"O mercado da RD Station nos interessa", diz CEO da Locaweb

Em entrevista ao NeoFeed, Fernando Cirne, CEO da Locaweb, explica os alvos e a estratégia dessa nova fase de M&A da companhia, depois de concluir captação de R$ 2,7 bilhões. E comenta também sobre o movimento de abertura de capital das empresas de tecnologia

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Fernando Cirne, CEO da Locaweb

Na noite de 18 de fevereiro, quinta-feira, a Locaweb anunciou mais duas aquisições, as primeiras depois de concluir um follow on em que levantou R$ 2,75 bilhões, sendo que R$ 2,2 bilhões serão usados para aquisições.

Mal o “cheque” chegou à conta bancária, a companhia de tecnologia desembolsou R$ 52 milhões para comprar a Credisfera, que atua com soluções de crédito, e a Docca, que gerencia uma plataforma de lojas virtuais.

Com a captação, a Locaweb prepara agora uma nova campanha de aquisições. Mas Fernando Cirne, CEO da Locaweb, avisa que não se pautará pelo tempo, nem pelo tamanho das empresas.

“Não gosto de falar de tempo. Depende sempre de encontrar as empresas certas. Não vamos correr e temos vários nichos que vamos trabalhar”, afirma Cirne, em entrevista ao NeoFeed. “Não fiz aquisições pensando no tamanho da empresa. Eu quero comprar a companhia certa. Se aparecer uma empresa legal e der fit, eu posso comprar. Mas não só porque é maior.”

Os alvos, dessa vez, são empresas de serviços financeiros, social commerce, ERP e automação de marketing. Questionado sobre o interesse na RD Station, ele apenas diz que essa é uma das áreas no radar da Locaweb. “Não é uma questão de ser ou não a RD Station. Mas o mercado de automação de marketing, que é onde a RD Station atua, nos interessa.”

Nessa entrevista, Cirne fala também do movimento de IPOs de empresas de tecnologia, no qual a Locaweb foi o abre-alas, quando abriu seu capital em fevereiro do ano passado. E faz um alerta às empresas que estão trilhando o caminho da bolsa.

“A alegria de fazer o IPO não é a parte mais difícil. O mais difícil é entregar”, diz Cirne. E concluiu: “Se não entregar, o mercado vai punir.”

Acompanhe os principais trechos da entrevista:

A Locaweb acabou de fazer um follow on e captou R$ 2,75 bilhões, sendo que R$ 2,2 bilhões serão para aquisições. O que esperar da empresa neste ano?
Não imaginávamos que iríamos ter um 2020 com tantas aquisições. Somos muito criteriosos e conseguimos encontrar as empresas para encher o nossos ecossistema de e-commerce. E vamos seguir assim. Não empilhamos receita. Pensamos muito na jornada do cliente e conseguimos encontrar empresas com receita recorrente e cross sell. Os fundadores vão também ficar com a gente e os produtos são bons.

Podemos esperar vários anúncios agora?
Não gosto de falar de tempo. Depende sempre de encontrar as empresas certas. Não vamos correr e temos vários nichos que vamos trabalhar.

Quais são esses nichos?
Estamos olhando para a área de serviços financeiros, social commerce, ERP e automação de marketing.

Agora, com R$ 2,2 bilhões para fazer aquisições, pode-se esperar compras com valores maiores?
Não fiz aquisições pensando no tamanho da empresa. Eu quero comprar a companhia certa. Se aparecer uma empresa legal e der fit, eu posso comprar. Mas não só porque é maior.

O mercado está comentando sobre a RD Station. Faz sentido?
Não é uma questão de ser ou não a RD Station. Mas o mercado de automação de marketing, que é onde a RD Station atua, nos interessa.

“Não é uma questão de ser ou não a RD Station. Mas o mercado de automação de marketing, que é onde a RD Station atua, nos interessa”

A Locaweb abriu o capital em fevereiro do ano passado, liderando uma onda de IPOs de tech. Foi mais fácil fazer a captação para esse follow on?
Fomos bem recebido pelos investidores. Mas é complicado separar se foi mais fácil por conta do mercado em que a Locaweb atua. Fizemos o trabalho de nos expor e fomos transparentes com o mercado. E a Locaweb entregou o que prometeu. Ela fez uma promessa e entregou aquisições, crescimento de receita, de GMV e de TPV.

Foi mais fácil, então?
É difícil dizer que foi mais fácil só porque o investidor está mais ávido por tecnologia ou se é por conta da Locaweb. Eu tendo a achar que o investidor está feliz com a Locaweb. É um mérito nosso.

O que explica essa onda de IPOs de tech?
A tecnologia de fato apresenta potencial de crescimento maior do que outros ativos. E a bolsa brasileira é escassa de bons ativos. Na bolsa americana, existem centenas. Soma-se a isso a aceleração da digitalização do País. A Locaweb quebrou um pouco esse paradigma. Foi o primeiro IPO e não tenho dúvida que deu a cara a bater, abrindo, de certa forma, o mercado para outras empresas. Estou falando isso não para me gabar. Me sinto feliz. Cada empresa nova é bom para mim. E bom para a Locaweb.

Mas há espaço para tantos ativos de tecnologia na bolsa brasileira?
A alegria de fazer o IPO não é a parte mais difícil. O mais difícil é entregar. Fizemos o IPO e você nunca viu o Fernando comemorando. Eu não tirei um único dia de férias. A nossa aposta não é de um ano e meio. O meu comprometimento é de quatro anos e com a digitalização da economia. É um plano mais longo. Ter um IPO no currículo é bonito. É uma conquista profissional. Mas não atinge a minha meta, que é trazer mais valor para o acionista que entrou na bolsa agora. Nessa safra, se não entregar, o mercado vai punir. Mas não será de maneira coletiva.

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