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Inovação

Exclusivo: a incubadora do Albert Einstein vai triplicar de tamanho

O hospital vai levar a sua incubadora de startups Eretz.bio para um espaço maior, integrará suas operações em um hub de inovação e pode ver algumas de suas investidas virarem unicórnios

 

A Eretz.bio vai deixar o espaço atual até o fim do ano

A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, criada em 1955, demorou décadas para se tornar referência em toda a América Latina. Agora, está sentindo na veia o que é crescimento exponencial. Pelo menos no campo das startups.

Inaugurada em novembro de 2017, em um espaço de 800 metros quadrados no bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, a sua incubadora Eretz.bio, que mantém relação direta com 33 startups na área de saúde, deixará a instalação atual até o fim de 2019.

A breve morada e o processo acelerado de mudança fazem parte de um ambicioso plano do Einstein para integrar todo o time de tecnologia da instituição às startups em um único ecossistema no qual Big Data e inteligência artificial darão o norte.

“A Eretz.bio vai ocupar um espaço três vezes maior do que ocupa hoje. Teremos uma área para 270 pessoas”, diz ao NeoFeed, Cláudio Terra, o diretor de inovação e transformação digital da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein.

O prédio escolhido para abrigar as novas instalações tecnológicas do Einstein fica próximo a Ponte do Morumbi, também na Zona Sul de São Paulo e perto do hospital, e será uma espécie de hub de inovação integrado com as operações do Einstein.

“Vamos juntar com várias áreas de tecnologia do Einstein, como a área de big data e outros setores. Será algo de classe mundial”, diz Terra. A ideia é que se transforme em um centro de inovação para fazer da instituição uma propagadora de novas tecnologias tanto para dentro como para fora.

Cláudio Terra, diretor de inovação e transformação digital do Albert Einstein

Escalar os negócios passou a ser o nome do jogo. E o Einstein, dono de um faturamento de R$ 2,9 bilhões no ano passado, tem poder de fogo e de persuasão para fazer as novas tecnologias decolarem. “Temos que pensar como a Ambev nesse mundo de tecnologia”, diz Terra.

Sidney Klajner, presidente do Einstein, reforça essa sensação ao confirmar que está avaliando, ao lado de outros gestores do hospital, a criação de um fundo de venture capital. “Estamos discutindo internamente se devemos fazer parte disso. Se devemos ter um fundo nosso, se devemos nos associar a outro fundo”, diz Klajner em entrevista exclusiva ao NeoFeed.

Como se trata de uma entidade filantrópica, o Einstein não pode ter o controle de uma empresa que visa ao lucro. “Só podemos ter o controle de uma startup se for 100% do negócio”, diz Terra. Por isso, o Einstein tem participações em empresas, mas nunca o controle.

O hospital fez aportes em 15 empresas que estão incubadas na Eretz.bio e também acompanha novas rodadas de investimento para não ser diluído

A participação acionária do Einstein nas startups é mantida sob sigilo, mas sabe-se que o hospital fez aportes em 15 empresas que estão incubadas na Eretz.bio e também acompanha novas rodadas de investimento para não ser diluído. “Nos últimos cinco anos, analisamos 1,5 mil empresas e investimos somente nessas 15”, diz Terra.

O executivo fala dos últimos cinco anos porque, antes da Eretz.bio ser criada no fim de 2017, todas as aquisições e avaliações de startups eram feitas por meio do departamento de inovação da instituição, criado em 2014. “O Eretz.bio foi criado porque fomos procurados por mais de 1 mil startups que queriam se associar ao Einstein”, diz Klajner.

Terra prometida

O nome da incubadora é sugestivo e carregado de simbolismos. Eretz significa terra prometida em hebraico e, a julgar pelas oportunidades e startups que estão sendo investidas pelo Einstein, há um terreno fértil de oportunidades. Primeiro porque são companhias disruptivas. Segundo porque o mercado de health techs está em plena ebulição.

Entre as empresas que receberam aporte da entidade, estão a Genomika, que atua no segmento de medicina personalizada com exames genômicos e compete com empresas como a Mendelics.

Outra companhia que também recebeu atenção do Einstein foi a Escala, uma spin-off criada dentro da organização. Trata-se de um aplicativo que organiza as escalas de plantão e que ganhou vida fora do Einstein.

“Hoje, esse aplicativo já é usado em mais de 130 hospitais, a Globo usa para a equipe externa de filmagem, o aeroporto de Guarulhos usa”, diz Klajner.

Mas uma das empresas incubadas que mais se destacam pelo potencial de negócios e de tecnologia é a HooBox, que já é vista por muita gente do setor como o próximo unicórnio, startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

Criada em 2016, na cidade de Campinas (SP), pelos irmãos cearenses Paulo e Claudio Pinheiro, a startup tem uma das tecnologias de reconhecimento facial mais avançadas do planeta, o que fez a Intel, a Fapesp e o Einstein abraçarem a sua causa.

A HooBox criou o Wheelie, um programa de computador capaz de controlar uma cadeira de rodas mediante expressões faciais. Trata-se de um kit que vem com câmera, uma garrinha robótica e um computador de bordo instalado na cadeira de rodas. Basta instalar o equipamento, baixar o app e configurar.

A tecnologia de reconhecimento facial da HooBoox, startup investida pelo Einstein, ganhou os EUA

O programa reconhece os mínimos movimentos da face de uma pessoa tetraplégica e faz a cadeira andar com uma simples mexida na sobrancelha, por exemplo. Por enquanto, a tecnologia é vendida apenas nos Estados Unidos, onde a HooBox também conta com um escritório.

“Estamos também no JLabs, o espaço de inovação da Johnson & Johnson, em Houston”, diz Claudio Pinheiro, cofundador da HooBox. Eles já venderam a tecnologia para 100 clientes e cobram uma mensalidade de US$ 300 pelo uso. “Nosso algoritmo tem ficado cada vez mais eficiente”, diz Pinheiro.

O pulo do gato que pode transformar a HooBox em uma gigante com escala global está sendo testado dentro de alguns leitos do Einstein. A startup está calibrando suas câmeras e tecnologia para identificar a dor de um paciente internado em uma UTI.

A HooBox está testando sua tecnologia para identificar a dor de um paciente internado em uma UTI

Por enquanto, trata-se de um projeto-piloto. Porém, a ideia é começar a comercializar o produto em 2021. “Com mínimas expressões, conseguimos identificar o nível de dor de um paciente”, diz Pinheiro. “Como negócio, é mais escalável do que o do kit da cadeira de rodas.”

A HooBox também se prepara para entrar no mercado de segurança. E o debut deve acontecer em grande estilo. A startup, que também tem um pé no mercado chinês por meio da US China Innovation Alliance, já está conversando com empresas da terra de Mao Tsé-Tung para vender a tecnologia por lá.

Diante de casos como o da HooBox e olhando para trás, Cláudio Terra explica que, para uma organização filantrópica como o Einstein, ter criado uma incubadora como a Eretz.bio foi um salto muito grande.

“É um ambiente cultural muito diferente. Nossa evolução foi contínua, constante, feita na medida certa”, diz ele. E prossegue. “Se você puxa a corda com muita força, ela arrebenta.” Ao que parece, a corda está ficando cada vez mais forte.

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