Com a consolidação do “maior IPO” do setor imobiliário no Brasil, a partir da venda de R$ 5,2 bilhões em ativos, a JHSF registrou, em 2025, seu melhor resultado financeiro desde sua fundação, há 54 anos.
A companhia fechou o ano com receita bruta de R$ 3,7 bilhões, alta de 112% sobre 2024. O Ebitda ajustado alcançou R$ 1,8 bilhão, crescimento de 145%. O lucro líquido foi R$ 1,9 bilhão, elevação de 117% sobre o resultado do ano anterior.
Nesta direção, todos os segmentos que compõem a divisão de renda recorrente da companhia – shoppings, hospitalidade e gastronomia, aeroporto, residences e clubs, e JHSF Capital – tiveram um desempenho recorde em 2025.
Na renda recorrente, a JHSF alcançou receita bruta de R$ 1,4 bilhão, alta de 28% sobre o ano anterior. O Ebitda ajustado alcançou R$ 658 milhões, 33% a mais do que o registrado em 2024. E o lucro líquido foi de R$ 969 milhões, crescimento de 45%.
“A gente vem trabalhando para consolidar nossa cultura e para que a JHSF seja a própria sucessora da JHSF, em termos de inovação de negócios. A companhia está buscando cada vez mais inovar, com modelos pioneiros, para continuar liderando o mercado de alta renda na América Latina", diz Augusto Martins, CEO da JHSF, ao NeoFeed.
No caso do IPO, concretizado em dezembro do ano passado, a companhia vendeu seu estoque de empreendimentos prontos e em desenvolvimento para um fundo imobiliário ancorado por Itaú BBA, Bradesco BBI e XP.
E, para o executivo, tão importante quanto o próprio valor nominal da operação financeira, está justamente o resultado deste movimento, que vai ajudar ainda mais a destravar o valor da empresa.
Além do que foi vendido, a companhia ainda tem um potencial de valor geral de vendas (VGV) de cerca de R$ 30 bilhões em estoque para desenvolver novos projetos nos próximos anos, o que já garante uma possibilidade de crescimento em receita.
“Na prática, guardamos uma riqueza em nosso balanço de futuros lançamentos ao longo dos anos e ainda reservamos 78 unidades nestes estoques, que ficam com a JHSF e que serão destinados ao nosso negócio de locação. Isso significa um VGV de R$ 2 bilhões para a companhia”, afirma o executivo.
A venda dos ativos também refletiu diretamente o fortalecimento da estrutura de capital da JHSF. A movimentação fez com que a empresa fechasse o ano com um caixa líquido positivo de R$ 2,3 bilhões e uma alavancagem negativa de 1,3 vez a relação dívida líquida sobre o Ebitda.
Antes da consolidação da operação, a companhia acumulava uma dívida bruta de R$ 5,6 bilhões e um caixa líquido negativo de R$ 2,2 bilhões. A alavancagem era de 1,9 vez.
“Agora, a companhia passa a ficar desalavancada. Temos mais dinheiro em caixa do que dívida contratada. Isso é uma transformação para a empresa, do ponto de vista de estrutura de capital e saúde e solidez”, diz Martins.
Com o IPO, a JHSF agora passa a ter um modelo de negócio que pode ser replicado, segundo o CEO, para as vendas dos futuros lançamentos. Na prática, é possível que um movimento semelhante possa ser realizado nos próximos anos, tendo em vista o volume de estoque que ainda está sob controle da JHSF.
Com o resultado de 2025, a JHSF chega a um crescimento de 199,1% em cinco anos. Em 2020, a receita bruta foi de R$ 1,24 bilhão, contra um número três vezes maior no ano passado, de R$ 3,7 bilhões.
No mesmo período, a evolução do Ebitda foi de 168,6%. Em 2020, a empresa alcançou R$ 687 milhões, chegando aos atuais R$ 1,8 bilhão. O crescimento do lucro líquido em cinco anos foi de 194%.
Para o CEO da JHSF, o crescimento da companhia no ano passado foi ainda mais representativo, levando-se em conta o cenário macroeconômico desafiador no Brasil, com a maior parte do ano com uma taxa de juros a 15% ao ano.
No ano passado, a companhia investiu mais de R$ 500 milhões em renda recorrente, com entregas importantes, como o Fasano Tennis Club, o Fasano Al Mare Beach Club, expansão de hangares no Catarina Aeroporto Executivo e a inauguração do São Paulo Surf Club.
E, com o caixa robusto, a empresa tem pela frente mais entregas. Entre os próximos projetos que serão entregues em 2026 estão a maior expansão da década do shopping Cidade Jardim, a inauguração do shopping Boa Vista Village Town Center, com 14 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) e mais de 100 operações, e com mais uma fase do Fasano Sardegna Hotel.
Para o fim de 2027, está prevista a conclusão do Shops Faria Lima, com mais de 10 mil m² de ABL, na esquina da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior.
Potencial de valorização
Com isso, a JHSF pretende chegar, nos próximos dois anos, a um Ebitda de R$ 1 bilhão somente com renda recorrente. Em 2025, a divisão alcançou R$ 658 milhões. Para Martins, isso mostra que ainda há um grande potencial de valorização da empresa.
“O valuation da JHSF, ao longo dos próximos anos, deveria ser entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. É muito possível a médio prazo. Isso mostra o potencial de crescimento que a companhia ainda tem para surfar nos próximos anos”, afirma.
No segmento de shopping centers, a empresa também alcança seu maior resultado da história, com R$ 4,7 bilhões em vendas consolidadas em 2025, um crescimento de 13% sobre o ano anterior.
Com taxa de ocupação de 99% e lista de espera, a unidade reportou um crescimento de 34% no Ebitda (R$ 229 milhões) e uma alta de 12% na receita bruta (R$ 395 milhões).
No Shopping Cidade Jardim, a empresa realiza uma expansão de 3,5 mil m² de ABL, levando o centro de compras para mais de 52 mil m² de ABL no total. E esse crescimento se dá com a chegada de marcas exclusivas para o espaço.
Uma delas é a grife italiana Loro Piana, que não estava no Brasil, e que abre em setembro. Também chegam ao shopping a marca americana James Perse e as francesas Alaia e Fusalp. A Chanel terá uma loja de 1 mil m², a terceira maior do mundo e a primeira a ter um serviço chamado les ateliers, com serviço personalizado aos clientes. A previsão é para o fim do ano.
“Com isso, o Cidade Jardim se consolida como a sede das principais flagships destas marcas na América Latina”, afirma o CEO. Hermes e Tiffany também vão ampliar seus espaços no shopping.
Em hospitalidade e gastronomia, a receita bruta ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 500 milhões – chegou a R$ 501 milhões –, com crescimento de 17%. O Ebitda ajustado cresceu 9%.
É por esse segmento que a JHSF iniciou sua expansão internacional. No mês passado, a empresa anunciou a aquisição de um palácio no quadrilátero da moda, em Milão, que será o Fasano Milano.
No aeroporto, o crescimento na receita foi de 40%, alcançando R$ 271 milhões em 2025, com Ebitda de R$ 158 milhões. Em apenas cinco anos, o Catarina é hoje o aeroporto de aviação executiva com maior Fixed-Base Operator (FBO), com cerca de 200 aeronaves hangaradas.
Em residences e clubs, a empresa atingiu R$ 228 milhões em receita bruta, crescimento de 117%. O Ebitda ajustado, de R$ 170 milhões, foi 102% acima do que o registrado em 2024. Os dois clubs inaugurados em 2025 – o São Paulo Surf Club e o Fasano Tennis Club – ainda estão em ramp up, o que deve impulsionar o crescimento em 2026.
Na JHSF Capital, a empresa alcançou o volume de R$ 103 bilhões de ativos sob gestão, o que a coloca entre as dez maiores gestoras do Brasil em investimentos alternativos. “Ela desempenha um papel muito importante na estrutura financeira da companhia e vem nos apoiando nos projetos internacionais.”
Na incorporação, a receita bruta foi de R$ 2,2 bilhões, uma evolução de 279% sobre 2024. O Ebitda ajustado neste segmento alcançou R$ 1,26 bilhão, alta de 278%. “É um balanço em que todos os resultados apresentam o melhor resultado da história.”
“Contamos com mais de sete anos de dinheiro em caixa para pagamento de seus compromissos. A gente não só passa 2026 com muita segurança como tem uma estrutura muito forte para a frente”, completa Martins.
No acumulado de 12 meses, as ações da JHSF na B3 registram valorização de 107,8%. A companhia está avaliada em R$ 5,9 bilhões.