TIM negocia com parceiros para embarcar na onda das carteiras digitais

Com previsão de um fechar um acordo até agosto, a operadora busca um parceiro que se mostre capaz de sobreviver à consolidação do mercado. As negociações envolvem duas empresas do segmento, além de uma concorrente do setor de telecomunicações

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No segundo trimestre, o lucro líquido da TIM cresceu 153,1%, para R$ 672 milhões

Dos bancos tradicionais e fintechs às varejistas e companhias dos mais variados segmentos, não há limites para a onda de empresas investindo em serviços financeiros no País. E um dos próximos nome a reforçar essa tendência é a TIM.

A operadora planeja lançar sua carteira digital no terceiro trimestre, por meio de uma parceria com uma empresa do segmento, ainda não definida. Segundo a empresa, as negociações têm acontecido com dois possíveis parceiros, de nomes não revelados, e amadureceram “bastante” nas últimas semanas, com expectativa de conclusão entre o fim de agosto e o início de setembro.

O objetivo da TIM é entrar nesse mercado sem precisar realizar despesas ou investimentos adicionais significativos, até porque a companhia avalia que se trata de um segmento que encontra barreiras para ser lucrativo, em meio à ampla oferta de serviços gratuitos.

“Com a nossa abordagem tradicional de disciplina financeira, ao mesmo tempo em que ajudamos a criar uma base de clientes maior no futuro, poderemos esperar essa monetização”, disse o CEO da TIM, Pietro Labriola, em teleconferência com analistas, na manhã desta terça-feira.

O executivo lembrou que o segmento de carteira digital conta com um alto número de competidores, mas ressaltou que ainda não há clareza sobre a viabilidade de monetização.

“Vamos usar ativos que nos permitam entrar nesse campo com despesas e investimentos marginais para aproveitar a oportunidade”, disse Labriola. “Não vamos perder um segundo na execução do nosso core business, que vai pagar nossos salários”, afirmou.

Segundo Renato Ciuchini, vice-presidente de Estratégia e Transformação da companhia, a TIM quer escolher um parceiro que mostre condições de sobreviver ao processo de consolidação do mercado de carteiras digitais.

Ciuchini afirmou ainda que a entrada da Tim nesse mercado pode se dar por meio de uma parceria com uma outra empresa do setor de telecomunicações, com quem eles já conversam. “Podemos, juntos, criar mais valor aos acionistas, em uma conversa de mais cooperação e menos competição”, disse.

Na teleconferência, os executivos da TIM também falaram sobre a aquisição da unidade móvel da Oi e demonstraram otimismo com a aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mesmo após o órgão ter classificado a operação como “complexa”, em declaração divulgada na sexta-feira, dia 23.

Os ativos em questão foram vendidos em um leilão vencido por um consórcio formado por TIM, Vivo e Claro, em um negócio de R$ 16,5 bilhões. O contrato foi assinado no início do ano, mas a transação ainda é avaliada pelo Cade.

A expectativa da TIM é de que o órgão dê a sua benção à operação ainda neste segundo semestre e que o negócio seja fechado no quarto trimestre.

“Sempre soubemos que esta era uma transação que exigiria muita atenção dos reguladores”, reconheceu Labriola. “Tudo o que aconteceu até agora não é uma surpresa. Estamos trabalhando com a Anatel e o Cade para esclarecer tudo que é necessário”.

Após a declaração feita pelo órgão na sexta, as ações da TIM fecharam o pregão de segunda-feira, dia 26, com queda de 2,29%.

A reação do mercado se deveu principalmente a um temor dos investidores quanto a uma possível aprovação da transação com restrições, o que poderia afetar os negócios da operadora. Labriola ressaltou, porém que, se houver algum tipo de condição, “não será impactante para nossa operação”.

Aos analistas, a TIM destacou que, nos últimos 30 meses, o Cade classificou 22 transações como complexas, das quais 18 foram aprovadas e 9 delas sem nenhuma restrição. Três ainda estão sendo avaliadas, o que inclui a da Oi.

“Portanto, achamos que é um passo natural para esta operação”, disse Mario Girasole, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da TIM no Brasil.

Segundo Labriola, o plano de financiamento para aquisição dos ativos da Oi “está indo muito bem”. Além de uma emissão de R$ 1,6 bilhão em debêntures, a empresa tomou R$ 1,1 bilhão em empréstimos bilaterais e deverá contrair novas dívidas em torno de R$ 1 bilhão no segundo semestre.

Os executivos também comentaram a parceria com a Kroton, assinada no início de julho, e afirmaram que um cronograma de lançamento de produtos deve ser anunciado no terceiro trimestre, com implementação e execução entre o quarto trimestre de 2021 e o primeiro trimestre do ano que vem.

No segundo trimestre desse ano, a TIM registrou lucro líquido de R$ 672 milhões, alta de 153,1% em relação a igual período do ano passado, de acordo com balanço publicado na noite de segunda-feira, 26 de julho. A receita líquida, por sua vez, saltou 10,5%, para R$ 4,4 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 2,087 bilhões entre abril e junho, um crescimento de 5,2% sobre o montante anotado em igual intervalo de 2020.

As ações da companhia, avaliada em R$ 28,6 bilhões, operavam em alta de 0,17% por volta das 13h25, a R$ 11,56.

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