Ex-Guiabolso Benjamin Gleason agora está de olho no bolso das startups

A Kamino vai dar crédito para startups e ajudá-las a criar uma estrutura offshore. Essa ideia acaba de captar US$ 6,1 milhões em uma rodada seed money

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Benjamin Gleason, um dos fundadores da Kamino

Ainda que o Brasil pareça ter um terreno fértil para a criação de novos negócios de tecnologia, ainda há um caminho tortuoso a ser percorrido pelas startups. Principalmente quando o assunto envolve a captação de investimentos para sustentar o crescimento da operação. Mas o problema não parece estar em atrair atenção dos investidores, mas em todo o processo burocrático que envolve a captação.

Lançada nesta terça-feira, 15 de março, a Kamino quer resolver este problema. Idealizada pelos empreendedores Benjamin Gleason (ex-Guiabolso) e Gonzalo Parejo (ex-Bidu), além de Guto Fragoso e Rodrigo Perenha, a companhia é classificada pelos fundadores como um hub financeiro e corporativo, que promete acelerar o lançamento das startups e potencializar o crescimento dos negócios.

A Kamino está nascendo com um aporte de US$ 6,1 milhões na operação. A captação foi feita numa rodada de seed money liderada pela Inspired Capital e contou também com a participação de fundos como Global Founders Capital, Fontes, Picus Capital, Flourish Ventures, Propel VC, Clocktower Technology Ventures, Norte Ventures e Gilgamesh Ventures. 

Além desses fundos, o negócio também chamou a atenção de investidores-anjo conhecidos no mercado de startups por criarem negócios de sucesso, como Sergio Furio (Creditas), Sergio Fogel (dLocal), David Arana (Konfio) e Ariel Patschiki (Ebanx).

“O sonho do empreendedor não é ter uma holding nas Ilhas Cayman, mas crescer o negócio que fundou. O que queremos é que o empreendedor ganhe tempo para tocar o negócio dele”, diz Benjamin Gleason, cofundador do Kamino, ao NeoFeed.

Antes de embarcar no negócio, Gleason fundou a Guiabolso, fintech que chegou a levantar mais de US$ 66 milhões em aportes antes de ser vendida para a PicPay, em julho do ano passado. Nos últimos meses, Gleason deixou a operação para estruturar a Kamino ao lado dos novos sócios.

A ideia da Kamino é disponibilizar aos fundadores de startups condições para que os negócios sejam estruturados desde o dia 1 com operações offshore estruturadas em locais como Ilhas Cayman e Delaware, nos Estados Unidos.

Dessa forma, as startups facilitam a entrada de investidores internacionais no negócio ao reduzir a carga de impostos envolvidos nas operações de captação de investimento e de saída.

Esse tipo de negócio não é exatamente novo e já começou a ser explorado no país. Recentemente, no começo de fevereiro, a Latitud, que tem como sócio Brian Requarth, fundador do VivaReal, lançou uma solução semelhante voltada para facilitar e baratear a abertura de empresas, captação de investimentos e operações de saída de olho nas startups. 

Apesar do lançamento oficial ser nesta terça-feira, 15 de março, a companhia já vinha realizando testes de sua plataforma com algumas startups – mantidas em sigilo –, além da própria operação da Kamino, que já nasceu provando de sua própria solução para facilitar a captação de uma injeção de capital inicial.

Os fundadores da Kamino (da esq. a dir.): Guto Fragoso, Rodrigo Perenha, Benjamin Gleason e Gonzalo Parejo

O dinheiro captado será usado na contratação de profissionais e na construção da plataforma que terá como diferencial a concessão de uma linha de crédito às startups para impedir que os negócios fiquem estagnados enquanto o dinheiro dos investidores ainda não é liberado. 

Essa linha de crédito terá um limite adequado para cada startup e deve auxiliar, principalmente, no pagamento de serviços digitais necessários às operações, investimentos em marketing e outras despesas. Haverá a cobrança de juro que, de acordo com a Kamino, terá uma alíquota competitiva e acessível aos empreendedores.

“Uma vez que você consegue acessar o dinheiro dos fundos, a operação da startup ganha tração. Se você tem uma linha de crédito, é possível fazer isso dois ou três meses antes”, diz Gonzalo Parejo, cofundador e CEO da Kamino.

Para sustentar a operação, a companhia vai operar num modelo de negócio em que vai cobrar um valor, não revelado, para a estruturação da operação das startups. Outra fonte de receita deverá vir das soluções financeiras que farão parte da plataforma, como a linha de crédito disponibilizada e as tarifas para o uso de cartões corporativos. 

Por ora, a Kamino ainda não estabeleceu metas de crescimento. Para este ano, o foco está em estruturar a operação e ganhar clientes no Brasil. A partir do ano que vem, a companhia vai começar a planejar sua expansão para outros mercados da América Latina.

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