Com “pressentimento ruim”, Elon Musk pisa no freio e Tesla pode demitir

O fundador da Tesla, Elon Musk, escreveu em e-mail que pode cortar até 10% da força de trabalho, seguindo o tom pessimista de alguns dos principais banqueiros dos EUA com a economia americana

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Elon Musk, fundador da Tesla

A Tesla começou a sentir os efeitos práticos da “tempestade” na economia prevista por alguns dos principais banqueiros de Wall Street. Em e-mail enviado por Elon Musk para executivos da companhia, o fundador e CEO da fabricante de carros elétricos escreveu que tem um “pressentimento super ruim” em relação à economia e ordenou a cessão das contratações e abriu a possibilidade de demitir 10% dos funcionários da empresa.

Obtida com exclusividade pela Reuters, a mensagem foi enviada na quinta-feira, 2 de junho. Sob o título de “pausa em todas as contratações no mundo”, o e-mail surge apenas dois dias após uma declaração de Musk informando que os empregados deveriam voltar ao trabalho presencial ou precisariam deixar a empresa.

Na ponta do lápis, um corte de 10% na força de trabalho da Tesla poderia significar a demissão de cerca de 10 mil funcionários da fabricante ao redor do mundo. Além dos Estados Unidos, a Tesla tem operações em países como Alemanha, China, Japão, Hong Kong e Austrália.

Ainda que o momento do mercado de tecnologia não seja positivo, o anúncio do homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 227 bilhões, chega a surpreender. Isso porque a Tesla tinha mais de 5 mil vagas de emprego abertas, de acordo com a página da empresa no LinkedIn. A empresa havia até mesmo marcado, para semana que vem, um evento online para a contratação de novos funcionários na China.

Outro ponto é que a Tesla vem de um trimestre positivo. A receita teve aumento de 81% na base anual e somou US$ 18,7 bilhões no período de três meses. O lucro líquido da companhia, de US$ 3,3 bilhões, cresceu mais de sete vezes no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a empresa, os números foram impulsionados pelo aumento no preço médio de venda dos veículos e pela alta na entrega dos automóveis. O número de carros vendidos aumentou 68% na comparação com o mesmo trimestre de 2021. Foram 310 mil unidades comercializadas.

Mesmo assim, isso não foi suficiente para que o mercado mostrasse cautela com as declarações recentes de Musk. Nesta sexta-feira, 3 de junho, as ações da Tesla na Nasdaq estão sendo negociadas com queda superior a 8%. A retração no preço dos ativos já faz com que a empresa perca US$ 64 bilhões em valor de mercado. A companhia agora está avaliada em cerca de US$ 736 bilhões.

Furacão na economia

Musk não é o primeiro a mostrar pessimismo com o cenário econômico global. Nesta semana, Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, disse que “há grandes nuvens de tempestade por aqui” em uma analogia climática com a economia.

“Esse furacão está bem aí, na estrada, vindo na nossa direção. Só não sabemos se é [de poder] secundário ou se é a super tempestade Sandy… É melhor vocês se prepararem”, afirmou o executivo durante um simpósio organizado pela Autonomous Research, conforme reportado pelo Financial Times.

No mesmo dia, Brian Moynihan, CEO do Bank of America, fez coro às previsões pessimistas. “Estamos na Carolina do Norte (onde fica a sede do banco). Temos furacões que chegam todo ano. Portanto, estamos sempre preparados… Não temos escolha”, disse.

Bill Demchak, que foi dirigente do J.P. Morgan e atualmente comanda o banco americano PNC, acredita que não há um furacão no radar, mas um desaquecimento econômico. Mas isso não deixa de ser ruim. “Não vejo qualquer resultado possível a não ser uma recessão”, afirmou.

Sem usar a analogia climática, John Waldron, presidente do Goldman Sachs, afirmou que este está entre os ambientes dinâmicos mais complexos, se não for o mais complexo, que o executivo já viu na carreira. “A confluência do número de choques ao sistema, para mim, é sem precedentes”, disse.

Recentemente, David Solomon, CEO do Goldman Sachs deu um conselho para as grandes empresas. Em entrevista para a CNBC em maio, o executivo recomendou cautela. Na estimativa do banco, há uma chance “razoável” de 30% de que os Estados Unidos entrem em uma recessão nos próximos 12 a 24 meses.

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