Uma crise pode ameaçar a sobrevivência de uma empresa, mas também forçá-la a abandonar processos que já não funcionam. Essa é uma das principais lições de Luis Justo, ex-CEO da Osklen e CEO do Rock in Rio, que irá deixar o comando em setembro, após o evento, para atuar em conselhos, mentorias e investimentos.
Em entrevista ao Bravamente, apresentado pelo surfista Carlos Burle com parceria com NeoFeed, Justo afirmou que o papel da liderança não é prever todas as variáveis, mas preparar a empresa para reagir quando o planejamento deixa de fazer sentido. “Crise não se desperdiça. É um recurso muito valioso para a gente desperdiçar”, disse.
O executivo viveu essa dinâmica quando um incêndio destruiu mais de mil metros quadrados da sede da Osklen, incluindo o acervo e a coleção que estava em desenvolvimento. Dos tecidos queimados nasceu a coleção Fênix, uma das mais bem-sucedidas da história da marca.
A emergência também obrigou a companhia a rever sua operação. Uma coleção que normalmente levava um ano para ser desenvolvida precisou ficar pronta em seis meses. A saída foi criar um processo completamente diferente, que dificilmente surgiria em um período de estabilidade.
Anos depois, Justo enfrentou outro choque ao comandar o Rock in Rio durante a pandemia. Com os eventos suspensos e sem receita, ele repetia à equipe que a empresa sairia daquele período com o dobro do tamanho. A projeção serviu como direção estratégica para manter o time mobilizado.
Foi durante a paralisação que o grupo desenvolveu o The Town, festival realizado em São Paulo. “A gente saiu o dobro do tamanho que a gente entrou no momento mais difícil da nossa vida”, disse Justo.
Depois de duas décadas como CEO, ele agora pretende usar a experiência acumulada para apoiar diferentes companhias. A mudança, segundo o executivo, também exige abandonar a ideia de que o cargo define quem está sentado naquela cadeira. “CEO de empresa é uma função, não identidade.”