A Votorantim está trocando o controle de uma mineradora latino-americana por uma participação relevante em uma plataforma global de metais.
A holding brasileira fechou a venda de sua fatia de 64,7% na Nexa Resources para a sueca Boliden. Como pagamento, ela receberá ações equivalentes a aproximadamente 7% do capital da companhia europeia.
Com a operação, anunciada na manhã de quinta-feira, 27 de agosto, a Votorantim deixa de ser a controladora da Nexa para se tornar a maior acionista individual da Boliden.
A holding brasileira terá uma participação ativa na governança da companhia sueca, incluindo o direito de indicar um integrante para seu conselho de administração.
A transação será integralmente paga em ações. Para cada papel da Nexa, a Votorantim receberá 0,25 ação recém-emitida da Boliden. Ao todo, serão entregues 21,4 milhões de papéis da empresa sueca, que tem ações negociadas na Nasdaq de Estocolmo.
O acordo atribui à participação da Votorantim na Nexa um valor de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,75 bilhões). Considerando 100% do capital, a mineradora foi avaliada em US$ 2,025 bilhões (R$ 10,4 bilhões), com um enterprise value de US$ 3,7 bilhões (pouco mais de R$ 19 bilhões), incluindo US$ 1,37 bilhão em dívida líquida e US$ 306 milhões referentes a participações de minoritários.
O preço implícito de US$ 15,29 por ação da Nexa representa um prêmio de 27% sobre a cotação de 1º de julho, último pregão antes de a Boliden confirmar publicamente que mantinha conversas com a Votorantim. Em relação à média ponderada dos 20 pregões anteriores àquela data, o prêmio é de 14,2%.
A operação representa um prêmio de aproximadamente 30% sobre o valor de sua participação antes de as negociações chegarem ao mercado e uma valorização superior a 200% nos últimos 12 meses, disse uma fonte com conhecimento da operação ao NeoFeed.
O ganho reflete tanto a recuperação das ações da Nexa quanto a valorização capturada no acordo com a Boliden.
O fechamento ainda depende da aprovação dos acionistas da Boliden em assembleia extraordinária, de autorizações regulatórias e de outras condições precedentes. A expectativa é concluir a transação no primeiro trimestre de 2027.
Após o fechamento, a Boliden fará uma oferta voluntária em dinheiro para comprar as ações da Nexa que permanecem em circulação. Atualmente, 35,3% do capital da mineradora está nas mãos de investidores e é negociado na Bolsa de Nova York.
A companhia sueca também terá de realizar uma oferta obrigatória aos acionistas minoritários das subsidiárias peruanas listadas da Nexa.
Pelas condições do negócio, 25% das ações da Boliden entregues à Votorantim ficarão sujeitas a um período de lock-up de um ano. Outros 25% terão restrição por dois anos e mais 25%, por três anos.
Escala global
Mais do que uma venda de ativos, a operação muda a forma de exposição da Votorantim ao setor de mineração e metalurgia.
A holding deixa uma companhia concentrada no Brasil e no Peru e passa a investir em uma empresa global, diversificada e listada em um dos mercados de capitais mais desenvolvidos da Europa.
A combinação cria uma plataforma com valor de mercado de, aproximadamente, US$ 20 bilhões - superior a R$ 100 bilhões - e operações em dois continentes. Juntas, Boliden e Nexa terão 12 unidades de mineração e oito fundições distribuídas entre Europa e América Latina.
A Boliden atua principalmente na Suécia, Finlândia, Noruega, Irlanda e Portugal. A Nexa acrescenta cinco minas e três fundições no Brasil e no Peru, entre elas Cajamarquilla, a maior fundição de zinco das Américas e a quinta maior do mundo.
Em 2025, as operações combinadas produziram 667 mil toneladas de zinco em concentrado, 137 mil toneladas de cobre, 140 mil toneladas de chumbo e 783 toneladas de prata. Nas fundições, a produção conjunta de zinco alcançou pouco mais de 1 milhão de toneladas.
A nova plataforma passa, assim, a ocupar uma posição de destaque global em zinco, tanto na mineração quanto na fundição, e amplia sua presença em metais preciosos, principalmente prata. A combinação também reúne um portfólio de projetos em diferentes estágios de desenvolvimento nos dois continentes.
“A transação vai posicionar a Boliden como uma das principais fornecedoras de zinco do mundo, reforçar nossa posição como produtora globalmente relevante de metais básicos e ampliar substancialmente nossa produção de prata em concentrado”, afirmou Mikael Staffas, presidente e CEO da Boliden, no comunicado.
Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, Boliden e Nexa somaram uma receita consolidada de aproximadamente 136 bilhões de coroas suecas (US$ 14,5 bilhões) e um Ebitda de 38 bilhões de coroas suecas (US$ 4 bilhões).