uma aproximação da grife com a nova mídia. Entretanto, as conversas só avançaram no fim de 2024. Agora, porém, envolvendo a Blank.

A startup havia sido criada exatamente um ano antes, após Crasto e Freitas deixarem seus postos no G4. “Nós passamos muito tempo negociando com o Rony e a Rebels”, diz Crasto. “Só que, nesse intervalo, já vínhamos num relacionamento praticamente de sócio. Todo mundo se tratava assim.”

Oficializada agora, a entrada da venture builder no captable da Blank aconteceu, de fato, em julho de 2025. E desde então, ainda nos bastidores, os novos sócios vêm compartilhando com Crasto e Freitas ideias e projetos que têm contribuído para a evolução do modelo de negócios da startup.

A Blank nasceu como uma escola para formar gestores de redes sociais. As aulas eram – e ainda são - ministradas por nomes como Erich Shibata, diretor de branding e criação da Cimed, justamente uma das empresas que desbravaram a escalada da sua marca a partir dos perfis pessoais de suas lideranças.

“Faça você mesmo”, “Faço com você” e “Faço por você”

Em uma prova de que, além dos recursos injetados, a Rebels também trouxe o componente do smart money para a mesa da Blank, após a associação com a venture builder, o portfólio da startup abrange um leque muito mais amplo.

Hoje, essas ofertas cobrem três conceitos. Além do “faça você mesmo”, já incluído na formação de gestores de mídias sociais – são 7 mil alunos formados, elas envolvem o “faço com você” e o “faço por você”. E quem inaugurou essa última frente, que atua nos moldes de uma agência, foi o próprio Meisler.

Na prática, nessa vertente, a Rebels assume toda a gestão dos perfis e estratégias de empresários e CEOs nas redes sociais. No caso de Meisler, a parceria teve início em novembro de 2024, quando ele tinha 505 mil seguidores no Instagram. Hoje, essa base já está em mais de 930 mil.

A Blank, atualmente, tem mais de 60 clientes agenciados, que somam mais de 34 milhões de seguidores. Além de Meisler, essa relação inclui nomes como Renata Vichi, ex-CEO do Grupo CRM, e Sandra Chayo, sócia-diretora da Hope.

Micael Crasto (à esq.) e Lucas Freitas (à dir), fundadores da Blank, e Rony Meisler, da Rebels Ventures
Micael Crasto (à esq.) e Lucas Freitas (à dir), fundadores da Blank, e Rony Meisler, da Rebels Ventures

A novidade mais recente no portfólio da Blank está, porém, no conceito de “faço com você”. Na semana passada, a startup lançou o programa Influente, no qual aplica justamente a tese de transformar empresários e CEOs em influencers.

Com duração de quatro meses e um custo de R$ 100 mil, o programa foca em empresários com negócios que faturam mais de R$ 5 milhões por ano. E, entre outros recursos, dá acesso a mentorias com nomes como Meisler e Renata Vichi, além de treinar a equipe que dará suporte a esse “influencer”.

“Nós montamos um plano para esse cliente, treinamos esse time e acompanhamos a execução dessa estratégia até que eles internalizem essa inteligência na empresa”, diz Crasto. Meisler complementa: “Nós tiramos a primeira rodinha da bicicleta, a segunda, até que a rodinha vai embora.”

Com esse pacote agora mais amplo, Meisler entende que o modelo da Blank cobre, da mesma forma, um mercado de oportunidades gigantescas, mas que, por sua vez, ainda são pouco exploradas, o que se encaixa perfeitamente na tese da Rebels.

“A atenção é o novo equity”, diz Meisler, ressaltando, nesse contexto, o domínio das redes sociais. “Mas, até aqui, só essas mídias estão capitalizando isso. E a Blank atende a outra ponta. É você usar essas redes para alavancar o seu negócio, ao invés de apenas criar conteúdo para dar dinheiro a elas.”

Ao mesmo tempo, ele ressalta que essa geração de conteúdo, por meio de marcas pessoais construídas nessas redes, oferece um canal mais acessível para turbinar a divulgação e a aquisição de clientes para as empresas. Especialmente em um ambiente em que as mídias pagas estão cada vez mais caras.

Apesar de ainda modestos, os números da Blank dão um indicativo dessa oportunidade. Em 2024, seu primeiro ano de operação, a startup faturou R$ 3,5 milhões. Em 2025, esse indicador ficou em R$ 10,5 milhões. E, para 2026, a projeção é chegar a R$ 33 milhões.

Nesse caminho, além do caminho já trilhado na evolução de suas ofertas, a empresa reservou os recursos injetados para outras áreas. No portfólio, o próximo lançamento é um programa “faça você mesmo” para empresário que faturam menos de R$ 5 milhões por ano.

Parte do aporte também foi aplicado em marketing e na ampliação da infraestrutura – de um escritório de 30 metros quadrados para uma instalação de 300 metros, que já está recebendo, inclusive, cursos presenciais.

Outro destino é a escalada no uso de inteligência artificial, seja internamente, ou, por exemplo, na criação de avatares para aqueles executivos mais tímidos e com menos intimidade com as câmeras. Entre tantas frentes, Crasto destaca, no entanto, um ganho com a chegada de Meisler e seus pares.

“Até então, fazer com que um CEO confiasse a senha do seu Instagram era difícil”, diz Crasto. “O Rony e a Rebels trouxeram essa chancela e muitas indicações. Eles abriram essas portas do mercado para a Blank.”