A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos no fim de semana adicionou doses de incerteza à geopolítica latino-americana. Sob custódia dos Estados Unidos, em Nova York, Maduro deverá ser julgado por um tribunal americano por acusações relacionadas ao narcotráfico.
Nesta segunda-feira, 5 de janeiro, os efeitos da operação são limitados, com as principais moedas e bolsas da região em alta. Apesar desse clima de relativa tranquilidade, economistas do UBS avaliam que a ação na Venezuela pode levar investidores a reprecificar os riscos na região.
Nesse contexto, afirma o banco suíço, Colômbia e México surgem como os países mais vulneráveis a pressões de Washington, diante da presença de grandes cartéis de drogas. Os dois países, inclusive, vêm sendo alvo de ataques verbais de Donald Trump.
Após a captura de Maduro, no fim de semana, o presidente americano chegou a sugerir que uma intervenção na Colômbia “soa bem” e disse que “algo precisará ser feito” em relação ao México.
“A intervenção direta de militares americanos na Venezuela deve servir de alerta para esses países. México e Colômbia são os dois mercados onde essa reprecificação tem maior probabilidade de se materializar e onde, em nossa avaliação, a volatilidade pode aumentar”, diz o UBS.
O ponto de partida tampouco ajuda a economia desses dois países. Pelas contas do UBS, o peso mexicano está cerca de 7% acima do preço justo e pode sofrer maior volatilidade com a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), prevista ocorrer até julho.
Já o peso colombiano estaria 8% mais caro, na avaliação do banco, e pode enfrentar ainda mais ventos contrários neste ano, com uma inflação ascendente, eleições presidenciais e tensões diretas com o governo Trump.
“A relação risco-retorno para apostar no peso colombiano nesses níveis não é apenas desfavorável, como a sensibilidade do peso a manchetes relacionadas à política entre EUA e Colômbia também pode aumentar”, diz o relatório.
O UBS, no entanto, vê riscos mais limitados para outros países da América Latina, inclusive o Brasil. “O Brasil é uma grande economia e sua relação com os Estados Unidos pode-se dizer que melhorou nos últimos meses.”
O banco também não vê riscos substanciais para Chile e Peru. “No entanto, os riscos podem aumentar caso os desdobramentos do fim de semana desencadeiem preocupações geopolíticas mais amplas, que pressionem as expectativas de crescimento global e, consequentemente, os preços das commodities.”
Por outro lado, economistas do UBS avaliam que a ação dos Estados Unidos na Venezuela reforçou a confiança de que Washington seguirá apoiando o governo de Javier Milei, na Argentina. “Isso foi decisivo para a vitória de Milei nas eleições de meio de mandato de 2025.”