Caro, Banamex está fora do radar do Bradesco

Banco da Cidade de Deus entende que a aquisição poderia custar até R$ 50 bilhões, valor considerado muito alto. Foco está em crescer no mercado brasileiro e aumentar digitalização

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A estratégia de expansão dos negócios do Bradesco dificilmente contará com uma aquisição do banco mexicano Banamex, que está sendo vendido pelo Citigroup e era apontado como um dos alvos da operação comandada por Octavio de Lazari Jr. O obstáculo é o preço da unidade, que poderia chegar a R$ 50 bilhões.

Nesta quarta-feira, 9 de fevereiro, o presidente do Bradesco disse em entrevista que a aquisição seria grande demais para o banco neste momento. “O cheque é muito alto. Não faria sentido assumir uma posição dessa”, afirmou o executivo após a divulgação dos resultados financeiros do Bradesco do 4º trimestre de 2021.

Lazari lembrou que o Bradesco atualmente tem uma posição confortável no México graças a operação de cartões e pretende investir numa estratégia de crescimento orgânico do negócio em solo mexicano com o aumento do portfólio de produtos.

Terceiro maior banco do México, o Banamex foi apontado como um possível alvo dos bancos brasileiros para reforçar a estratégia de internacionalização de suas marcas. Além do Bradesco, o Itaú também foi apontado como um possível interessado na aquisição.

No caso do Bradesco, a aquisição representaria um valor que é quase o dobro do registrado pelo banco em seu lucro líquido recorrente no último ano fiscal, que ficou em R$ 26,2 bilhões – alta de 34,7% ante 2020.

O foco do Bradesco, neste momento, parece ser mesmo o mercado nacional. Lazari disse que a perspectiva de baixo crescimento econômico em 2022 pode impactar a operação do Bradesco. A expectativa, no entanto, é de um aumento nas operações de curto prazo no cenário de crédito por conta da alta da inflação e da indefinição política com as eleições no fim do ano.

Nas projeções de 2022 do banco que tem mais de 74 milhões de clientes, a previsão é de um aumento na carteira de crédito expandida entre 10% e 14%.

Abaixo das expectativas

Apesar de registrar alta nos números anualizados, o Bradesco fechou o último trimestre de 2021 com queda de 2,8% no lucro líquido recorrente, ficando com R$ 6,6 bilhões no balanço trimestral.

O valor é menor do que a expectativa do mercado, que girava em R$ 6,9 bilhões. Já o lucro contábil caiu 42% para R$ 3,1 bilhões.

Os resultados financeiros já estão sendo sentidos pelo banco no mercado de capitais. As ações do Bradesco abriram o dia em queda e estão sendo negociadas com baixa de 7,5% por volta das 12 horas.

Para mudar este cenário, a aposta do Banco da Cidade de Deus envolve a continuidade de seu processo de digitalização da marca. O Bradesco informou que o Next atingiu a marca de 10 milhões de clientes em janeiro deste ano. Já a corretora digital Ágora conta agora com 548 mil clientes e R$ 62,4 bilhões sob custódia (alta de 6,7%).

Na estratégia de ser uma “Unilever das fintechs”, o Bradesco conta ainda com a carteira digital Bitz, que terminou o ano com 4,2 milhões de contas e aguarda os trâmites finais para poder incorporar a operação do banco digital Digio, com mais de 2,7 milhões de clientes, ao seu negócio.

Ao mesmo tempo em que aposta no digital, o Bradesco, a exemplo do mercado, segue realizando o fechamento de agências físicas. Foram 448 pontos fechados em 2021, o que fez o banco terminar o ano com 2.947 agências.

Em outro número de destaque no balanço, o Bradesco informou que o patrimônio líquido aumentou 2,4% para R$ 147,1 bilhões.

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