As Big Techs, as fabricantes de processadores e os operadores de data centers não são os únicos a se beneficiar da onda da inteligência artificial (IA) em suas ações.

Um grupo de “ganhadores improváveis”, formado por nomes da “velha economia”, também está vendo seus valuations crescerem, diante da importância que essas empresas têm para colocar em prática todas as aspirações depositadas sobre a tecnologia que promete ser a próxima revolução industrial.

Nomes como Caterpillar, mais conhecida por seus equipamentos de construção, a empreiteira alemã Hochtief e a siderúrgica americana Nucor fazem parte de um grupo de 200 empresas cujas ações estão superando o MSCI World Index, principal índice global de ações, considerando os 12 meses encerrados em 9 de junho.

No período, de acordo com levantamento feito pelo Financial Times (FT), o índice acumulou alta de 21%. Alguns dos nomes desse grupo, porém, registraram valorizações na casa dos três dígitos. É o caso da Caterpillar, que registrou uma alta de 151%, adicionando US$ 247,7 bilhões ao seu valor de mercado.

Houve também quem começasse a ganhar recentemente, ao decidir embarcar na tese da IA. A Ford, que vem passando por dificuldades nos últimos anos, viu suas ações subirem 25% em maio após anunciar que vai redirecionar parte da tecnologia desenvolvida para carros elétricos para a fabricação de baterias voltadas a data centers.

Os números mostram que os investidores estão olhando para além dos nomes óbvios para se posicionar no trade de IA, alocando recursos em companhias que devem se beneficiar dos investimentos destinados à construção da infraestrutura necessária para a tecnologia operar.

Muitas dessas empresas, inclusive, já operavam antes de 1958, quando o microchip foi inventado. É o caso da mineradora BHP, fundada em 1885, cujas ações acumulam alta de 76,5% em 12 meses, impulsionadas pela perspectiva de crescimento da demanda por cobre.

A expectativa é que essas companhias consigam capturar uma fatia dos elevados investimentos que os chamados hyperscalers estão fazendo em ativos físicos para IA.

Nomes como Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle devem investir um total de US$ 700 bilhões somente em 2026. Dados do governo americano compilados pelo FT mostram que os gastos mensais com a construção de data centers atingiram US$ 50 bilhões nos Estados Unidos em abril.

As especificidades exigidas pela tecnologia também acabam favorecendo algumas empresas. Por exemplo, os servidores de IA precisam estar mais interligados, aumentando a necessidade de cabeamento e de soluções ópticas avançadas.

Isso fez com que as ações da Corning, inventora do vidro Pyrex há 175 anos e fornecedora de telas para os iPhones da Apple, subissem mais de 270%, após a empresa fechar acordos com a Meta e a Nvidia para o fornecimento de cabeamento de fibra óptica para data centers de IA.

A grande questão é se esse movimento é sustentável, considerando as desconfianças de que a IA possa estar produzindo uma bolha no mercado de ações, impulsionada por um pequeno grupo de empresas. A Bain & Company estima que a indústria de tecnologia precisa gerar US$ 2 trilhões em receita anual proveniente de IA para justificar os níveis atuais de gastos com data centers.

Muitas dessas empresas foram duramente afetadas no início de 2025, quando a DeepSeek anunciou o lançamento de uma LLM mais barata, que exigiria investimentos menores em infraestrutura.

Por enquanto, o otimismo permanece no ar. Ao FT, a francesa Schneider Electric informou que os data centers continuam centrais para sua estratégia, enquanto a Siemens declarou que a demanda por IA é uma "tendência de crescimento estrutural de longo prazo, e não um ciclo de curto prazo", acrescentando que seu negócio de data centers cresceu 40% em 2025.

No levantamento, as ações da Schneider Electric apresentaram alta acumulada de 17%, enquanto os papéis da Siemens subiram 20,5%.