Com o carro elétrico caindo nas graças do consumidor brasileiro, a BYD tem avançado de forma rápida em sua estratégia para atingir a ousada meta que estabeleceu para si, mesmo com poucos anos no Brasil: se tornar líder do mercado de automóveis até 2030.

O mais recente sinal para otimismo veio com um novo recorde de vendas. Entre os dias 20 e 21 de março, a BYD comercializou 4,3 mil carros, o que representa mais de R$ 500 milhões.

O desempenho foi obtido na campanha batizada de “48 horas eletrizantes”. Sem uso de promoção ou ação comercial financeira, o resultado representa um avanço de 64% em relação à edição de julho de 2025, quando foram contabilizados 2,6 mil pedidos. Esta foi a melhor campanha desde o início da ação, em 2024.

Somente no sábado foram 3,2 mil pedidos, o maior volume da marca em um dia de fim de semana, com Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil e head comercial e de marketing da BYD Auto, afirmando que os resultados demonstraram a força que a montadora ganhou no País.

“Esses números promovem mais uma etapa muito sólida na confiança por parte das pessoas que ainda têm algum receio de comprar”, diz Baldy, ao NeoFeed. “Cada passo, cada etapa que a gente vence, consolida a conquista da confiança do consumidor mais conservador, mais receoso.”

O resultado gera expectativa por mais um ano positivo em termos de vendas. No ano passado, a BYD vendeu 112,8 mil carros, um aumento de 47% em relação a 2024. Desde abril de 2022, quando entregou o primeiro veículo no Brasil, a montadora comercializou mais de 200 mil veículos 100% elétricos e híbridos plug-in, com o País sendo o maior mercado da BYD fora da China.

Para Baldy, há espaço para crescer. Além de a BYD ter consolidado sua marca, tendo mais de 70% de market share no segmento de elétricos, segundo dados da Fenabrave, ele entende que o mercado em geral ainda está em consolidação, com o público cada vez mais receptivo à proposta de valor desses veículos.

“Nós precisamos fazer um esforço gigantesco, um esforço aqui monumental, para poder chegar às pessoas e contar como é que é hoje este mercado”, afirma o executivo. “Ainda existem muitas dúvidas sobre preço de revenda, por exemplo. A informação real não chega até o consumidor final de forma robusta.”

Esse cenário dá confiança para a BYD seguir com seu plano de R$ 5,5 bilhões em investimentos para fabricação de automóveis em Camaçari (BA), que pertencia à Ford e foi assumida pela montadora em 2023.

Até então, a companhia trazia carros semimontados da China, recebendo o acabamento final no Brasil. O plano é produzir cada vez mais no País – a montadora fabrica no País três dos 14 modelos de carro disponibilizados ao mercado local, entre elétricos e híbridos.

“A fábrica está a todo vapor. Devemos fechar este mês com 800 carros por dia sendo fabricados em Camaçari, chegando a 25 mil carros por mês no fim do ano”, afirma Baldy.

A BYD tem ainda como meta inicial nacionalizar 50% dos itens nos veículos. “Estaremos preparados. Para aquilo que não existir [no Brasil], nós traremos para que possa ser fabricado localmente”, afirma. “Mas nós conseguimos alcançar os 50% com aquilo que é produzido no Brasil.”

Enquanto a BYD avança na produção local, Baldy diz que o fim da isenção do imposto de importação para veículos semimontados, que a empresa utilizou para se estabelecer no País, foi uma decisão combinada e transparente. “Foi completamente bem executada pelo governo federal”, afirma.

No caso de incentivos fiscais acertados com o governo para a fabricação de carros em Camaçari, ele não vê nenhum risco, destacando que é uma política prevista na Constituição Federal.