Um mês depois de obter licença bancária no Reino Unido, após uma espera de quatro anos, a fintech Revolut já se prepara para o voo mais alto de sua história. A companhia, segundo informações do jornal Financial Times, planeja fazer o seu IPO a partir de 2028, e mira um valor de mercado de até US$ 200 bilhões.

“Somos um banco e, para um banco, é extremamente importante ter confiança. Empresas de capital aberto inspiram mais confiança do que empresas de capital fechado”, disse Nik Storonsky, o CEO da Revolut.

Segundo um acordo de longa data, a participação do fundador na empresa poderá sair dos atuais 25% e chegar a 40% se a Revolut atingir os US$ 200 bilhões em valor de mercado. Ou seja, faria dele um homem de US$ 80 bilhões de patrimônio. Mas não será fácil.

A mais recente rodada de investimento, em novembro de 2025, avaliou a Revolut em US$ 75 bilhões, contra os US$ 45 bilhões de 2024. A empresa atraiu novos acionistas, como a gigante de chips Nvidia.

Em setembro de 2025, o NeoFeed conversou com Storonsky, em Londres, que falou sobre a estratégia global da fintech para enfrentar as gigantes do setor financeiro, como J.P. Morgan e Morgan Stanley.

“Investimos em produtos a todo momento e mais cedo ou mais tarde nossos produtos serão muito melhores comparados a qualquer banco local de qualquer país. É impossível competir [com a Revolut]”, disse, na ocasião.

A curto prazo, a Revolut está se preparando para uma nova oferta secundária de ações para permitir que seus investidores, como as gestoras de venture capital Balderton Capital e Index Ventures, vendam parte de suas participações, que se valorizaram de forma expressiva.

Fontes a par do assunto disseram que o grupo estava preparando o terreno para uma oferta secundária de ações no segundo semestre deste ano, que, segundo elas, já avaliaria a empresa em mais de US$ 100 bilhões.

Revolut fundador
Nik Storonsky, o fundador e CEO da Revolut

Desde sua criação, em 2015, a Revolut tornou-se a startup mais valiosa da Europa. No ano passado, o lucro aumentou 57%, atingindo £1,7 bilhão. A receita no período foi de £4,5 bilhões.

Esse aumento expressivo nos resultados deveu-se a um crescimento de 67% nas receitas provenientes de usuários que assinaram seus serviços premium.

Os investidores consideram que a obtenção recente da licença bancária no Reino Unido vai ser vital para a estratégia de crescimento da fintech.

A licença permitirá que a Revolut receba depósitos de clientes diretamente, que poderão ser usados ​​para oferecer empréstimos, segmento crucial para entrar em mercados lucrativos dominados pelos grandes bancos.

Os executivos também acreditam que a conquista da licença do órgão regulador de seu país vai aumentar suas chances de conseguir credenciamento em outros países. Em março, a Revolut solicitou uma licença bancária nos Estados Unidos.

O pedido ocorreu dois meses após o Nubank conseguir aprovação para operar como banco no mercado americano. Outras instituições europeias, como a fintech britânica OakNorth e a holandesa Bunq também estão em busca da licença bancária.

O aplicativo da Revolut permite aos usuários fazer pagamentos, negociar ativos e guardar dinheiro, competindo com os bancos tradicionais por clientes de varejo e empresariais.

A empresa busca aumentar sua base global de clientes de varejo para 100 milhões, até o meio de 2027. Atualmente, são 70 milhões.

Embora tenha uma posição dominante na Europa, a Revolut tem se expandido para o continente americano. Ela já atua no Brasil e, recentemente, lançou operações bancárias no México e está na fase final do processo de licenciamento na Colômbia.

A empresa separou US$ 500 milhões para sustentar seu crescimento nos Estados Unidos, de um orçamento global de expansão de US$ 13 bilhões para os próximos cinco anos.