Investidores têm “empolgação contida” com o setor de saúde, diz Credit Suisse

Em relatório, o Credit Suisse destaca que, apesar do interesse, a cautela decorre de fatores como o cenário macro e a falta de liquidez da maioria das ações, o que restringe as opções a poucos papéis do setor

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A Hapvida é uma das operações destacadas no relatório do Credit Suisse

Quando o assunto é consolidação, nenhum segmento da economia se compara ao que vem sendo anunciado nos últimos dois anos por todos os elos da cadeia de saúde no mercado brasileiro. No período, o setor concentrou centenas de acordos. E não há sinais de desaceleração nesse contexto.

Esse foi justamente um dos temas centrais das conversas que analistas do Credit Suisse mantiveram na semana passada com investidores locais a respeito do setor. E cujas impressões foram publicadas em um relatório do banco na manhã desta segunda-feira, 18 de abril.

No saldo desses diálogos, o cenário de consolidação e os múltiplos mais atrativos na comparação com outros segmentos estão despertando bastante interesse pelo setor. Em contrapartida, o Credit Suisse destaca uma “empolgação contida” dos investidores em relação aos ativos de saúde listados na B3.

“A visão ligeiramente negativa dos investidores decorre principalmente do cenário macro negativo, com inflação e juros mais altos para 2022; da iliquidez da maioria das ações, restringindo as opções de investimento a poucos tickers; e da falta de gatilhos de curto prazo”, escreveram os analistas Mauricio Cepeda e Pedro Caravina.

A partir desse olhar, o relatório traz um resumo da visão dos investidores sobre as principais empresas listadas e se concentra, principalmente, em três papéis com maior liquidez: Rede D’Or, Hapvida e Hypera.

No caso da Rede D’Or, a maior protagonista da onda de M&As do setor, o consenso é de que o grupo é dono de uma excelência em gestão, o que pode levar a uma geração consistente de fluxo de caixa no médio prazo após a maturação dos acordos realizados e a redução dos investimentos nessa frente.

Há, entretanto, ressalvas relacionadas aos riscos dos resultados de curto prazo não corresponderem às expectativas de rentabilidade, dado que as aquisições e suas integrações precisam avançar. E também ao fato de que as altas nas taxas de juros podem “afetar excessivamente” o luco da operação.

“Alguns investidores também apontaram que a expansão de outros grupos hospitalares pode ter levado a um maior Capex inorgânico, o que poderia trazer retornos menores em relação a uma época em que a Rede D’Or era pioneira”, ressaltou o Credit Suisse.

Ao mesmo tempo, boa parte dos investidores concorda que as sinergias a partir da aquisição da SulAmérica, anunciada em fevereiro, não são diretas, nem de curto prazo.

“Alguns investidores veem as fusões e aquisições como um catalisador para 2022, mas acreditamos que o foco no amadurecimento das aquisições seja mais crítico”, observaram os analistas.

Em relação à Hapvida, que teve sua fusão com o Grupo NotreDame Intermédica aprovada em janeiro deste ano, o Credit Suisse destaca que o ativo foi a ‘tese mais consensual” entre os investidores, embora alguns deles tenham reduzido suas posições na empresa.

Entre os pontos de atenção, os investidores citam o crescimento orgânico relativamente baixo nos últimos trimestres; a preocupação se o modelo de negócios da empresa é adequado apenas para o Nordeste, o que explicaria o baixo crescimento nas demais regiões; e a falta de clareza nas comunicações sobre as sinergias no acordo com a NotreDame.

Sobre a Hypera, apesar de ressaltarem o fato de a empresa ser uma geradora de caixa consistente, os problemas de governança da companhia – com um histórico de questões ligadas à operação Lava-Jato, dividem as opiniões.

“Incertezas sobre as consequências de delitos passados criam certa resistência do investidor à tese, embora haja algum consenso de que os valores monetários possam não ser significativos em um acordo”, afirmam os analistas.

No que diz respeito à Dasa, apesar de enxergarem potencial de valorização do ativo no longo prazo, com os resultados sólidos na área de medicina diagnóstica e o crescimento da unidade de negócios hospitalares, os investidores apontam a falta de liquidez da ação como um dos entraves para o ativo no curto prazo.

Em relação ao Fleury, o banco destaca as críticas à estratégia de diversificação do grupo de medicina diagnóstica – e a falta de maior clareza sobre esses passos, além do tempo gasto pela gestão na discussão sobre esses novos negócios, em vez da atenção ao negócio tradicional, que ainda é muito representativo.

Por último, o Credit Suisse aponta que houve menções à Qualicorp, com grande preocupação sobre a perda de usuários na base da operadora de planos de saúde. E também sobre o quanto a carteira do grupo é estável ou sensível ao preço, diante do cenário macroeconômico atual.

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