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Negócios

Para empresas americanas, acionistas não vêm mais em primeiro lugar

Grupo, que inclui JP Morgan, Apple, IBM e BlackRock, divulga novo propósito corporativo que enfatiza temas como criar valor para os clientes, investir nos funcionários, promover diversidade e inclusão e proteger o meio ambiente

 

Ao longo das últimas duas décadas, o Business RoundTable, um grupo que reúne 200 das maiores empresas dos Estados Unidos, colocou o acionista em primeiro lugar.

O grupo, que inclui empresas com JP Morgan, GM, Apple, IBM, American Airlines, Accenture, AT&T, Bank of America, Boeing e BlackRock, seguiu, durante esse tempo todo, os ensinamentos do prêmio Nobel de Economia Milton Friedman.

Na década de 1970, Friedman escreveu: “Existe uma e apenas uma responsabilidade social dos negócios: se envolver em atividades destinadas a aumentar seus lucros.”

Desde 1997, o Business RoundTable colocou essa declaração em seus propósitos. Mas essa “lei” acaba de mudar.

Esse poderoso grupo de empresas resolveu divulgar uma nova declaração de propósitos para as empresas americanas em que a palavra acionista aparece bem no final do texto de pouco mais de 300 palavras.

A nova declaração fala de criar valor para os clientes, investir nos funcionários, promover a diversidade e inclusão, lidar com os fornecedores de maneira ética, apoiar as comunidades em que trabalham e de proteger o meio ambiente.

Isso mesmo. Os Estados Unidos, a maior economia capitalista do mundo, estão preocupados com valores que vão além, muito além, do que apenas ganhar dinheiro para os acionistas.

O lucro, claro, faz parte do jogo. Mas o novo texto usa palavras mais amenas, como gerar valor de longo prazo para os acionistas. “Eles fornecem o capital que permite às empresas investir, crescer e inovar”, diz parte da declaração.

Os EUA, a maior economia capitalista do mundo, estão preocupados com valores que vão muito além do que apenas ganhar dinheiro para os acionistas

O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse que a declaração “é um reconhecimento de que as empresas podem fazer mais para ajudar o americano médio”.

O CEO da Johnson & Johnson, Alex Gorsky, foi mais longe. “Foi uma jornada”, disse Gorsky. “Mas foi uma jornada necessária porque as pessoas estão fazendo perguntas fundamentais sobre quão bem o capitalismo está servindo à sociedade”.

O poderoso grupo redefiniu sua missão em um momento em que as grandes corporações sofrem com a crescente desconfiança de seus negócios e que o tema desigualdade econômica entra na pauta de suas preocupações.

Em um momento em que o Brasil se aproxima dos Estados Unidos, os empresários locais deveriam ouvir seus pares americanos e repensar seus propósitos.

É claro que as empresas devem visar ao lucro. Não é nada de errado nisso. Mas não dá mais para o azul da última linha do balanço ser a única razão de existir de uma organização.

Em especial em um País como o Brasil, em que a desigualdade chega a níveis estratosféricos. E pior: está aumentando.

Do fim de 2014 a junho deste ano, a renda per capita do trabalho dos 10% mais ricos subiu 2,5% acima da inflação; e a do 1% mais rico, 10,1%, segundo dados do FGV Social. O rendimento dos 50% mais pobres, por sua vez, despencou 17,1%.

Com isso, o Brasil é hoje o país democrático que mais concentra renda no 1% do topo da pirâmide, segundo o Relatório da Desigualdade Global, da Escola de Economia de Paris. À frente do Brasil está o Qatar, que é governado pela mesma dinastia desde meados do século 19.

As empresas americanas, ao se libertarem da visão em que o acionista vem em primeiro lugar, dão um sinal claro que é preciso colocar outras pautas na agenda corporativa. Seria bom, ao menos nesse caso, que as organizações brasileiras copiassem essa agenda.

Abaixo, a íntegra traduzida da declaração do Business RoundTable:

Os americanos merecem uma economia que permita que cada pessoa seja bem-sucedida através do trabalho árduo e da criatividade e que leve uma vida de significado e dignidade. Acreditamos que o sistema de livre mercado é o melhor meio de gerar bons empregos, uma economia forte e sustentável, inovação, um ambiente saudável e oportunidades econômicas para todos.

As empresas desempenham um papel vital na economia, criando empregos, fomentando a inovação e fornecendo bens e serviços essenciais. As empresas produzem e vendem produtos de consumo; fabricam equipamentos e veículos; apoiam a defesa nacional; produzem alimentos; fornecem cuidados de saúde; geram e fornecem energia; e oferecem serviços financeiros e de comunicação que sustentam o crescimento econômico.

Enquanto cada uma de nossas empresas atende ao seu próprio propósito corporativo, compartilhamos um compromisso fundamental com todos os nossos acionistas. Comprometemo-nos a:

Entregar valor aos nossos clientes. Continuaremos a tradição das empresas americanas de liderar o caminho para atender ou exceder as expectativas dos consumidores.

Investir em nossos funcionários. Isso começa com uma compensação justa e com benefícios importantes. Também inclui apoiá-los por meio de treinamento e educação que ajudam a desenvolver novas habilidades para um mundo em rápida mudança. Nós promovemos a diversidade e inclusão, dignidade e respeito.

Lidar de forma justa e ética com nossos fornecedores. Dedicamos a servir como bons parceiros para outras empresas, grandes e pequenas, que nos ajudam a cumprir nossas missões.

Apoiar as comunidades em que trabalhamos. Respeitamos as pessoas em nossas comunidades e protegemos o meio ambiente adotando práticas sustentáveis em nossos negócios.

Gerar valor de longo prazo para os acionistas. Eles fornecem o capital que permite às empresas investir, crescer e inovar. Estamos comprometidos com a transparência e o envolvimento efetivo com os acionistas.

Cada um dos nossos stakeholders é essencial. Nos comprometemos a entregar valor a todos eles, para o sucesso futuro de nossas empresas, nossas comunidades e nosso país.

 

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