Scam to Earn: Web3, os golpes e como reconhecer os bons projetos

A Web3 veio para mudar tudo e acelerar a transformação de centenas de áreas que não tinham sido transformadas nem mesmo pela internet

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Se você de fato já se envolveu com as organizações e produtos da Web3 como NFTs, play to earn, DeFi entre outros, podemos afirmar duas coisas sobre a sua experiência:

1) O processo foi mais complexo, demorado, caro e cheio de passos do que você imaginava, cada um deles com um novo conhecimento necessário e uma nova taxa associada;

2) Você provavelmente já perdeu dinheiro com algo que, ou você não entendia, ou que simplesmente não funcionou como deveria.

Bem-vindo ao Velho Oeste, onde você desvia das balas e toma flechadas que nem viu chegar. Quando falamos dos problemas de NFTs, Play to Earn e DeFi, não é só uma simples questão de experiência do usuário, mas uma necessidade excessiva de plataformas e ferramentas complexas para operar mesmo as coisas mais simples. Isso, em contextos em que você tem pouquíssimo conteúdo educacional para te ensinar a como usá-las.

Além disso, você pode juntar toda essa complexidade de interface com o fato que tudo tem uma camada financeira: tokens, stable coins, altcoins. Junte também regras e um funcionamento que foi criado com base na transparência e descentralização absolutas, mas que em 99% dos casos ainda é centralizado e obscuro.

É o Velho Oeste, é a terra de ninguém, é a corrida do ouro cheia de bandidos e pistoleiros querendo um lucro rápido em cima de você. Agora, isso representa a totalidade dos projetos de Web3 nessas e em outras áreas? Não, ao contrário.

Se nos lembramos do início da Web2 (2000-2010) por exemplo, com e-mails spams de Príncipes Nigerianos, com barras falsas de favoritos do Internet Explorer e outros esquemas desenhados para fraude e extorsão, é fácil entender o que está acontecendo.

Enquanto de um lado Google, Facebook, Amazon e uma série de outras empresas sérias e relevantes estavam sendo lançadas exatamente pela abertura, flexibilidade e oportunidades das novas tecnologias disponíveis; do outro, aventureiros e farsantes usavam essas mesmas boas características (combinado ao ambiente amador/informal de um começo de rede) para seu benefício próprio.

O mundo está cheio de bandidos, aproveitadores e farsantes, mas isso não tira o mérito, relevância e crédito daqueles que têm bons projetos e boa aplicação das tecnologias

O mundo está cheio de bandidos, aproveitadores e farsantes, mas isso não tira o mérito, relevância e crédito daqueles que têm bons projetos e boa aplicação das tecnologias.

A Web3 veio para mudar tudo e acelerar a transformação de centenas de áreas que não tinham sido transformadas nem mesmo pela internet. O preço a pagar por isso é que também acelera oportunidades e brechas para aqueles que não têm as melhores intenções.

Eventualmente o mercado começa a se autorregular. Os conhecimentos se expandem, a tecnologia aumenta sua capacidade de entregar resultados com interfaces simples de usar e operar. E as plataformas, cada vez maiores e mais utilizadas, naturalmente se tornam vigilantes para proteger seus usuários desse tipo de conduta antiética.

Mas, enquanto isso não acontece, como se proteger dos golpes e ainda se expor aos bons projetos? Aqueles que se envolveram com as plataformas, projetos e empresas sérias do começo da Web2 tiveram um upside milionário. Estamos literalmente falando do início de uma nova era na tecnologia do mundo, e quem ficar de fora por falta de conhecimento e disposição vai se arrepender.

Então, a pergunta que fica é: Como encontrar ouro em meio a tanto cascalho na exploração do Velho Oeste?

Parece que muitos exploradores engajaram nessa corrida procurando por atalhos na pressa de enriquecer, e deixaram de lado os fundamentos aprendidos e a sabedoria acumulada ao longo das últimas décadas. A grande verdade é que não existe atalho na busca pelo ouro. A verdadeira riqueza acontece quando o valor é construído no longo prazo.

Para encontrar o ouro da web3, não podemos ignorar aquilo que já sabemos. Bons projetos precisam sempre das mesmas coisas:

• Bons empreendedores com track record;
• Cap table de alto nível;
• Capacidade de execução;
• Um propósito massivo;
• Um problema frequente, relevante e difícil de se resolver;
• Grande mercado para ser explorado;
• Um produto incrível;
• Um momento favorável;
• Um modelo de negócio eficiente;
• Saúde financeira;
• E possibilidades de reinvenção no futuro.

É preciso entender que estamos vivendo a era da web3. Um novo contexto, implica em mudanças na forma como encontrar o ouro.

Então, vamos direto ao ponto. A principal mudança da web2 para a web3 é o surgimento da tecnologia Blockchain. Essa tecnologia traz a possibilidade de criar negócios que na web 2 eram impossíveis de serem executados.

A principal mudança da web2 para a web3 é o surgimento da tecnologia Blockchain. Essa tecnologia traz a possibilidade de criar negócios que na web 2 eram impossíveis de serem executados

Alguns aspectos que trazem essa possibilidade são a rastreabilidade das transações, a criptografia, o anonimato, o ownership das suas informações, e os smart contracts. Bons empreendedores de web3 usam isso como vantagem competitiva.

Agora, para compreender profundamente a web3, não basta entender as possibilidades que a tecnologia traz. É preciso entender a cultura que permeia o universo web 3. Ao entender as possibilidades da tecnologia e a cultura web3, você terá o mapa para encontrar o ouro.

Existe um consenso entre os early adopters da web3, que estejam construindo algo sério, que o valor gerado por um negócio precisa ser distribuído de maneira mais justa, e por isso a descentralização faz sentido.

Por exemplo: na web2, milhões de criadores de conteúdo em uma rede social geram valor para outros usuários na rede. Porém o maior valor é capturado pela rede social que monetiza às custas dos usuários (remunerando a si e aos seus shareholders), enquanto a maioria dos criadores de conteúdo não recebem absolutamente NADA de valor de volta.

A provocação que a web 3 faz é: “E se a rede social fosse apenas uma viabilizadora e não uma extratora na cadeia de valor? E se os usuários e criadores fossem os donos da rede? Não seria mais justo?”.

A cultura web3 também desenvolveu as chamadas DAOs (Decentralized Autonomous Organizations), que estão criando uma nova forma de trabalho e muitas vezes são referenciadas como o futuro do trabalho. DAOs são comunidades que dividem a sociedade da empresa e uma conta bancária (em crypto), e que carregam uma missão clara e massiva.

Nessas comunidades não existem cargos, e sim papéis e responsabilidades. Não existem áreas, mas guildas com missões específicas a serem desempenhadas. Nas DAOs pessoas interessadas em participar não se candidatam para um emprego, elas apenas aparecem movidas pela causa, assumem papéis e responsabilidade em uma guilda e contribuem antes de receber algo de volta.

Quando o valor é capturado, todos que contribuíram são beneficiados. Quando esse modelo de trabalho encontra tecnologia blockchain, todos os recursos compartilhados têm fidelidade criptográfica, que garantem transparência e constroem CONFIANÇA entre pessoas online e que não se conhecem. Algo inimaginável até então.

Até mesmo o conceito de se levantar capital, com anjos e VCs, está sendo questionado nesta cultura, uma vez que isso leva a centralização de capital e poder da entidade nas mãos de poucas pessoas.

A descentralização do poder e dos recursos, o senso de co-criação e colaboração, e as novas possibilidades que a blockchain nos traz, tem incentivado entidades a levantarem capital com sua própria comunidade.

Os bons empreendedores sabem disso e querem proteger a sua comunidade mais do que tudo, pois entendem mais do que ninguém que diferentemente da web2, onde o produto vem em primeiro lugar, na web3 a comunidade vem em primeiro lugar.

Em resumo, fica claro que por um lado o mundo não mudou. Ainda existem pessoas gananciosas e criminosas fazendo uso de uma nova tecnologia para fazer o mal. Por outro lado, o mundo mudou completamente, e a busca pelo ouro do Velho Oeste será mais valiosa para aqueles que entenderem, não só o conceito, mas que também vivenciarem as mudanças de mentalidade que estão acontecendo.

Bem-vindos à web3!

* Alma é um DAO (Decentralized Autonomous Organization) de líderes, empreendedores, investidores e builders que mentora, investe, educa e ilumina empresas e iniciativas de Web3.

Este texto foi escrito de maneira colaborativa e descentralizada pelos membros catalisadores da Alma. São eles: Bogado, Bruno Nardon, Daniel Smolenaars, David Politanski, Felipe Bonetto, Guilherme Bettanin, Gustavo do Valle, Heli Diogo Dourado, Isac Honorato, Ivan Pereira, João Bernardtt, Juliana Walenkamp, Laio Santos, Lucas Prim, Luccas Riedo, Mariana Bernado, Paulo Orione, Pedro Bergamini, Pedro Cardoso, Pedro Sirotsky, Rapha Avellar, Ricardo Bechara, Robson Harada, Rodrigo Portaro, Rogue, Rony Meisler, Rudá Pellini, Tallis Gomes, Thiago Gil, Victor Stabile.

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