Depois da música, Jay-Z quer liderar o mercado de maconha

Jay-Z é dono de um serviço de streaming musical, de uma marca de champanhe, de uma grife de moda e de uma gravadora. Agora, o rapper lança sua própria marca de cannabis e vai trabalhar na TPCO, empresa criada para atuar no mercado da maconha

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Jay-Z tem uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão

Que Shawn “Jay-Z” Carter é um homem de visão, todo mundo sabe. Agora, o título é oficial: o primeiro rapper a chegar ao posto de bilionário ocupa também o cargo de chief visionary officer da TPCO, uma nova holding criada a partir das mais recentes aquisições feitas pela Subversive Capital Acquisition Corp., uma SPAC (Special Purpose Acquisition Company) estruturada justamente para atuar no mercado da maconha.

A “promoção” do artista acontece um mês depois de ele lançar sua própria marca de cannabis, a Monogram, e fortalecer ainda mais o leque de negócios que administra, entre investimentos imobiliários, marcas de bebidas, produtoras e até a plataforma de streaming Tidal.

Não é a primeira vez que Jay-Z se envolve com o negócio da maconha. A forma anterior, no entanto, foi de forma ilegal. O artista chegou a vender drogas no Brooklyn, em um projeto habitacional. Com o dinheiro conseguido ilegalmente, Jay-Z financiou seu próprio selo musical, o Roc-A-Fella Records, pelo qual lançou seu primeiro álbum, Reasonable Doubt, em 1996.

Bem-recebido pela crítica, o trabalho de estreia do rapper abriu portas para uma meteórica ascensão na indústria do entretenimento, que lhe premiou com 22 Grammy Awards e 14 álbuns na primeira posição das paradas. 

Essa primeira empreitada no mundo artístico foi essencial para validar sua experiência como homem de negócios. Em 1999, Jay-Z lançou a marca de roupas Rocawear. Oito anos depois, a grife foi vendida por US$ 204 milhões para o grupo Iconix, que controla a Umbro, a Bongo, a Material Girl e outras marcas.

O rapper também adquiriu, em 2006, o champanhe Armand de Brignac, em uma transação que confundiu muita gente. É que a marca foi “lançada”, nos EUA, no clipe da música “Show Me What You Got”, de Jay-Z. Na época, ele não confirmou o negócio. A transação só foi oficializada em 2014, mas os detalhes financeiros do negócio não foram divulgados. Segundo a revista Forbes, a marca vale US$ 310 milhões.

Em 2015, foi a vez do rapper assumir a plataforma de streaming Tidal, por US$ 60 milhões. Ele relançou o serviço no ano seguinte com o apoio financeiro e criativo de grandes celebridades, incluindo sua esposa, a cantora Beyoncé, o DJ Calvin Harris e o polêmico Kanye West.

Sem nenhuma categoria gratuita, o Tidal tem “sofrido” para conquistar espaço em um mercado dominado por Spotify e Apple Music. Embora não revele seus números, algumas reportagens apontam que a plataforma de streaming teria 3 milhões de usuários.

Outra aposta de Jay-Z foi a compra de ações da Uber. Em 2013, seis anos antes de a companhia de tecnologia abrir seu capital, o rapper comprou uma fatia do aplicativo de transporte por US$ 2 milhões. Essa participação vale hoje mais de US$ 70 milhões. 

O astro completa sua fortuna de US$ 1 bilhão com outras marcas de bebidas, obras de arte, catálogos musicais e, agora, com esse novo “emprego”, chefiando a holding focada em cannabis.

De acordo com reportagem da Bloomberg, a TPCO espera que sua receita combinada seja US$ 334 milhões em 2021. O foco da empresa, por enquanto, é a Califórnia, estado onde a maconha é legalizada para fins medicinais e recreativos.

O objetivo da holding é alcançar 75% dos consumidores no estado mais populoso dos Estados Unidos, e Jay-Z vai liderar a estratégia da marca para fazer isso acontecer.

Paralelamente, o rapper quer priorizar os investimentos da TPCO em empresas controladas por negros ou minorias. Segundo a companhia, a proposta é “retificar os erros” cometidos quando a droga era ilegal.

Isso inclui trabalhar para promover “uma mudança significativa no sistema de justiça criminal” e ajudar as pessoas condenadas por crimes relacionados à cannabis com treinamento e colocação profissional.

A TPCO buscará estabelecer US$ 10 milhões em financiamento e dedicar 2% de sua receita líquida anual para investir em negócios de cannabis pertencentes a negros e outras minorias e iniciativas para promover reformas judiciais.

“Embora saibamos que não podemos redimir totalmente as injustiças criadas pela ‘guerra às drogas’, podemos ajudar a moldar um futuro melhor e inclusivo”, disse Jay-Z, em um comunicado. “As marcas que construímos abrirão um novo caminho para um legado enraizado na equidade, acesso e justiça.”

Além do talento de Jay-Z, a TPCO conta com o apoio de outras celebridades. A diva Rihanna e o rapper Meek Mill são acionistas da empresa. Outras celebridades devem trilhar um caminho parecido, uma vez que a companhia revelou que o marido da Beyoncé estaria “alavancando uma influência cultural incomparável” para trazer outras estrelas a bordo.

A indústria da cannabis movimenta mais de US$ 50 bilhões por ano nos Estados Unidos, de acordo com um levantamento do portal Business Insider, mas a expectativa é que esse montante aumente à medida que mais estados descriminalizem a droga.

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