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A startup com DNA brasileiro que vai construir casas no Vale do Silício

Fundada em 2019, a FAB Homes levantou R$ 11 milhões junto a investidores brasileiros para erguer projetos sustentáveis e de luxo na região. E planeja arrecadar outros R$ 30 milhões ainda em 2021 para expandir sua operação

 

André Magozo, fundador e CEO da FAB Homes

O sonho americano, mas com financiamento “verde e amarelo”. Uma startup fundada, liderada e financiada por investidores brasileiros está começando a construir sua trajetória no coração do Vale do Silício e fazendo do desejo da casa própria o centro do seu modelo de negócios.

Criada há dois  anos, a FAB Homes já levantou R$ 11 milhões para construir casas sustentáveis de alto padrão na região. “A captação foi feita, principalmente, com amigos e familiares, e com o sócio de um grupo de construção civil”, afirma André Magozo, fundador da startup, em entrevista ao NeoFeed.

Administrador formado na FAAP, Magozo teve passagens pela Vivo e pela área de desenvolvimento e negócio de um braço de private equity do BTG Pactual, entre outras empresas no mercado brasileiro.

Em 2019, Magozo e a mulher desembarcaram no Vale do Silício em busca de novos desafios profissionais. A proposta inicial era comprar uma casa própria para se instalar na região. À procura de um imóvel, ele encontrou na liquidez do mercado imobiliário local uma oportunidade única.

“Quando chegamos, vimos uma casa que, em questão de dias, recebeu cinco propostas e foi vendida por uma cifra 8% maior que o valor original”, conta. Com capital próprio, Magozo decidiu começar a testar e desenvolver a ideia da FAB Homes.

O primeiro passo veio ainda em 2019, a partir da aquisição de um imóvel na cidade de Santa Clara. Com o retorno da venda do ativo, na sequência, ele adquiriu outra residência em Redwood City, que também foi comercializada rapidamente.

Em paralelo, Magozo formatou uma alternativa de captação para começar a dar mais fôlego à operação. No modelo da startup, os recursos levantados são alocados em empresas de sociedade limitada, estruturadas de acordo com cada projeto. Os investidores têm uma fatia dessas operações e são remunerados quando o imóvel é vendido.

Com essa proposta, a FAB Homes levantou os R$ 11 milhões iniciais e está acrescentando novos componente ao seu modelo de negócios e ao plano de expansão da operação.

Parte dos recursos foi destinada à compra de dois terrenos no Vale do Silício. Em um deles, na cidade de Palo Alto, o arquiteto Arthur Casas comanda o desenvolvimento de uma residência. No outro, em East Palo Alto, serão construídas 10 residências sob a liderança de um arquiteto local. Ambas as obras terão início nos próximos meses.

Nessa nova fase, a FAB Homes passa a responder por todos os processos relacionados ao seu portfólio: do mapeamento do terreno ou imóvel à construção, negociação e venda. No caso dos projetos desenvolvidos do zero, a empresa vai apostar em modelos pré-fabricados, que são bastante comuns nos Estados Unidos.

“Geralmente, quando falamos em casas pré-fabricadas, a associação direta que se faz aqui é com mobile-homes”, explica Magozo. “Mas nós realmente trilhamos um caminho de luxo, com arquitetos respeitados internacionalmente.”

Além de mais rápido, esse caminho entrega mais sustentabilidade, um ponto importante para Magozo. Sob essa ótica, todos os projetos da empresa incluirão painéis solares, sistema de reuso da água na área externa e serão pensados para minimizar a pegada de carbono.

As casas no portfólio da FAB Homes serão vendidas na faixa de US$ 1,1 milhão até US$ 8 milhões

As casas no portfólio da FAB Homes serão vendidas em uma faixa inicial de cerca de US$ 1,1 milhão até um teto próximo de US$ 8 milhões. “Assim conseguiremos atender diferentes públicos, do CEO de uma startup a um pai de família”, diz.

Até o fim de setembro de 2021, a expectativa é que a companhia capte outros R$ 30 milhões para dar vida a novos projetos e se consolidar como uma opção de investimento de baixo risco para outros brasileiros nos Estados Unidos.

“Trabalho com margem mínima de retorno de 20% ou 25%, em ciclos de dois ou três anos, que é o tempo necessário para aquisição, desenvolvimento e venda”, afirma Magozo, que já está negociando com novos investidores interessados. “Caso tenha alguma retração no mercado, os nossos investimentos estão, de certa forma, protegidos”, explica.

A ideia é lançar quatro projetos de casas residenciais por ano. Prédios e projetos mais complexos também entrarão no radar em um prazo de três anos. Dentro desse plano, a projeção é chegar a um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 104,5 milhões em 2022.

Questionado sobre a onda de pessoas deixando a Califórnia, sobretudo o Vale do Silício, Magozo explica que isso não deve afetar de maneira brusca o mercado imobiliário local, que ainda experimenta demanda.

Ao mesmo tempo, o empresário tem plano de explorar outras regiões no estado, como a parte central da costa e as regiões das vinícolas. E não descarta levar o negócio a cidades como Austin, no Texas; Boulder, no Colorado; e algumas cidades na Flórida.

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