Superada a etapa da aquisição da Medley e dos investimentos para produção da versão local das canetas emagrecedoras, a farmacêutica brasileira EMS agora foca a atenção para aumentar sua capacidade de produção de comprimidos.
A empresa, controlada pela família Sanchez, vai iniciar um novo ciclo de investimentos, de R$ 1 bilhão, para construir uma nova fábrica em Manaus, no Amazonas, anexa à unidade que a companhia já possui.
O plano começa no início de 2027, com duração até o fim de 2028. O objetivo é que a capacidade produtiva da empresa suba de 1,5 bilhão de unidades de comprimidos por mês para 2 bilhões. Isso vai significar um aumento anual de seis bilhões de comprimidos, passando de 18 bilhões para 24 bilhões de unidades ao ano.
“A EMS investiu muito em injetáveis, colírios e outras áreas e agora precisa avançar nos comprimidos”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, em entrevista ao NeoFeed.
O incremento vai contribuir para que a companhia farmacêutica passe do faturamento previsto de R$ 12 bilhões, em 2026, para R$ 15,5 bilhões em dois anos. O plano, segundo o empresário, é que a maior parte dos recursos para a ampliação venha do capital próprio e uma pequena fatia seja financiada via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No total da companhia, os comprimidos representam 70% da receita. Isso significa que, após a expansão, o planejamento é que somente com este tipo de produto a EMS fature mais de R$ 10 bilhões em 2028.
Os medicamentos líquidos, como soluções e xaropes, respondem por 15% da receita da companhia. Os demais 15% estão em outras áreas farmacêuticas, como pomadas e injetáveis, como as canetas emagrecedoras.
No ranking dos medicamentos orais, a empresa tem entre as principais áreas de atuação os comprimidos para cardiologia, ortopedia, gastrointestinal e neuropsiquiatria, entre outras.
A maior parte do novo pacote de investimentos irá para a construção da unidade amazonense, mas uma menor parcela também será destinada a ampliações em Anápolis, em Goiás, e em Hortolândia, em São Paulo, que é o maior parque fabril da empresa. Nessas duas unidades, a intenção é aumentar parte da capacidade produtiva de medicamentos injetáveis.
Segundo Sanchez, o tamanho do cheque para as ampliações pode aumentar, a depender do prazo de aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da aquisição da Medley.
Em março, a francesa Sanofi anunciou que a EMS havia vencido a disputa com outros players e confirmou a venda de sua unidade de genéricos no Brasil por US$ 600 milhões. Até a decisão final, no entanto, a farmacêutica europeia segue à frente da operação. A perspectiva é que a aprovação saia até o fim do ano.
A ampliação, neste momento, na fábrica na Região Norte, também é estratégica. Além de já ser o local onde é produzida o quase 100% dos comprimidos, a decisão pela expansão também está associada a questões de incentivos fiscais, pelo fato de a unidade estar na área da Zona Franca de Manaus. Na prática, isto garante mais competitividade e produtividade.
Com uma ruptura baixa de seus medicamentos nos balcões das farmácias, a EMS pretende, com este novo aporte, garantir um estoque extra de caixas de remédios nas prateleiras das principais varejistas do setor.
“A empresa tem percebido aumento na demanda de comprimidos de todas as áreas. E hoje não detectamos falta. Nossa visão é que faz muito mais sentido estar redondo para atender o mercado do que eventualmente ter de apagar incêndio”, diz Sanchez.
Além das canetas emagrecedoras
A decisão pelo novo investimento também marca o fim do ciclo anterior, de três anos, que envolveu um volume de R$ 2 bilhões para ampliações de linhas de produção, incluindo a fábrica de produtos análogos ao GLP-1, que são as canetas emagrecedoras, na fábrica do interior de São Paulo. A última fase de instalações de maquinários termina no primeiro semestre deste ano.
Em agosto do ano passado, a EMS lançou no mercado nacional as canetas Olire (para tratamento de obesidade) e Lirux (para diabetes), análogos ao GLP-1 e que têm a liraglutida como princípio ativo. Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autorizou nenhuma farmacêutica a fabricar e comercializar a liraglutida similar.
A previsão é que somente o faturamento destes dois produtos chegue a R$ 120 milhões em agosto, nos primeiros 12 meses após o lançamento, acima do previsto inicialmente, que era de R$ 100 milhões.
Como o NeoFeed já havia revelado com exclusividade, a empresa prepara, para o segundo semestre, o lançamento de sua liraglutida nos Estados Unidos, com previsão de comercializar um milhão de unidades nos primeiros 12 meses.
A EMS agora aguarda o aval da agência reguladora para poder iniciar a produção e comercialização de sua própria versão do Ozempic, caneta à base de semaglutida, da dinamarquesa Novo Nordisk, e que teve a patente expirada no fim de março. A tendência é que saia até o fim de maio.
Neste sentido, a empresa já tem preparado um volume de investimentos, de pelo menos R$ 100 milhões, para ajustar a capacidade de produção das canetas. Para entrar no mercado de canetas emagrecedoras, a EMS já havia aportado R$ 1,2 bilhão.
Segundo Sanchez, o aporte para a semaglutida não afeta o plano para a unidade de comprimidos. “São fábricas diferentes e outro tipo de tecnologia”, afirma o vice-presidente, sobrinho de Carlos Sanchez, presidente do conselho da EMS.
Hoje a companhia tem cerca de 11,8 mil funcionários em todas as suas unidades, incluindo a fábrica na Sérvia, centro de desenvolvimento na Itália e colaboradores nos Estados Unidos. A previsão é de ultrapassar 13 mil até 2028, a partir dos novos investimentos.
No Brasil, além de Hortolândia e Manaus, a EMS também tem fábricas em Jaguariúna, em São Paulo; Anápolis, em Goiás; São Jerônimo, no Rio Grande do Sul; e Brasília.