Antonio Costa, ex-Azimut, agora dá as cartas na wealth da B.Side

Depois de deixar a Azimut Brasil Wealth Management, Costa se junta a Rafael Christiansen para estabelecer boutique financeira e competir no mercado de gestão de patrimônio

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Antonio Costa, sócio da B.Side e CEO da gestora de patrimônio que foi criada recentemente

Durante sua carreira, o executivo Antonio Costa foi um dos líderes do private banking do Credit Suisse, foi sócio e CEO da JGP Wealth Management e ocupou o cargo de diretor-geral da área de gestão de ativos do Merrill Lynch no País. Nos últimos anos, esteve à frente da Azimut Brasil Wealth Managment, de sua fundação até sua consolidação numa casa atualmente com R$ 11 bilhões em ativos sob gestão. 

Mas, desde a sua saída, em agosto do ano passado, o novo destino de Costa era uma incógnita. Até a manhã de hoje, quando o escritório de agentes autônomos B.Side Investimentos anunciou oficialmente a chegada de Costa como sócio e CEO da recém-criada área de wealth management da casa com R$ 2 bilhões sob custódia.

A chegada de Costa é uma das estratégias do fundador Rafael Christiansen para transformar a assessoria de investimentos em uma boutique de investimentos. O executivo terá uma ousada missão pela frente: fazer a recém-criada área de wealth management da B.Side fechar o ano com até R$ 2 bilhões em ativos sob gestão. 

“Nesse período em que fiquei afastado, tive convites de instituições importantes, mas percebi que seria mais vantajoso empreender com as pessoas certas”, diz ele ao NeoFeed. “Na aproximação que tive com o Rafael, percebi que, em vez de empreender do zero, poderia me tornar parte do novo capítulo da B.Side”. 

Costa e Christiansen se conheceram por amigos em comum, pelo fato de ambos terem trabalhado no Credit Suisse, embora em anos diferentes. E eles também trabalharam próximos nos últimos anos. O escritório da Azimut fica no mesmo prédio em São Paulo em que Christiansen começou a B.Side, em 2020.

Tudo isso permitiu que ambos se aproximassem e desenvolvessem uma boa relação. Quando Costa deixou a Azimut, Christiansen conversou sobre a possibilidade de Costa ir para a B.Side e assumir a parte de gestão de patrimônio, que ele pensava em criar. As conversas começaram no fim de abril e, no fim de maio, eles tinham se acertado. 

Na B.Side, o corte para alguém ter acesso aos serviços de wealth management começa em R$ 3 milhões, valor em que o cliente tem o direito ao serviço de carteira administrada. Em estruturas mais complexas, como fundos exclusivos, o tíquete começa em R$ 10 milhões. 

Costa diz que não há uma meta para a quantidade de clientes até o fim do ano, mas acredita que os R$ 2 bilhões em ativos sob gestão podem ser atingidos com um número limitado de clientes contratando serviços de valores elevados. Os primeiros passos já estão sendo dados.

O executivo e sua equipe de dez profissionais estão conversando com 20 famílias ricas que podem fazer com que os ativos sob gestão atinjam, logo de cara, até R$ 1 bilhão. “Temos ainda mandatos relevantes para colocar para dentro, então podemos atingir a meta inclusive antes do fim do ano”, afirma. 

O plano de Costa é que a área de gestão de patrimônio ofereça produtos e serviços de outras plataformas de investimentos, mas ele também pretende aproveitar a parceria que a B.Side tem com o BTG Pactual para ter acesso aos produtos do banco. “O BTG tem boas pessoas e serviços em multi family office, mas queremos ser uma plataforma aberta, com as decisões nas mãos dos clientes”, afirma.

A entrada na área de gestão de patrimônio faz parte de um plano maior da B.Side, de expandir sua atuação para além da área de assessoria de investimentos. A empresa, que conta com 700 clientes, ainda tem uma vertical de correspondente bancário, com originação e distribuição de produtos de renda fixa e câmbio, e tem planos de criar áreas na parte de fusões e aquisições e seguros. 

Competição

A chegada da B.Side na parte de gestão de patrimônio também demonstra o aquecimento do setor nos últimos anos. Casas independentes estão de olho em um naco dessa indústria, que registrou um volume financeiro de R$ 1,7 trilhão no fim de abril, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Entre os nomes que ganharam destaque estão a WHG, formada por ex-funcionários do Credit Suisse, que chegou ao mercado no começo de 2021, e a Vitreo Wealth Management, incorporado recentemente à Vitreo. 

Costa vê muita oportunidade de crescer no mercado, buscando se diferenciar do restante do mercado oferecendo um atendimento personalizado aos seus clientes, não apenas empurrando produtos e serviços, mas ajudando em todos os aspectos de sua vida financeira. 

“Muitas vezes, a gente está numa reunião para falar sobre sucessão, estrutura de fundos exclusivo, previdência, e a conversa vai para o lado de ajudar a realizar um evento de liquidez para família”, afirma. “Procuramos entender o que a família quer, ter uma visão holística, não oferecer apenas produtos, mas serviços.”

Além de serviços, ele planeja também crescer de forma inorgânica. Embora aquisições façam parte dos planos, Costa planeja atrair outros bankers e suas carteiras de clientes, além de parcerias comerciais com outras casas. 

“O mercado ainda tem espaço para crescer, principalmente entre as gestoras independentes, porque o mercado está muito concentrado em bancos. Esse é um mercado que ainda vai passar por consolidação, e nós queremos ser consolidadores”, diz Costa.

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