Quando a inteligência artificial (IA) generativa começava a ganhar escala, em meados de 2023, o Banco Safra percebeu que a tecnologia mudaria o jogo em praticamente todas as indústrias e passou a estruturar o primeiro fundo do País voltado para a tese.
Diante disso, em março de 2024, a asset do Safra lançou o Safra Inteligência Artificial (Safra IA), um multimercado para quem queria “colocar os pés” na tese da IA, um veículo para investidores que desejam se expor ao crescimento da tecnologia sem apostar em uma única empresa ou tecnologia.
O que era uma aposta acabou se tornando um dos produtos de maior desempenho do mercado brasileiro, em um período em que os fundos multimercado tradicionais têm sangrado. Desde o início, o Safra IA entregou um retorno de 136,38%. Como percentual do CDI do período, a alta atinge 446,4%, surfando a valorização puxada pela IA nos mercados internacionais.
Em vez de concentrar em um grande nome do setor, o fundo investe em companhias de todo o ecossistema de IA, buscando capturar valor ao longo da cadeia produtiva da tecnologia, sem se concentrar em nenhum nome específico.
A carteira é composta por companhias que vão desde fabricantes de chips, como TSMC, passando por vendedores de equipamentos para data centers, como Dell, até software de infraestrutura de IA, com Datadog, Cloudflare e Snowflake. Ou seja, quem tem um pé na cadeia de IA está na mira dos gestores.
Por conta dos resultados que obteve, a instituição planeja expandir o leque de investimentos, segundo apurou o NeoFeed, com produtos ligados à IA, inclusive neste ano, com estratégias mais especializadas.
A avaliação é de que a IA está criando uma nova indústria e que existe a oportunidade de capturar ganhos dos diferentes pontos do ecossistema e atender os clientes de acordo com seus diferentes apetites a risco.
Um dos primeiros lançamentos foi de um fundo para atacar os “gargalos” da IA. Batizado de Explorer, o veículo foi criado em meados do ano passado, mas aberto para aportes aos clientes do Safra no fim de 2025, com foco em “oportunidades concentradas”.
Ao contrário do Safra IA, que busca diversificação, o Explorer procura as melhores ideias e os principais "gargalos" do ecossistema. Atualmente, segundo as fontes ouvidas pelo NeoFeed, o fundo está bastante exposto ao segmento de memória de processamento para data centers e IA.
Ele possui uma carteira concentrada, mantendo entre cinco e dez posições, com a equipe podendo alocar 20%, 30% ou mais do patrimônio em uma única tese quando identifica uma oportunidade considerada assimétrica. Desde o seu lançamento, ele trouxe um rendimento de 52,09% ou 238,3% acima do CDI.
Esses dois fundos se juntam a um veículo estruturado pelo banco para investir apenas em Nvidia. O Safra Nvidia Plus registrou uma rentabilidade nominal de 42,2% nos últimos 12 meses, segundo o informe de maio.
Dentro dessa estratégia de expandir sua oferta para investimentos em IA, o Safra também estruturou um fundo de previdência que replica a tese do Safra IA dentro dos limites regulatórios da modalidade.
Lançado há um mês, o produto já captou cerca de R$ 80 milhões e o banco pensa em estruturar ao menos mais um. Os novos produtos vêm para complementar a prateleira de fundos de IA desenvolvidos pela asset, desde 2024, e que já alcançaram cerca de R$ 2 bilhões em ativos, segundo fontes ouvidas pela reportagem.