O plano do fundo alemão Flash Ventures para investir em 10 startups na AL

Fundada em 2019, a gestora especializada em rodadas pré-seed já fez aportes em cinco startups brasileiras. O plano agora é investir em mais 10 empresas da América Latina. A maioria delas do Brasil

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André Iaconelli, head da Flash Ventures no Brasil

O mercado brasileiro de startups tem cada vez mais atraído a atenção de investidores estrangeiros. Mas aqueles que já começaram a investir no País estão aumentado suas apostas.

É o caso do fundo alemão Flash Ventures, baseado em Berlim, que já investiu em mais 40 empresas no mundo. Ele já fez investimentos em cinco startups brasileiras. Entre elas, as fintechs Blipay, que oferece um serviço de antecipação do salário; e a Barte, que desenvolveu uma plataforma focada em pagamentos B2B.

Agora, a Flash Ventures pretende dobrar sua presença na América Latina e tem o Brasil como seu maior mercado. O plano é fazer aportes em mais 10 empresas na região ainda neste ano, sendo seis delas em companhias brasileiras.

“Era um mercado ainda pouco explorado por nós e que agora a Flash chega para ter uma presença relevante”, diz André Iaconelli, head da Flash Ventures no Brasil, em entrevista exclusiva para o NeoFeed. “Queremos dobrar os investimentos no País até o fim do ano e fazer isso novamente em 2023.”

O valor dos cheques que serão assinados deve girar entre US$ 500 mil e US$ 2,5 milhões, mas Iaconelli diz que há uma flexibilidade nesses aportes. A ideia, no entanto, é manter-se fiel à tese da gestora de fornecer capital para negócios que buscam seus primeiros investimentos e que ainda não estão prontos para uma rodada de seed.

“O pré-seed é um investimento-anjo institucionalizado e traz um valor relevante para alavancar o salto de crescimento da empresa”, diz Iaconelli, que tem passagens por bancos e fundos como Barclays, Citi, A10 e Voss Ventures. “O risco de investir neste estágio é muito maior, mas a possibilidade de impactar o empreendedor também aumenta consideravelmente.”

De acordo com dados do estudo Inside Venture Capital Report, do Distrito, startups brasileiras captaram cerca de US$ 9,4 bilhões em 779 transações de aportes no ano passado. Desse montante, US$ 47 milhões vieram de 200 deals no estágio pré-seed.

Ainda que o foco seja na rodada anterior ao capital semente, Iaconelli afirma que a gestora pode acompanhar suas investidas em estágios posteriores e que não há um momento específico para a saída do investimento. “Somos cautelosos. Vamos até o ponto que faça sentido para o negócio”, diz head da Flash Ventures no Brasil.

A Flash Ventures não tem fundos específicos para investir em cada país e não revela quanto vai reservar para os aportes em empresas da América Latina neste ano, mas ressalta que já desembolsou entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões em operações na região.

Globalmente o valor investido já supera US$ 100 milhões em investimentos e, segundo Iaconelli, a Flash Ventures tem “algumas centenas de milhões de dólares” para injetar em novos negócios.

Embora alguns investimentos no País tenham sido realizados em startups do setor financeiro, não há um mercado de preferência. “Somos bastante agnósticos e nos baseamos na análise de risco e retorno”, diz Iaconelli. De acordo com o executivo, existem startups do setor de saúde e de logística que estão no radar.

Fora do Brasil, a Flash Ventures já investiu em empresas de diferentes países. Na Alemanha, liderou um aporte na ROQ Technology, que fornece uma plataforma para o desenvolvimento de aplicativos comerciais. Em Cingapura, apostou na Gobble, uma startup que trabalha com um aplicativo de delivery de refeições.

Ao impulsionar seus negócios na América Latina, a Flash deve fazer frente para outras gestoras de capital privado que também operam em estágios mais iniciais das startups Uma das mais conhecidas por aqui é a Bossanova Investimentos, que recentemente atingiu a marca de 1 mil startups investidas.

A estratégia adotada pela empresa de investimentos alemã, no entanto, parece ser diferente. “Nossas metas de investimento não são extremamente agressivas. Não queremos fazer um deal por semana”, afirma Iaconelli. “Queremos fazer negócios bem executados com empreendedores que gerem muito impacto.”

A operação no Brasil ainda é enxuta, sendo comandada por Iaconelli e por mais uma pessoa. A tendência é de um terceiro profissional se junte ao time para ajudar a filtrar os investimentos que poderão ser feitos por aqui.

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