O Banco BS2 decidiu realizar o spin-off das áreas ligadas ao mercado de capitais, criando uma plataforma independente que concentrará suas operações de gestão de recursos e emissão de dívidas.
A nova empresa, chamada de BBS Capital Partners, inicia suas operações com mais de R$ 1,2 bilhão em ativos sob gestão (AuM) na frente de asset management, com objetivo de atingir R$ 5 bilhões até o fim de 2027. Na parte de investment banking (IB), a intenção é encerrar o próximo ano com R$ 2,5 bilhões em volume de dívida emitida.
A avaliação é a de que, com uma estrutura própria, essas duas áreas podem acelerar o crescimento e oferecer melhor atendimento aos clientes do banco, sem ficarem sujeitas às amarras das atividades do banco comercial.
“Achamos melhor caminhar para criar uma estrutura separada, que pudesse acomodar esses negócios, para desenvolver essas atividades de maneira mais fluida, com uma governança específica capaz de atrair novos talentos para essa unidade”, diz Marcos Magalhães, CEO do BS2, ao NeoFeed.
A operação, que começou a ser estruturada em janeiro, prevê o BS2 como controlador da BBS, com 40% do capital. Os outros 60% serão distribuídos entre os executivos da BBS, em formato de partnership que visa a garantir alinhamento e retenção de talentos.
Com a cisão concluída, a nova empresa será comandada por Rodrigo Pentagna Guimarães, que permanecerá como diretor executivo comercial do BS2, além de ter assento no conselho da BBS, presidido por Magalhães.
A asset – que ficará sob comando de Vinícius Bandeira, até então head de M&A e corporate development do BS2 – vai atuar em estratégias de investimento em ativos alternativos, por meio de fundos estruturados de crédito privado e imobiliário, e ativos judiciais. A gestora já conta com Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e fundos imobiliários (FIIs).
A segunda vertical é a de IB, lançada em fevereiro do ano passado com foco em debt capital market (DCM). A unidade nasceu com a meta de fazer um volume de R$ 800 milhões em seu primeiro ano, mas superou o objetivo, com R$ 900 milhões em dívida estruturada e distribuída em 2025.
Essa parte ficará sob responsabilidade de Victor Barreira, ex-RGS Partners e Banco Modal. Ele assumiu o lugar de Márcio Paiva, realocado para uma cadeira de originação de oportunidades de capital solutions, fomentando operações estruturadas que possam ter fit em ambas as verticais da BBS.
Segundo Magalhães, a decisão de separar o IB vem para permitir que a área busque mais mandatos, uma vez que a BBS e seus executivos podem participar do risco e as operações não ficam presas aos processos decisórios do banco.
“Uma operação estruturada leva mais tempo para ser montada, é quase um business plan para cada operação. Já uma operação de crédito, dado o balanço e o prazo, se discute num dia. Colocar uma operação dessa no comitê de crédito, que está discutindo operações padronizadas, gera uma disrupção na agenda”, afirma.
Uma área nova, que fará parte da vertical de mercado de capitais, é a unidade de soluções de capital para entes públicos, tocada por Marcelo Fanganiello, com passagem de mais de dez anos pelo Itaú e que foi CEO da Indigo Investimentos.
Com uma equipe atual de mais de 20 profissionais, a intenção é que a BBS traga novas oportunidades de investimento e ofereça serviços de crédito tailor-made para um público de 1,5 mil companhias do banco, com faturamento acima de R$ 100 milhões ao ano, já atendido com produtos bancários básicos do BS2 e que está em disputa por bancos grandes e médios, além de gestoras e boutiques.
Além de complementar novas oportunidades de investimento para o BS2, a BBS visa também atrair investidores institucionais e assets para participação nas teses de investimento do portfólio.
“É muito sinérgica a contribuição de valor para as companhias, porque a BBS vai buscar oportunidades de investimento e o BS2 vem com a capacidade de alocação, propiciando ao banco crescer sua carteira em termos de ativos de crédito de forma inorgânica, coinvestindo em oportunidades originadas pela BBS”, afirma Pentagna Guimarães.
Oportunidades
Com o objetivo de chegar a R$ 5 bilhões de AuM até o final do próximo ano, a BBS enxerga boas oportunidades em real estate, área em que o banco já atuava com mais intensidade, principalmente com financiamento à produção de incorporadoras.
Agora na BBS, a área vai avaliar investimentos primários em estruturas de real estate, ficando com equity. “No braço imobiliário, temos planos de montar um portfólio nos próximos 18 meses de pelo menos R$ 1 bilhão, entrando no equity dos empreendimentos, principalmente residenciais, mas também com abertura para comercial e lajes corporativas”, diz Bandeira, head da asset da BBS.
Em crédito privado, assim como no mercado em geral, a oportunidade está em FIDCs, aproveitando a expertise do BS2 em crédito, além de fundos voltados para infraestrutura.
Pentagna Guimarães também afirma que a gestora quer entrar em crédito consignado privado, de olho nas necessidades dos clientes do banco. “Nossa ideia é estruturar um fundo de crédito consignado privado, algo que tem muita sinergia com o ecossistema de clientes do banco”, afirma.
A gestora também analisa teses específicas, como consórcio, crédito para condomínio, indústria e agronegócio. “Temos planos de lançar FoFs de FIDCs, para ganhar escala, investindo em outras casas”, diz Bandeira.
Na frente de soluções de capital para entes públicos, a principal oportunidade está na securitização de dívida ativa, especialmente de municípios. A atividade ganhou força após a aprovação da Lei Complementar 208, em 2024, que regulamentou a cessão de direitos creditórios originados de créditos tributários e não tributários pela União.
Um levantamento divulgado em 2024 pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que o montante da dívida pública negociável, no período acumulado de 2014 a 2023, alcançou aproximadamente R$ 3,2 trilhões.
“Além de levar uma solução financeira para esse ente, vamos levar a especialização e o know-how da gestão da carteira de cobrança, para que ele tenha mais eficiência e aproveitamento da recuperação dos seus créditos”, diz Pentagna Guimarães.