Negócios

Encolher para crescer: a receita da IMC, dona das redes Frango Assado e Pizza Hut

O grupo International Meal Company está investindo em um cardápio mais flexível de expansão, que passa por modelos como as parcerias para operar estruturas de terceiros. O primeiro acordo nesses moldes foi fechado com a Rede Monte Carlo, de postos de combustíveis, no interior de São Paulo

 

Dono de marcas como Frango Assado, Pizza Hut e KFC, a International Meal Company (IMC) tinha, antes da crise, um plano agressivo de expansão, com a projeção de adicionar 430 unidades à sua rede de restaurantes, próprios e franqueados, no prazo de cinco anos.

Sob os primeiros impactos da Covid-19, o grupo decidiu postergar o início da execução do plano para 2021. E agora, está adicionando novos formatos ao seu cardápio de expansão e combinando essa estratégia com uma operação mais enxuta.

Na noite da segunda-feira, a IMC anunciou um acordo para abrir oito restaurantes do Frango Assado e dez do Pizza Hut nos postos de combustível da Rede Monte Carlo, situados em rodovias e no perímetro urbano de São José do Rio Preto e de Ribeirão Preto, cidades do interior de São Paulo.

Na prática, a construção e as benfeitorias dos imóveis ficarão a cargo da Rede Monte Carlo. A IMC responderá pela instalação dos equipamentos e maquinário de cada marca, além da operação dos restaurantes, tendo exclusividade para explorar a categoria nesses espaços.

“Trabalhando apenas com o restaurante, a expectativa de retorno de capital é mais alta”, afirmou Newton Maia, CEO da IMC, em teleconferência nesta manhã. “Contamos com o incentivo da Monte Carlo para a construção das unidades e de taxas razoáveis de locação.”

Com o acordo firmado com a Rede Monte Carlo, a IMC abre caminho para consolidar uma base de 239 lojas da Pizza Hut de 33 unidades da Frango Assado. Hoje, em 18 das 25 unidades dessa última bandeira, o grupo controla também a operação dos postos de combustíveis.

Além das parcerias para explorar apenas a frente de restaurantes, o grupo não descarta a compra de postos de combustíveis, incluindo os imóveis, para seguir expandindo sua rede. Para isso, está avaliando oportunidades nos programas de desinvestimentos de distribuidoras de combustível.

“Comprar ativos não é nosso foco, mas como ampliamos o leque pode, eventualmente, acontecer”, disse Maia. “Pode ser algo transitório, para conseguir acesso a pontos interessantes que estão à venda nesse momento.”

Os postos de gasolina também serão o maior foco da expansão do Pizza Hut. No decorrer de 2020, o grupo inaugurou 14 lojas próprias da bandeira e está preparando outras quatro unidades no conceito store-in-store, com espaços dentro de pontos da marca Frango Assado.

Ainda em relação ao Pizza Hut, Maia destacou que há um movimento de franqueados transferindo os pontos que tinham em shopping centers para lojas de rua. Já na bandeira KFC, foram inauguradas 12 lojas próprias no ano, além da aquisição de seis unidades de franqueados. Com 94 pontos no País, a KFC está priorizando as negociações com shoppings e redes de hipermercados para ampliar essa base.

Atualmente, a IMC tem 490 unidades considerando todas as suas marcas, entre lojas próprias e franqueadas. Essa rede inclui 12 pontos nos Estados Unidos e no Caribe, onde o grupo opera com as bandeiras MargaritaVille e LandShark.

Todas essas vias de expansão serão acompanhadas pela perspectiva de um quadro mais enxuto. Em virtude da pandemia, a IMC vem reduzindo, gradativamente, seu quadro. Em meados de março, a empresa promoveu um corte de cerca de 2 mil funcionários, aproximadamente 30% da equipe.

Hoje, comparado ao fim de 2019, a redução no número de funcionários já chega a 53%. “Não devemos voltar ao mesmo nível que tínhamos em dezembro”, afirmou Maia. Ele ressaltou, porém, que essa projeção não é reflexo apenas da Covid-19, mas também, de projetos que já vinham sendo tocados antes da pandemia.

Uma das principais iniciativas nesse contexto foi a inauguração, em dezembro, de uma cozinha industrial em Louveira (SP), com recursos avançados de automatização e o objetivo de centralizar e padronizar a produção de alimentos semiprontos e ultracongelados que abastecem as lojas do grupo. Com o projeto, a necessidade de mão de obra nos restaurantes foi reduzida.

Outra medida nessa direção foi o fechamento de cerca de trinta lojas próprias da bandeira Viena, especialmente em aeroportos e shoppings, que tinham operação deficitária. “E temos um terceiro bloco de ajuste, que vale para todas as marcas e envolve a racionalização dos cardápios, com operações mais simples, que exigem menos funcionários.”

Já no que diz respeito às estratégias digitais, a IMC está reforçando a aposta nos aplicativos próprios das redes. Entre dezembro e janeiro, entra no ar a nova versão do aplicativo do Pizza Hut, que, para o delivery, já trabalha com Rappi, iFood e Uber Eats.

A companhia também está trabalhando no desenvolvimento do aplicativo próprio do KFC, que ainda não conta com esse recurso e que, em delivery, tem parceria apenas com o Uber Eats. As demais marcas do portfólio da IMC, por sua vez, já trabalham com os principais aplicativos de entrega.

“Os aplicativos próprios ajudam muito no sentido de ter mais recursos para entender o comportamento dos nossos consumidores”, observou Maia. “E, assim, poder sugerir ofertas e buscar uma compra mais recorrente desses clientes.”

Terceiro trimestre

A IMC encerrou o terceiro trimestre com uma queda de 29,7% em sua receita líquida, para R$ 298,7 milhões. No período, o prejuízo líquido foi de R$ 5,1 milhões, contra o lucro líquido apurado um ano antes, de R$ 61,4 milhões. O grupo tem R$ 532,8 milhões em caixa e uma dívida líquida de R$ 85,9 milhões.

Por volta das 11h45, as ações da companhia estavam sendo negociadas com alta de 3,68%, cotadas a R$ 3,66. No ano, os papéis da IMC acumulam uma queda de cerca de 60%. Hoje, a empresa está avaliada em R$ 1,04 bilhão.

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