Michael Dell: o novo “craque” do futebol inglês em tempos de pandemia

A MSD, gestora que administra a fortuna do fundador da fabricante de computadores Dell, é a nova força do futebol inglês, o mais rico do planeta. Ela já financiou a aquisição do Burnley e forneceu empréstimos para Southampton e Derby County

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A MSD, de Michael Dell, administra US$ 15 bilhões

Os estádios estão vazios. Os clubes não estão fazendo contratações milionárias. E as receitas da tevê estão encolhendo. Nesse cenário melancólico, uma nova força improvável está surgindo no futebol inglês.

É a MSD, empresa de investimentos de Michael Dell, o fundador da companhia de computadores Dell, que vale US$ 59,6 bilhões na Bolsa de Nova York (Nyse). Desde o ano passado, a gestora que administra sua fortuna está financiando e emprestando dinheiro para clubes do futebol britânico.

Entre as operações da MSD está um empréstimo de 80 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 600 milhões) para o Southampton, time que está na 12ª colocação da Premier League, a liga de futebol mais rica do mundo.

A gestora de Michael Dell também financiou a aquisição do Burnley, por 200 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) pela americana ALK Capital. Além disso, fez um empréstimo para o Derby Conty, um time histórico do Reino Unido que atualmente disputa a segunda divisão.

“Os clubes precisam de dinheiro e a MSD tem dinheiro”, disse Kieran Maguire, acadêmico de finanças do futebol da Universidade de Liverpool e autor do livro “The Price of Football”, em entrevista ao Financial Times. “Os bancos comerciais não focam nos clubes de futebol. É considerado de alto risco.”

Por conta da pandemia, estima-se que os clubes ingleses estão perdendo 100 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 750 milhões) por mês por conta da ausência de público nos estádios durantes os jogos.

Fundada em 2009, a MSD administra cerca de US$ 15 bilhões. Além de investir parte da fortuna de Michael Dell, estimada em US$ 42,9 bilhões, ela também gerencia os recursos de outros investidores.

Os investimentos abrangem ações, imóveis, participações em empresas privadas e crédito. Recentemente, Gregg Lemkau, que era um dos heads do banco de investimento do Goldman Sachs, foi contratado para liderar a gestora.

A atuação na área esportiva não é exatamente uma novidade para a MSD. Clubes da liga americana de hóquei, como St Louis Blues e Dallas Stars, já recorreram a gestora de Michael Dell em busca de recursos. Em 2017, a MSD ajudou no financiamento de US$ 1,2 bilhão para a compra do time de beisebol Miami Marlins por um consórcio.

A atuação da MSD no futebol inglês acontece à margem dos grandes clubes, que conseguem recursos no sistema bancário inglês com mais facilidade. O Arsenal e o Tottenham Hotspur, por exemplo, pegaram emprestado quase 300 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 2,25 bilhões) do Banco da Inglaterra.

Partida da Copa da Inglaterra entre Southampton (de branco) e Wolves

Mas clubes menores da Premier League e aqueles em ligas inferiores não conseguem fontes de financiamento. são os casos de Burnley, Southampton e Derby County.

A MSD costuma fornecer empréstimos por períodos mais longos. No caso do Southampton, a taxa de juros anual foi de 9,14%. Para dar dinheiro, a gestora busca garantia. O Derby County, por exemplo, conseguiu o dinheiro e forneceu seu próprio estádio como garantia.

A Premier League é a liga de futebol mais rica do mundo. Os 20 times que participam do campeonato faturam somados 5,6 bilhões de euros, segundo a SportValue. Para efeito de comparação, as equipes da série A do futebol brasileiro tem receita, somadas de 890 milhões de euros – o Flamengo e o Palmeiras representam, respectivamente, 15% e 10% desse total.

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