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Negócios

Oi pode ter oitavo presidente desde 2011

Com piora dos resultados, empresa de telefonia está na iminência de trocar seu CEO, pressionada por seu maior acionista. Detalhe:poderá ser a oitava vez em oito anos

 

Anote esses nomes: Luiz Eduardo Falco, Francisco Valim, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, Zeinal Bava, Bayard Gontijo, Marco Schroeder e Eurico Teles.

Os sete executivos foram – no caso de Teles ainda é – presidentes da empresa de telefonia Oi, que está em processo de recuperação judicial.

Desde 2011, a empresa trocou de CEO sete vezes e está perto de mudar mais uma vez o comando da operação.

Se confirmada a troca, a companhia teria uma média de um presidente a cada ano, algo fora do padrão para uma empresa que precisa traçar estratégias de longo prazo.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Strategy&, da PricewaterhouseCoopers (PwC), com 2,5 mil companhias abertas ao redor do globo, inclusive o Brasil, mostra que o mandato médio de um CEO foi de cinco anos em 2018.

O mais cotado para assumir a presidência da Oi é Rodrigo Abreu, ex-presidente da companhia de tecnologia americana Cisco e da empresa de telecomunicações TIM.

Atualmente, ele comanda a Quod, uma gestora de crédito e de dados dos cinco maiores bancos brasileiros (Banco do Brasil, Caixa, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander), e faz parte do Conselho de Administração da Oi. Procurado pelo NeoFeed, ele não quis fazer comentários.

Abreu, se tiver o nome confirmado, seria COO, uma espécie de diretor de operações, mas com amplos poderes na gestão, fazendo um processo de transição para a saída de Teles do comando da operadora.

Pressão

A troca do presidente da Oi foi defendida pela GoldenTree Asset Management, hoje o maior acionista da empresa de telefonia, com uma fatia de 14,57% do capital social.

Em carta enviada ao Conselho de Administração, a gestora diz temer que “o futuro a longo prazo da companhia esteja seriamente comprometido por causa de decisões ruins, do desempenho financeiro e operacional decepcionante e da incapacidade de aplicar importantes princípios de governança corporativa consagrados no plano de recuperação operacional.”

A gestora deixa claro que a solução para esse problema é a troca de Teles por um executivo capaz de “implementar totalmente a recuperação operacional da empresa e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no plano estratégico”.

Nesta quarta-feira, 21 de agosto, advogados dos três maiores acionistas da Oi se reuniram com o juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio, onde tramita o processo de recuperação judicial da Oi

Participaram da reunião advogados da GoldenTree Asset Management, da Solus Alternative Asset Management e da York Global Finance Fund. Na pauta: a troca do comando da Oi.

O tom dos acionistas da Oi subiu depois dos resultados do segundo trimestre de 2019, que mostrou que os principais índices financeiros da companhia pioraram.

Neste ano, as ações da Oi já acumulam queda de mais de 60% na B3

A receita líquida total foi de R$ 5,091 bilhões no segundo trimestre, queda de 8,2% no comparativo anual. O prejuízo cresceu 24%, para R$ 1,559 bilhão. Já a dívida líquida atingiu R$ 12,573 bilhões, um aumento de 25,5%.

Não bastasse isso, a companhia terminou julho com R$ 4,29 bilhões em caixa, uma redução de 31,5% em relação ao primeiro trimestre de 2019. No primeiro semestre, a Oi investiu R$ 3,77 bilhões. A meta é atingir R$ 7,5 bilhões em 2019.

A companhia avalia obter recursos para conseguir os R$ 3,7 bilhões que faltam para investir até dezembro. Uma das alternativas é a venda de ativos, como sua participação de 25% na Unitel, operadora angolana avaliada em US$ 1 bilhão. A Oi também espera receber créditos de PIS/Cofins de R$ 650 milhões.

Outra saída é uma nova capitalização de até R$ 2,5 bilhões. Mas a Golden Tree já avisou. “Se as vendas de ativos não se concretizarem, consideraríamos fornecer liquidez adicional, mas isto não é uma opção para nós sob o comando existente”, diz a carta, enviada ao Conselho de Administração.

Neste ano, as ações da Oi já acumulam queda de mais de 60% na B3.

Alta rotatividade

A área de telefonia é um setor de capital intensivo, que exige investimentos bilionários e planejamento de longo prazo por conta da evolução tecnológica constante.

A troca de um presidente, no caso da Oi, não foi apenas de nome por outro e a vida seguiu conforme o planejado. Ao contrário. Na maioria dos casos, o novo presidente chegou com uma nova estratégia.

Valim, que substitui Falco, tentou aumentar os investimentos da empresa para investir em telefonia celular e reduzir os dividendos dos acionistas. Com isso, entrou em choque com eles e perdeu emprego.

Bava, que era CEO da Portugal Telecom, apostou em fibra óptica e arquitetou a fusão com a Oi, o que muitos consideram a origem da dívida bilionária da Oi.

O executivo português foi derrubado por um escândalo financeiro: o calote de 897 milhões de euros à Rioforte, braço não financeiro do Grupo Espírito Santo (GESP), um empréstimo feito sem o conhecimento dos acionistas.

A área de telefonia é um setor de capital intensivo, que exige investimentos bilionários e planejamento de longo prazo

Os três últimos CEOs – Gontijo, Schroeder e Teles – atuaram mais como bombeiros da crise, negociando com credores e acionistas para que a companhia mantivesse sua solvência e buscasse uma saída à sua dívida.

Ao mesmo tempo que lutavam para manter a parte operacional saudável, eles sofriam com a limitação de investimentos da Oi, que era muito abaixo de seus competidores.

Para se ter uma ideia, o investimento dos rivais é da ordem de R$ 8 bilhões por ano. Só neste ano, a Oi deverá se aproximar deles, com estimativa de investir R$ 7,5 bilhões.

Presidente por acidente

Teles virou presidente da Oi em novembro de 2017, quando estava literalmente no escuro. Ele havia acabado de passar por uma cirurgia nos olhos, quando recebeu a notícia da renúncia de Schroeder. No dia seguinte, foi eleito presidente.

Eurico Teles assumiu a presidência da Oi em novembro de 2017

Desde então, Teles, um funcionário de carreira que começou sua trajetória na Telebahia, depois incorporada pela Telemar e que se tornou Oi após unir-se à Brasil Telecom, conseguiu desenrolar alguns dos nós do enrosco na qual a Oi se meteu.

Poucos dias após sentar na cadeira de presidente, esse piauiense de Piripiri ganhou plenos poderes do juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para apresentar um plano sem interferência do conselho de administração.

Um mês depois, Teles conseguiu aprovar com ampla maioria o plano de recuperação judicial em uma assembleia geral dos credores que durou 15 horas e só terminou na madrugada de 20 de dezembro. A diluição dos atuais acionistas ficou em 72% — ambos queriam bem menos.

A aprovação do plano de recuperação judicial permitiu uma rápida calmaria, algo raro na história da companhia, marcada por disputas internas entre os principais acionistas.

Agora, com a volta de resultados ruim, a Oi está, de novo, na iminência de trocar seu presidente e envolvida em briga entre os seus acionistas e a direção executiva. A única certeza é que mudar de presidente a cada ano não tem ajudado a operadora a sair desta crise.

Procurada, a Oi não quis comentar.

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