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A encruzilhada da Oi para sair da crise

À medida que o tempo passa, as opções vão ficando mais estreitas para a Oi. Uma fonte que conhece a situação da empresa analisa as alternativas e desafios da operadora

 

Loja da Oi

Em recuperação judicial desde junho de 2016, a Oi está mais uma vez em dificuldades. O volume de recursos que tem em caixa teria atingido R$ 3,2 bilhões em setembro, insuficiente para os investimentos de seu plano estratégico. Em janeiro deste ano, era R$ 7,2 bilhões.

Um relatório do banco de investimentos BTG Pactual estimou em R$ 6 bilhões as necessidades adicionais de recursos para que a Oi possa cumprir seu plano estratégico até 2021. Sem dinheiro, o risco é de colapso.

Nesse cenário, não faltam rumores sobre qual o futuro da Oi. A começar pelos compradores. A lista de empresas interessadas incluem Vivo/Telefônica, TIM, AT&T, China Telecom e Huawei – a AT&T e Huawei já disseram oficialmente que não têm interesse.

Por outro lado, surgem soluções que já foram mencionadas no passado, como o fatiamento da empresa para Vivo/Telefônica, TIM e Claro. E, por fim, a venda de sua operação de telefonia móvel.

Além dessas possibilidades, a companhia também pode buscar capital no mercado financeiro. Estima-se que R$ 2,5 bilhões sejam necessários para que a empresa mantenha sua operação até o fim do ano.

Recursos adicionais seriam levantados com a venda de ativos, como a fatia que a Oi mantém na Unitel, a operadora angolana da qual ela detém uma participação de 25%.

Diante desse cenário, o NeoFeed conversou com uma fonte que acompanha de perto – e há muito tempo – a Oi. Ela faz algumas reflexões sobre os cenários nos quais a Oi vai se defrontar e os desafios da operadora.

De acordo com esse interlocutor, há diversas saídas para a Oi. “Mas, em praticamente todas, ela depende de fatores externos”, afirma. “Por exemplo, no caso dos desinvestimentos, a Oi depende de interessados em pagar um valor justo.”

Um relatório do BTG Pactual estima que a operação de telefonia móvel da Oi pode valer R$ 15 bilhões

Um relatório do BTG Pactual estima que a operação de telefonia móvel da Oi, que conta com 37,5 milhões de assinantes, pode valer R$ 15 bilhões e acrescenta que uma transação envolvendo a Oi, ou uma relevante parte de suas operações, pode reformatar o setor.

“Para as operadoras atuais, comprar a Oi aumentam as chances de um ambiente competitivo mais benigno”, diz o relatório. “Para novos competidores, é provavelmente a última chance de entrar no mercado brasileiro de telecomunicações.”

Além de uma venda, a Oi pode optar por buscar recursos no mercado financeiro. “Buscar aumento de capital, financiamento ou saídas financeiras é complicado pela fragilidade atual”, diz a fonte. “Não há garantias do ponto de vista financeiro, portanto as taxas não são tão boas quanto as praticadas para empresas saudáveis.”

Há um fator adicional que torna a questão da Oi ainda mais complexa. “Tem todo um ritual complicado para empresas de capital aberto, e além disso em recuperação judicial”, afirma a fonte ouvida pelo NeoFeed. “Qualquer passo precisa ser alinhado e, dependendo do passo, aprovado pelo juiz da recuperação judicial. Além disso, tem o contexto de Anatel e Cade, nos casos de separação de ativos ou desinvestimentos.”

A Anatel é a principal credora da Oi, com dívidas de R$ 14,5 bilhões, por conta de multas aplicadas pelo órgão regulador do setor à operadora de telefonia.

“É claro que há saídas para a Oi. Mas o desafio é o tempo, pela velocidade de queima de caixa, e fazer isso respeitando o ritual de formalidades”, diz a fonte. “Apesar de terem saídas, as alternativas diminuem com o tempo.”

Mais uma vez, a fonte que conhece a situação da Oi faz uma ressalva. “Quanto mais o tempo passar, possivelmente melhor para o interessado em comprar. Porém, se o tempo passar muito, o risco é não ter mais saída e, portanto, acontecer alguma interferência.”

A fonte se refere a Anatel, que pode fazer uma interferência na empresa, caso a situação operacional se deteriore de forma acelerada, afetando a prestação de serviços.

Em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oi afirmou que “vem analisando todas as alternativas à sua disposição e avaliando continuamente oportunidades para a melhor adequação da estrutura de capital e maximização do valor da companhia”

A operadora de telefonia acrescentou que a “administração tem dedicado foco especial ao plano de venda de ativos non-core e geração de liquidez de curto prazo, de forma a assegurar a execução do plano de investimentos da companhia e a sustentabilidade de tais investimentos”.

Novo comando

Em 20 de setembro, a Oi confirmou que Rodrigo Abreu será o diretor de operações da empresa. É um cargo de transição, pois em dezembro ele deve assumir o comando da operadora, substituindo a Eurico Teles.

Rodrigo Abreu, que deve assumir a presidência da Oi em dezembro

Abreu, que foi presidente da TIM, estava no conselho de administração da Oi e conhece em detalhes a situação da empresa. Caberá a ele buscar uma solução para a operadora.

Neste ano, os papéis ordinários da Oi caem 22,4%. Em 12 meses, a desvalorização é de 40,7%. Hoje, a Oi vale R$ 5,8 bilhões. Os rivais, com capital aberto, valem muito mais. A TIM, R$ 28,5 bilhões. A Vivo/Telefônica, R$ 87,5 bilhões.

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