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EmCasa abre as portas para a Globo Ventures

Fundo da família Marinho, em conjunto com Igah Ventures e Flybridge, investe R$ 110 milhões na plataforma de compra e venda de imóveis. Recursos serão usados para expansão e serviços financeiros. O fundador Gustavo Vaz conta os planos

 

Filho de uma corretora imobiliária, Gustavo Vaz olhou para as dores dentro da própria casa quando decidiu fundar a EmCasa, startup de compra e venda de imóveis.

A mãe, que durante 15 anos viveu a insegurança de depender das comissões, foi quem mais serviu de inspiração para que ele investisse em um modelo com funcionários que recebem salários fixos e bonificações. “Depois de quatro ou cinco meses ruins, o corretor sofre com ansiedade e muita coisa passa pela cabeça”, afirma Vaz.

Três anos depois de sua fundação, a EmCasa acaba de receber um investimento de R$ 110 milhões, em rodada liderada pela Globo Ventures com a participação de Igah Ventures e Flybridge. O aporte foi seguido por Monashees, MAYA Capital, Pear Ventures, NBV e ONEVC.

Os recursos serão usados para a startup se expandir para novos bairros em São Paulo e Rio de Janeiro, onde já atua, bem como para chegar em outras cidades. “Ainda não batemos o martelo sobre esses destinos”, afirma Vaz, acrescentando que só vai definir os locais no próximo mês.

Esta é a quarta rodada da startup, que havia captado, até agora, R$ 48 milhões. A entrada da Globo Ventures não foi no modelo de “media for equity”, no qual a companhia da família Marinho já investiu em diversas startups.

Os recursos chegam em um momento de expansão acelerada da EmCasa. Em 2020, a startup transacionou R$ 360 milhões em vendas de imóveis, mais que o dobro dos R$ 160 milhões registrados no ano anterior. O faturamento atingiu R$ 18 milhões em 2020, alta de 125%. O objetivo, agora, é alcançar uma movimentação de vendas de imóveis de R$ 1 bilhão neste ano. Já o faturamento deve chegar a R$ 50 milhões.

Outro destino dos recursos será a ampliação do time de profissionais. Hoje, os cerca de 200 profissionais da EmCasa assessoram os clientes com três serviços: na compra e na venda do imóvel; na contratação do financiamento imobiliário; e na parte jurídica, que perpassa toda a transação.

“A empresa investigou e mapeou como deveria ser uma jornada ideal de compra e venda, transformou esse conhecimento em desenvolvimento de sistemas e metodologias próprias, e criou uma estrutura internalizada de tecnologia e vendas para apoiar o cliente durante a transação”, diz Luis Lora, Managing Partner da Globo Ventures.

A prateleira da EmCasa deve contar ainda com outros dois serviços financeiros, que estão em estudo e devem ser acelerados pelos investimentos: o consórcio e o empréstimo com garantia.

Os fundadores do EmCasa (da esq. à dir): Gabriel Laet, Gustavo Vaz e Lucas Cardoso

“Olhamos com bastante carinho, mas não é algo para os próximos meses e sim para o ano que vem”, diz Vaz, que afirma que a EmCasa deve estabelecer parcerias com instituições financeiras para operar como um habilitador, sem conflito de interesses.

A EmCasa está em um ambiente de muita competição. A lista inclui nomes como QuintoAndar, Loft, Ksaz e RuaDois, além de players tradicionais do mercado imobiliário. No mês passado, a Gafisa lançou a Bem Viver, um marketplace com diversos serviços ligados ao setor, que vão desde classificados de compra e venda, locação de imóveis novos e usados, serviços de decoração, reformas, seguros, eletroeletrônicos, crédito e administração de condomínio.

A boa notícia é que o mercado está aquecido. De janeiro a maio, o financiamento imobiliário cresceu 127% em relação a igual período do ano passado, para R$ 77,4 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abceip).

É verdade que boa parte desse montante diz respeito a um período em que a Selic, taxa básica de juros, ainda estava no menor nível da sua história, a 2% ao ano. O Banco Central (BC) voltou a elevá-la no fim de março, para reagir ao avanço da inflação, e agora a taxa está em 4,25%, com expectativa de novas altas ao longo do ano.

Para o analista Renan Manda, da XP, ainda que as taxas subam para algo em torno de 7% a 8%, os bancos conseguem praticar juros a níveis razoáveis sem frear o mercado. “O problema seria se houvesse uma escassez de funding para o crédito, o que forçaria os bancos a fecharem as torneiras, mas não é o caso”, diz Manda.

Na visão dele, as perspectivas para os próximos anos são positivas, uma vez que o mercado de imóveis contará também com os ventos a favor da reabertura da economia. “Projetos de lançamento que estavam na gaveta, por exemplo, poderão sair”, afirma o analista da XP.

Vaz, da EmCasa, reconhece que o aumento dos juros pode se tornar um complicador lá na frente, mas ainda não vê razões para se preocupar. “O momento ainda é favorável, mas é claro que acompanhamos todas as reuniões do BC e sabemos que essas coisas podem mudar rápido.”

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