A palavra de ordem em 2026 para a Gerdau é ‘custo’. Foi com esse mantra, aliado a ações de aumento de competitividade e de diversificação de receitas, que a companhia encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão, 51% acima do registrado no trimestre anterior.

No período, a líder na produção de aço no Brasil alcançou um Ebitda de R$ 3 bilhões, um crescimento de 23% sobre o resultado do primeiro trimestre de 2025. A margem apurada foi de 17,7%. A operação da Gerdau nos Estados Unidos foi responsável por 75% do Ebitda consolidado da empresa no trimestre.

“Alcançamos estes resultados reduzindo custos. A ampliação das nossas margens no trimestre é fruto de trabalho duro, buscando todas as alternativas para operar com mais eficiência e com investimentos para aumentar nossa competitividade”, disse Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, em resposta ao NeoFeed durante a divulgação do balanço.

No trimestre, o capex da empresa alcançou R$ 1,1 bilhão, 23% do total previsto para 2026, estimado em R$ 4,7 bilhões. Do volume aportado nos primeiros três meses do ano, R$ 500 milhões foram para manutenção e R$ 600 milhões justamente em iniciativas para ampliar a competitividade.

No horizonte, também há um pacote de investimentos em projetos, que devem ser concluídos ainda neste ano, e que devem gerar, em um cenário de um ano e meio a dois anos, cerca de R$ 1,5 bilhão de Ebitda para a empresa.

Neste contexto, a expansão da mina de Miguel Burnier, em Minas Gerais, que recebeu R$ 3,6 bilhões de aportes, com um Ebitda potencial de R$ 1,1 bilhão, deve entrar em fase de ramp-up no segundo semestre.

Também entrará em operação o centro de reciclagem de sucata ferrosa, que está sendo construído na cidade paulista de Pindamonhangaba, com R$ 400 milhões em investimentos e que vai contribuir no plano de redução de custos da empresa.

“Este projeto de reciclagem vai gerar uma grande economia de custos, porque teremos uma matéria-prima mais competitiva para a nossa usina de Pindamonhangaba [que produz aços especiais]”, afirmou Rafael Japur, CFO da Gerdau.

O terceiro projeto está nos Estados Unidos, que é a expansão da unidade de Midlothian da Gerdau, localizada no Texas. Neste caso, o capex foi de R$ 1,2 bilhão. A conclusão da primeira fase será entre o terceiro e quarto trimestre deste ano.

“Estamos concluindo uma carteira grande de projetos, com volume grande de desembolsos, e agora eles vão começar a gerar resultados. Com isso, teremos um duplo benefício, com mais geração de resultado e menos volume de investimentos em comparação com dois ou três anos”, disse Japur.

Ainda que com o esforço apontado pelo executivo para reduzir os custos e apresentar crescimento na última linha do balanço, a receita líquida da companhia entre janeiro e março deste ano foi 4% inferior ao mesmo período do ano passado. A empresa alcançou R$ 16,7 bilhões, contra R$ 17,3 bilhões em 2025.

A alavancagem foi de 0,74 vez na relação dívida líquida sobre o Ebitda, resultado um pouco menor do que o quarto trimestre (0,76 vez) e ligeiramente acima do registrado no primeiro trimestre do ano passado (0,69 vez).

Lá e aqui

A questão é que há dois cenários distintos no balanço da Gerdau. O mercado americano apresenta alta em todas as linhas, ao contrário do que se observa no balanço da operação brasileira.

No primeiro trimestre, a empresa registrou alta de 4,5% nas vendas nos Estados Unidos, sobre o trimestre anterior, e crescimento de 7,5% na receita líquida, com R$ 9,3 bilhões. O Ebitda local, de R$ 2,2 bilhões, subiu 22,9%.

Por outro lado, no Brasil, as vendas caíram 9,5% no período, enquanto a receita líquida teve queda de 12,7%, com R$ 6,27 bilhões. O Ebitda, no entanto, subiu 13,3%, com R$ 578 milhões.

A queda no Brasil está relacionada a uma queixa já antiga de Werneck, que é o avanço da penetração do aço importado, especialmente o chinês, no mercado nacional. Segundo a empresa, o aço importado representa hoje 22,7% do mercado nacional, maior patamar da história. No caso de aços planos, o percentual chega a 26,8%.

“O principal problema no país é essa penetração de aço importado desleal, que segue acontecendo. E o cenário para a frente não é menos complexo. Por isso que vamos ter de seguir com muito trabalho, para seguir recuperando nossas margens”, disse Werneck.

Segundo o CEO, a expectativa é que o governo federal passe a adotar, a partir do início do segundo semestre, ações mais efetivas de proteção comercial, como aumento tarifário e ampliação de iniciativas antidumping.

“Estamos fazendo investimentos, mas eles precisam ser remunerados no futuro. E o governo precisa fazer o seu papel. Para isso, é fundamental que sejam aplicadas estas medidas de defesa comercial”, explicou o CEO.

E, agora, surge outra preocupação que pode, de certa forma, pressionar o resultado da Gerdau, que é o impacto da guerra entre Irã e Estados Unidos, que resultou na explosão do preço do barril do petróleo.

O reflexo inicial está no frete terrestre, por causa do aumento do diesel, e do preço do gás natural, utilizado nas usinas da companhia para aquecimento do aço. No caso do carvão, o reflexo deve ser observado no segundo trimestre.

“A gente conseguiu mitigar parte destes custos no primeiro trimestre, justamente com a busca por mais competitividade. Mas temos buscado conversar com nossos clientes, justamente para absorver parte disso, com um novo patamar de negociação comercial”, afirmou Werneck.

O CEO afirma que, ainda que com esta pressão de custos, a expectativa é de seguir melhorando o resultado em relação à rentabilidade no Brasil.

Ainda no trimestre, a Gerdau realizou pagamentos de dividendos que somaram R$ 354 milhões, nas ações da Gerdau S.A, e R$ 106 milhões, da Metalúrgica Gerdau. A empresa também anunciou início de um programa de recompra de ações, que devem alcançar R$ 100 milhões.

“Como a gente entende que tem um certo caixa na Metalúrgica Gerdau, fruto de créditos de outros períodos, há espaço ainda para recompra de ações. E isso faz muito sentido agora”, afirma Japur.

As ações da Gerdau operavam em alta 3,5% na B3 nesta terça-feira, 28 de abril, por volta de 13h15. No acumulado do ano, a alta é de 9,3%. O valor de mercado da Gerdau é de R$ 42,3 bilhões.