A companhia chinesa DiDi, controladora da 99, tem sentido o “amargo” resultado da implementação da operação de delivery de comida no Brasil, com a 99Food. Relatório do banco australiano Macquarie rebaixou a recomendação da empresa, em razão do alto custo da operação de delivery de comida no Brasil.

Documento assinado pela analista Ellie Jiang mostra que a empresa registrou prejuízo de 2,1 bilhões de yuans (US$ 307 milhões), puxada justamente pelo segmento internacional, onde está o Brasil - com um resultado negativo de 3,4 bilhões de yuans (US$ 497,8 milhões), quatro vezes maior do que o registrado no ano anterior.

“Os prejuízos estiveram em grande parte ligados à entrada da empresa no setor de entrega de comida no Brasil, onde a expansão e os incentivos para os usuários e motoristas aumentaram os custos”, diz o relatório da Macquarie.

A previsão da instituição financeira é que o segmento internacional da DiDi registre em 2026 um prejuízo de 10 bilhões de yuans (US$ 1,47 bilhão). Os motivos são os mesmos: crescimento do volume de transações e continuidade dos gastos na operação brasileira.

Com isso, a ação da DiDi caiu de outperform para neutra. O preço-alvo para os próximos 12 meses, na avaliação da instituição australiana, despencou de US$ 9,30 para US$ 3,90, uma redução de 42%.

“Dados seus gastos significativos e visibilidade limitada em direção a um IPO em Hong Kong, não vemos catalisador de curto prazo e rebaixamos para neutro”, afirma a analista da Macquarie.

No pregão de segunda-feira, 13 de abril, as ações da empresa eram negociadas a US$ 3,78, às 16h (horário dos Estados Unidos).

Na prática, hoje o serviço de delivery no Brasil é visto, ao mesmo tempo, como um possível vetor de crescimento, mas que pressiona de forma significativa os resultados de curto prazo da companhia.

No balanço, a DiDi reconhece um aumento de 46% nas despesas de vendas e de marketing em 2025, provocado pelo crescimento dos descontos para os consumidores e dos gastos para ampliação dos negócios de entregas no mercado brasileiro.

A empresa chinesa retomou a operação de entregas de refeições no Brasil em agosto do ano passado, abrangendo cidades como São Paulo, Guarulhos, Osasco e a região do ABC Paulista. A operação também passou a funcionar em Goiânia. Rio de Janeiro e Salvador foram as mais recentes praças que a empresa passou a operar.

O serviço tinha sido interrompido em 2023, e retomou após o anúncio de um plano de investimentos de R$ 1 bilhão por parte da companhia chinesa, em todas as operações da empresa no Brasil, incluindo delivery, soluções financeiras, entregas e o segmento de mobilidade urbana.

Em setembro, o CEO e fundador da DiDi, Will Wei Cheng, esteve em Brasília, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para falar dos investimentos da companhia no País. Na conversa, o executivo afirmou que dobraria os aportes, para R$ 2 bilhões, até junho de 2026, com a ambição de chegar a 20 cidades nos primeiros meses do ano.

Foi justamente a necessidade de desenvolver outras áreas que geravam mais rentabilidade para a empresa, como a 99Moto, e a disputa acirrada do mercado de delivery no Brasil com o iFood que fizeram com que a DiDi deixasse de operar o modelo de entrega de comida. Hoje, além da líder do mercado, a 99Food enfrenta a concorrência da também chinesa Keeta no País.

A receita da Didi no quarto trimestre de 2025, no entanto, registrou crescimento de 10% sobre a mesma base do ano anterior, com 58 bilhões de yuans (US$ 8,5 bilhões). No balanço, a companhia reconhece o aumento de custos com ações de marketing e subsídios, especialmente no mercado internacional.

Em 2026, as ações da DiDi no mercado de balcão OTC, uma espécie de bolsa dos Estados Unidos, acumulam queda de 28,2%. Em seis meses, a desvalorização é de 39,5%. A companhia chinesa está avaliada em US$ 17,6 bilhões.