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Wing, a empresa de delivery por drones da Alphabet, está voando

Em meio ao isolamento social, a Wing dobrou suas entregas nas cidades onde atua. Mas esse céu de brigadeiro vai acabar. A concorrência da Amazon e da UPS deve chegar em breve

 

Drones da Wing podem carregar pacotes que pesam até 1,5 kg

Poucas iniciativas têm decolado com a crise instaurada por conta do novo coronavírus, mas esse isolamento compulsório é o “céu de brigadeiro” para a Wing, empresa de entrega por drones, voar mais alto – e mais vezes.

Fundada em 2012, a empresa da Alphabet, holding que controla o Google, viu o número de pedidos aumentar consideravelmente desde que as medidas de isolamento social foram colocadas em ação. 

Desde outubro de 2019, a Wing leva pequenos artigos de lojas parceiras a usuários em regiões com condições favoráveis de clima e de localização. Até agora, a companhia opera drones nas cidade de Christiansburg, no estado americano da Virgínia; em Helsinque, na Finlândia; e Camberra, Logan e Queensland, na Austrália. 

Segundo o site Business Insider, o volume de solicitações na unidade americana da companhia dobrou por conta do lockdown e da luta contra o Covid-19. Um artigo publicado pelo portal The Verge aponta que mais de mil entregas foram feitas em duas semanas na pequena Christiansburg. 

“A tecnologia que oferecemos é particularmente útil em momentos como esse, quando as pessoas estão em casa e precisam limitar ao máximo o contato com outros indivíduos”, declarou o porta-voz da empresa, Jonathan Bass, em comunicado oficial.  

Como era de se esperar, boa parte dos pedidos são de itens de primeira necessidade, como remédios, comidas enlatadas, pasta de dente e papel higiênico. Nesses casos, o fornecedor é a rede farmacêutica Walgreens, parceiro da Wing. 

Dada a situação excepcional, porém, a companhia estendeu seus serviços a pequenos comerciantes locais que não teriam como manter as atividades em tempos de isolamento sem uma “ajudinha” extra.

Quem se aproveitou dessa oferta foi uma padaria que tem vendido 50% mais doces do que geralmente vende na loja, nos finais de semana, usando a entrega por drone. 

No site da empresa, outros pequenos empresários e fornecedores são convidados a fornecer algumas informações para descobrirem se são elegíveis aos testes.

Não há, na página da empresa, dados sobre valores, mas uma reportagem de 2016 publicada no portal Vox sugere que o modelo de negócio da Wing é cobrar uma taxa de entrega fixa de US$ 6. 

A mesma publicação indica que a companhia teve reuniões com grandes bandeiras, como a pizzaria Domino’s, a rede de mercado Whole Foods e outros restaurantes. Mas, por enquanto, os únicos parceiros estrelados da Wing são Fedex e Walgreens, além da doçaria local Sugar Magnolia.   

Todos os drones da Wing têm capacidade para carregar pacotes de até 1,5 kg, voando a uma velocidade de até 100 km/h. Isso permite que as entregas num raio de 10 km aconteçam em até seis minutos, segundo informações da própria companhia. Mais de 100 mil vôos de testes foram feitos para garantir a segurança da operação. 

Por enquanto, as entregas por drone, em qualquer uma das áreas onde a Wing atua, acontecem apenas em condições climáticas favoráveis. Isso significa que, embora tenha potencial para operar sob chuva e ventos fortes, os drones só decolam em dias de sol. 

Para questões regulatórias, as aeronaves operadas remotamente pela companhia têm autorização para voar até 120 metros do chão, em áreas distantes de aeroportos. Ainda que sejam autônomas, especialistas acompanham as entregas nessas fases de teste para monitorar o processo e sugerir mudanças ou correções quando necessárias. 

Não há nenhuma necessidade dos usuários interagirem com os drones. Para completar a entrega, a aeronave fixa voo a 7 metros de altura e lentamente aciona um cabo que coloca gentilmente o pacote no chão.

Os clientes são orientados a ficarem a dois metros de distância da área de operação, até que a encomenda encoste no chão, o drone recolha o cabo e inicie seu voo de volta para a base. 

Quem comanda esse ousado voo da Alphabet é o executivo James Burgess, CEO da Wing desde o início das atividades da companhia. Antes de assumir o manche da empresa, ele trabalhou na liderança de startups ligadas à robótica e energia.

Fluente em inglês, russo e espanhol e com noções básicas de latim, Burgess viveu na Índia, onde tinha a missão de levar energia solar a vilarejos rurais do país. Além de dirigir negócios, o empresário também pilota aviões e paragliders nas horas vagas. 

Tudo indica, porém, que Burgess e a Wing devem enfrentar, em breve, algumas turbulências com a rápida chegada da concorrência. 

Embora sejam os únicos a oferecer serviço de entrega ao público em geral na América do Norte, a empresa da Alphabet deve logo dividir os céus com a Amazon, que está acelerando o passo para decolar sua própria versão do negócio, o Prime Air.

A UPS também está colocando “as asas de fora” e já tem as autorizações para testar seus próprios drones. Medicamentos e itens de primeira necessidade são a primeira aposta da gigante, que já tem a rede de farmácias CVS como parceira. Não há informações, porém, de quando essa opção será disponibilizada ao público.

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