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Na Sympla, o show tem que continuar

Com boa parte do seu negócio ligado às festas, shows, espetáculos e congressos presenciais, a startup de gestão de eventos ainda pena com os impactos da Covid-19 no setor. Mas começa a construir sua recuperação por meio de novos formatos, como o digital e o modelo de drive-in

 

Rodrigo Cartacho, cofundador e CEO da Sympla

Aos 39 anos, Rodrigo Cartacho já vivenciou diversos cenários em duas décadas como empreendedor serial. Criou negócios no Brasil, na Espanha e na Hungria. Fundou desde produtoras de eventos até um albergue butique. E experimentou, inclusive, o fracasso em alguns de seus sete projetos.

Nada se compara, porém, ao cenário recente enfrentado pela joia da coroa desse pacote. Fundada em 2012, a Sympla ganhou escala ao oferecer uma plataforma que permite a qualquer pessoa ou empresa criar, organizar, gerir e divulgar eventos de toda espécie, de shows e festas a congressos e cursos.

A startup contabilizou 850 mil eventos, de mais de 95 mil produtores, em três mil cidades e com 65 milhões de ingressos vendidos, em oito anos de operação. E atraiu mais de R$ 28 milhões em aportes da Movile, grupo que controla ainda startups como o iFood.

Com a entrada em cena da Covid-19, porém, praticamente todas as portas, bilheterias e cortinas se fecharam. E, de uma hora para outra, a startup viu sua receita, baseada na cobrança de uma taxa de 10% sobre o valor de venda dos ingressos, seriamente afetada.

“Nós vínhamos em um crescimento super forte de 2019 e muito embalados para esse ano”, diz Cartacho, cofundador e CEO da Sympla, ao NeoFeed. “E a pandemia foi um baque enorme, pois afetou boa parte do nosso negócio.”

Embora ele não revele um número consolidado da queda com a chegada do coronavírus, um indicador ajuda a entender o tamanho do problema. Antes da Covid-19, a Sympla tinha um menu com cerca de 32 mil eventos simultâneos na plataforma. Desses, aproximadamente 30,5 mil eram presenciais.

Nesse contexto, a startup ainda está longe de sua melhor performance. Mas começa a enxergar resultados na estratégia adotada desde então. A empresa fechou o mês de agosto com 2,2 milhões de ingressos vendidos, ante uma média mensal anterior à crise entre 3,2 milhões e 3,5 milhões de bilhetes.

A recuperação também está em curso do lado da oferta. Atualmente, a plataforma tem um leque de 20 mil eventos disponíveis, dos quais 9 mil são online. “Nós fomos da negação para a aceitação”, diz Cartacho. “E, na sequência, tivemos que pular rápido para a fase da adaptação.”

Depois do baque inicial, a empresa decidiu, literalmente, que os shows – e toda sorte de eventos – tinham que continuar. A startup colocou todas as suas energias em um projeto para aprimorar sua oferta digital, até então, mais restrita a cursos e workshops.

O ponto-chave desse trabalho foi a antecipação do lançamento de uma plataforma de streaming. A ferramenta, batizada de Sympla Streaming, estava prevista para entrar em operação só no segundo semestre.

Os seis meses projetados anteriormente para o desenvolvimento da plataforma foram encurtados para quatro semanas, com o lançamento, em maio, de uma versão beta. “Nós tínhamos que entregar uma opção rapidamente para que o nosso público pudesse se manter”, diz Cartacho.

Segundo uma pesquisa do Sebrae, a Covid-19 impactou 98% dos negócios no setor de eventos, no qual, 95,4% das companhias são microempreendedores e micro e pequenas empresas

Um estudo divulgado pelo Sebrae em abril, pouco antes do lançamento da ferramenta, ilustra o cenário crítico desse mercado. Segundo a pesquisa, a Covid-19 impactou 98% dos negócios do setor, no qual 95,4% das companhias são microempreendedores e micro e pequenas empresas.

Ponta a ponta

O acesso a Sympla Streaming é gratuito. Mas, para se diferenciar da onda de lives que surgiu na esteira da Covid-19, a Sympla apostou no apelo adicional da sua oferta tradicional, que permite aos organizadores gerenciarem o evento de ponta a ponta, com questões como a venda de ingressos, a divulgação e o controle de acesso. Hoje, dos 9 mil eventos online, 3 mil já usam o recurso do streaming.

A peça “A Lista”, com as  atrizes Lilia Cabral e Giulia Bertolli, é uma das atrações  na plataforma da Sympla

Com essa abordagem, além de começar a recompor sua oferta, a startup atraiu novas categorias para a versão digital da plataforma. Hoje, por exemplo, são cerca de 900 peças de teatro “em cartaz” nesse espaço.

“Com essa transição, muitos atores e atrizes estão conseguindo se manter”, afirma Cartacho, destacando que o modelo também abre novas possibilidades. “O digital traz outra escala. O ingresso de uma peça que está sendo encenada, por exemplo, em São Paulo, pode ser vendido para um espectador no Acre.”

Enquanto isso, outra fonte de receita para atravessar esse período vem dos eventos que estão sendo realizados no formato de drive-in, que respondem por parte das 11 mil ofertas disponíveis hoje na plataforma além do online.

“O digital traz outra escala. O ingresso de uma peça que está sendo encenada, por exemplo, em São Paulo pode ser vendido para um espectador no Acre”, afirma Cartaxo

Nessa área, as ferramentas e recursos da Sympla estão por trás de shows, espetáculos e exibições de filmes em um mapa que abriga desde capitais como São Paulo até cidades como Guaxupé (MG) e São José (SC).

Com esses modelos, Cartacho diz que a Sympla tem fôlego para atravessar esse período até que o setor encontre um caminho mais animador. “Ainda não recuperamos nossa receita, mas temos caixa disponível”, diz. “Estamos em uma maratona e não em uma corrida de 100 metros. Nosso foco é o longo prazo.”

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