Para o Goldman Sachs, privatização pode destravar “uma Eletrobras” para a Eletrobras

Em relatório, banco afirma que capitalização pode melhorar eficiência operacional e estrutura de capital, destravando R$ 70 bilhões, mas alerta para os riscos com cenário político

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Segundo o Goldman Sachs, com a privatização, o Ebitda da companhia pode atingir R$ 27 bilhões em 2029

Um dos principais temas na pauta corporativa de 2022 é a privatização da Eletrobras. No caso, se ela vai adiante ou fica pelo caminho por conta do cenário político.

Pouco mais de um ano após a apresentação da Medida Provisória que define a desestatização da gigante elétrica, o processo está no Tribunal de Contas da União, que se debruça sobre cada detalhe da capitalização de R$ 25 bilhões proposta pelo governo federal, o que pode atrasar o cronograma inicialmente pensado.

Enquanto não há uma previsão clara de quando o tema será pautado pelos juízes, analistas e investidores seguem fazendo cálculos e tentam prever o que será e como será a Eletrobras do futuro, em caso de redução significativa da participação da União no capital social da empresa.

Para o Goldman Sachs, caso a capitalização siga em frente, a Eletrobras terá a possibilidade de buscar ganhos de eficiência, levando seus níveis operacionais para próximo aos registrados por seus pares privados. Além disso, deve melhorar a qualidade de seu portfólio e estrutura de capital, ao ter mais liberdade para definição de projetos e prioridades.

Esses pontos, segundo os analistas Pedro Manfredini, Flavia Sounis e Bruno Vidal, serão capazes de destravar entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões em valor patrimonial para os acionistas. Para se ter uma ideia, o valor de mercado atual da Eletrobras está na casa dos R$ 65 bilhões.

Os analistas afirmam que a redução do peso da União na Eletrobras permitirá acelerar o processo de ganho de eficiência operacional iniciado em 2016, com corte nas despesas gerais e administrativas, otimização da estrutura corporativa e melhora da administração de provisões e da estrutura de capital.

Combinado com a renovação de algumas concessões, o Ebitda da Eletrobras pode ter um ganho de R$ 3 bilhões a R$ 14 bilhões no médio prazo, segundo os analistas do Goldman Sachs, atingindo cerca de R$ 27 bilhões em 2029. Sem a capitalização, o Ebitda alcançaria R$ 11,6 bilhões.

“Nosso cenário pós-capitalização, baseado nos potenciais ganhos de eficiência, uso de créditos tributários e otimização da estrutura corporativa levaria o preço das ações de R$ 65 a R$ 67,60 por ação ordinária e entre R$ 71,80 e R$ 74,60 por ação preferencial classe B”, diz trecho do relatório.

A grande questão para esse cenário é justamente o cronograma. Para sair este ano e não ser afetado pelas eleições, o processo envolvendo o lançamento da oferta e busca de investidores precisa ser fechado antes de 12 de maio. Caso contrário, a operação só poderá sair na próxima janela de oportunidade, praticamente em cima das eleições presidenciais, o que pode dificultar o governo emplacar com sucesso a venda de suas ações.

Outro ponto levantado pelos analistas do Goldman Sachs é que a companhia teria 60% de sua capacidade não contratada, considerando o fim do sistema de cotas com o qual a Eletrobras operava.

Segundo eles, a empresa terá 6,6 gigawatts em capacidade não contratada adicionada ao seu portfólio até 2027, considerando que muitas distribuidoras já têm acordos de compra de energia fechados.

Independente da capitalização, o Goldman Sachs tem uma visão positiva para a Eletrobras, vendo um bom equilíbrio para risco e recompensa das ações. Os analistas reiteraram a recomendação de compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 46 por ação ordinária e R$ 51 para as PNBs.

As ações ordinárias da Eletrobras fecharam a segunda-feira com queda de 2,73%, a R$ 41,73, enquanto as PNBs recuaram 2,03%, a R$ 40,53. No ano, elas acumulam alta de 28% e 25,5%, respectivamente.

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