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Negócios

Quais os desafios de Rodrigo Abreu, que deve assumir a Oi

Executivo já foi presidente da TIM e da Cisco. À frente da operadora, terá de conseguir recursos para que ela volte a crescer e ganhar mercado

 

Rodrigo Abreu, que deve assumir a presidência da Oi

O executivo Rodrigo Abreu deve assumir a presidência da empresa de telefonia Oi, que está em recuperação judicial, substituindo a Eurico Teles.

O caminho para a mudança no comando da Oi foi aberto com a autorização de Fernando Viana, juiz da 7ª Vara da Justiça. Como está em recuperação judicial, a troca de comando precisava ser ratificada pela Justiça. Procurada, a Oi não confirma essas informações.

Nesse primeiro momento, Abreu assume como diretor operacional, com plenos poderes para tocar a execução do plano estratégico de transformação que foi anunciado ao mercado.

Ele só se tornará presidente em dezembro, segundo apurou o NeoFeed. Teles, que tinha mandato até fevereiro de 2020, antecipou sua saída do comando da companhia. Abreu será o oitavo presidente da Oi em um período de oito anos.

Abreu já está no conselho de administração da Oi e participou ativamente do plano desenhado pela operadora para sair da crise, ganhar mercado e trazer mais valor aos acionistas da companhia.

O nome mais cotado para assumir a presidência da Oi tem longa carreira no mercado de tecnologia. Em especial, no de telecomunicações.

Ele foi presidente da rival TIM de 2013 a 2016. Antes, comandou a americana Cisco, uma das maiores empresas de equipamentos de rede, por mais de seis anos.

Abreu já está no conselho de administração da Oi e participou ativamente do plano desenhado pela operadora para sair da crise

Atualmente, ele é presidente da Quod, uma gestora de crédito e de dados dos cinco maiores bancos brasileiros (Banco do Brasil, Caixa, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander). Procurado pelo NeoFeed, ele não retornou.

Desafios

O NeoFeed conversou com algumas pessoas que trabalharam com Abreu e alguns analistas de mercado. Eles resumem o desafio do novo executivo em várias frentes.

O primeiro deles é retomar o crescimento da Oi. “Ou ao menos que ela pare de perder mercado, dinheiro e clientes”, afirma Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações.

No segundo trimestre deste ano, a receita líquida total da Oi foi de R$ 5,091 bilhões, queda de 8,2% no comparativo anual. O prejuízo cresceu 24%, para R$ 1,559 bilhão. Já a dívida líquida atingiu R$ 12,573 bilhões, um aumento de 25,5%.

Não bastasse isso, a companhia terminou julho com R$ 4,29 bilhões em caixa, uma redução de 31,5% em relação ao primeiro trimestre de 2019. No primeiro semestre, a Oi investiu R$ 3,77 bilhões. A meta é atingir R$ 7,5 bilhões em 2019.

O executivo também terá um papel institucional muito importante. De um lado, há um novo grupo de acionistas à frente da Oi. De outro, é preciso ter uma boa relação com o governo e órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“Um dos pontos fortes do Rodrigo é a sua articulação da empresa para fora”, afirma uma fonte, que já trabalhou com Abreu

“Um dos pontos fortes do Rodrigo é a sua articulação da empresa para fora”, afirma uma fonte, que já trabalhou com Abreu. “Ele também é um executivo conciliador.”

Essa fonte lembra que Abreu sempre comandou empresas em situações de crise. Na Cisco, ele foi chamado depois de uma operação da Polícia Federal, que prendeu os principais executivos da empresa, acusados de fraudes no comércio exterior.

Na TIM, que Abreu presidiu por três anos, ele foi contratado depois de diversos presidentes italianos à frente da empresa de telefonia e que não tinham muita interlocução nem articulação com o governo brasileiro. “Ele chegou para fazer essa ponte com o governo”, diz a fonte.

Por outro lado, Abreu chegará a Oi em um momento que necessitará fazer diversas mudanças. E, segundo outra pessoa que trabalhou com ele, seu estilo é de promover poucas trocas nos diretores que estão na empresa.

Ao contrário de outros executivos, que quando assumem uma empresa gostam de levar seu próprio time, Abreu trabalha com a equipe que encontra. “Ele gosta apenas de fazer substituições cirúrgicas”, diz essa fonte.

Na Oi, no entanto, alguns acreditam que ele precisará ser mais incisivo de que o seu estilo habitual. “Ele vai precisar ser kamikaze, chegar chutando a porta”, diz esse executivo, que já trabalhou ao lado de Abreu.

Outro desafio de Abreu é conseguir recursos para fazer os investimentos necessários para que a Oi volte a crescer. A empresa já comunicou ao mercado que está contratando bancos para conseguir recursos da ordem de R$ 2,5 bilhões.

Em 2020, haverá leilões da faixa de frequência 700 MHz (para 4G) e para a tecnologia 5G. A dúvida de muitos analistas é se a Oi terá recursos para poder participar dessas disputas.

Por fim, há o plano de desinvestimentos, essencial também para reforçar o caixa da empresa de telefonia. A Unitel, operadora angolana na qual a Oi tem uma fatia de 25%, deve ser vendida.

Mas o mercado não descarta a venda de ativos estratégicos, como a divisão de telefonia celular. “Isso vai depender dele conseguir recursos. Se não conseguir, não restará muitas alternativas”, diz Tude, da Teleco.

Palmeirense e ciclista

Abreu é um torcedor do Palmeiras. Gosta de acompanhar, quando pode, as partidas no estádio. Mas sua grande paixão é o ciclismo. No Rio de Janeiro, era comum vê-lo pedalando muito cedo, antes de ir para o quartel-general da empresa, que ficava na Barra.

Abreu é um torcedor do Palmeiras. Mas sua grande paixão é o ciclismo

Mas o ciclismo, certa vez, lhe pregou uma grande peça. Ele pedalava na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo, quando teve uma parada cardíaca. Por sorte, estava ao lado do Hospital Universitário e foi rapidamente socorrido.

O executivo também é músico. Toca guitarra, mas segundo amigos, gosta mesmo é de soltar a voz. Mas não faz muitas apresentações públicas desse seu “talento”.

Formado pela Universidade de Campinas (Unicamp) em engenharia elétrica, ele fez MBA na Stanford University. Por curiosidade, seu colega de sala era Christian Gebara, hoje presidente da rival Telefônica Vivo.

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