Goiás - A Newave Energia, joint-venture formada pela Newave Capital e pela Gerdau, inaugurou, nesta quinta-feira, 19 de março, o parque solar Barro Alto, em Goiás, um dos maiores do tipo no Brasil.
O volume de geração de energia dos 731 mil painéis solares, instalados em uma área de 841 hectares, equivale a 5% de todo o consumo do estado goiano. Isso corresponde a 365 mil residências.
O empreendimento no Centro-Oeste possui uma capacidade instalada de 452 MWp (megawatt-pico), potência máxima de geração em condições ideias de irradiação solar. Do total, 40% da produção de Barro Alto será destinada para abastecer as unidades da Gerdau, e os demais 60% serão vendidos pelo mercado livre de energia.
Somente a energia gerada pela planta goiana será suficiente para abastecer 13% de todo o consumo de energia elétrica da Gerdau no Brasil. A companhia, fundada pela família Gerdau há 125 anos, é hoje a quinta maior consumidora de energia elétrica do país.
Com investimento de R$ 1,3 bilhão – e parte financiado via Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) –, o parque solar é o segundo empreendimento inaugurado no país pela joint-venture.
No início do ano passado, a Newave entregou o parque solar Arinos, em Minas Gerais, que recebeu aporte de R$ 1,5 bilhão. A produção da unidade pode chegar a 420 MWp, e cerca de um terço do volume também é destinado para a maior produtora de aço do Brasil.
Em dezembro de 2024, a Gerdau aumentou sua participação na comercializadora de energia. Até então, a empresa tinha 33,3% da fatia da Newave Energia. E agora é detentora de 40% das ações da empresa.
Ser dona da própria produção de energia é uma estratégia que vem sendo intensificada pela Gerdau. Como o NeoFeed revelou em fevereiro de 2025, a companhia realizou investimentos de cerca de R$ 3 bilhões, que envolviam os aportes nos parques solares e na aquisição de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas).
A construção de Barro Alto, que levou 16 meses, gerou cerca de três mil empregos. A quantidade de energia gerada, de forma sustentável, vai conseguir evitar a emissão de cerca de 40 mil toneladas de CO2 por ano.
“Grande parte dos contratos pelo mercado livre de energia já está vendida. E temos a estratégia de deixar uma parte disponível. Daqui, vamos atender basicamente os clientes da região Sudeste”, diz Edgard Corrochano, CEO da Newave Energia.
Com mais este volume de energia oriundo das placas solares, a companhia siderúrgica passa a contar agora com 43% de todo seu consumo a partir de matrizes energéticas renováveis, incluindo fotovoltaica e hidrelétrica.
“Esse investimento faz parte da nossa estratégia, olhando a integração da sustentabilidade com competitividade. Produção de aço é intensivo em energia. E queremos chegar a 0,82 tonelada de Co2 por tonelada de aço até 2031, menos da metade da média mundial”, afirma Marcos Prudente, gerente-geral de energia e gás natural da Gerdau.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato a presidente e que deixa o cargo no próximo dia 31 de março, participou do evento, ao lado do vice-governador Daniel Vilella (MDB), que assume a cadeira.
“É muito importante para o estado ter um projeto com esta tecnologia, que garante a maior capacidade de aproveitamento de energia solar, e ajudando na descarbonização do Brasil”, diz Caiado.
À espera do leilão de baterias
O próximo investimento que deverá ser feito pela Newave Energia, após os dois parques solares, depende agora da realização do primeiro leilão de baterias de grande escala, previsto pelo governo federal para ser realizado neste ano.
Para participar destes projetos, as empresas terão de construir e instalar um sistema de armazenamento de energia (BESS, em inglês). Dessa forma, o CEO planeja construir esta unidade na área do parque de Barro Alto, ao lado da subestação goiana, em 50 mil metros quadrados (m²), o equivalente a cinco hectares.
A intenção, neste caso, é de separar um cheque de R$ 1,8 bilhão a R$ 2 bilhões para o investimento, mas, para isso, é preciso que saia a portaria do governo federal, definindo as regras do leilão. Segundo o executivo, não dá para o Ministério de Minas e Energia postergar esta iniciativa.
“Há vários benefícios em ter um projeto de bateria dentro de um parque solar. Estamos estudando, com projeto bem avançado. Agora vamos esperar o leilão. E devemos participar. Nossa ideia é de gerar cerca de 200 MW de capacidade instalada”, afirma Corrochano.
Barro Alto vai atender empresas do Centro-Oeste e Sudeste, hoje o foco principal de atuação da empresa. Segundo o CEO, não está no plano estratégico da empresa construir um parque solar no Nordeste.
Ainda que haja uma “qualidade” melhor da captura da energia solar, os parques nordestinos são mais impactados pelo curtailment (redução de energia renovável determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, por causa do excesso de oferta).
“No Sudeste, este impacto é menor. Hoje este problema gera um custo de R$ 11 bilhões para todo o setor. Só no ano passado foram R$ 7 bilhões. O mercado renovável no Nordeste hoje não faz sentido para a gente”, explica o CEO.
No acumulado de 12 meses, as ações GGBR4 da Gerdau na B3 registram alta de 1,5%. A companhia está avaliada em R$ 33,6 bilhões.
O jornalista viajou a Goiás a convite da Gerdau.