Impulsionado por nomes como SpaceX, OpenAI e Anthropic, o mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) nos Estados Unidos deve registrar uma forte recuperação em 2026. Essa é, ao menos, a projeção do Goldman Sachs.

Na tradução dessa expectativa em números, os analistas do banco americano preveem que as ofertas registradas nas bolsas de valores do país vão movimentar um volume recorde de US$ 160 bilhões neste ano.

Caso a bola de cristal do Goldman Sachs acerte em cheio essa previsão, esse será o montante anual já registrado em termos absolutos de receitas geradas por IPOs nos Estados Unidos, ressaltaram os analistas do banco.

Destacado pela agência Reuters, o relatório também projeta que o mercado de capitais americano chegue a um total de 120 ofertas públicas iniciais em 2026, o que vai representar o dobro das listagens do ano passado.

No acumulado de 2026, os IPOs já arrecadaram cerca de US$ 5 bilhões em doze ofertas públicas nos EUA. A relação inclui nomes como a Forgent Power, fabricante de equipamentos para data centers, que levantou US$ 1,5 bilhão em sua estreia na Bolsa de Nova York (Nyse), na semana passada.

O Brasil também já contribuiu com essa conta. No fim de janeiro, o PicPay abriu capital na Nasdaq, quando arrecadou US$ 490 milhões e foi avaliado em US$ 2,6 bilhões. Oferta atraiu uma demanda 12,9 vezes maior do que o book.

Outro nome brasileiro que vai engrossar essa lista e reforçar essas captações é o Agibank. No mesmo dia em que as ações do PicPay começaram a ser negociadas, o banco digital protocolou a última versão da sua oferta na Securities and Exchange Commission (SEC).

Na oferta, programada para ser realizada, a princípio, nesta semana, o Agibank estima uma faixa de preço entre US$ 15 e US$ 18, com o ponto médio do intervalo de US$ 16,50 e o potencial de levantar até US$ 903,3 milhões.

Enquanto o Brasil participa desse jogo, até aqui, com dois bancos digitais, o Goldman Sachs prevê que as empresas de software e de saúde devem dominar o volume de ofertas. Em outra ponta, algumas companhias de tecnologia e inteligência artificial devem turbinar os valores movimentados.

Nessa última prateleira, boa parte das atenções está voltada para empresas privadas extremamente valiosas, como a SpaceX, de Elon Musk, a OpenAI, dona do ChatGPT, e a Anthropic, sua maior rival. O trio está em destaque na “bolsa de apostas” de empresas que seguirão esse caminho em 2026.

A SpaceX, por exemplo, tem alimentado as expectativas de registrar o maior IPO da história. A perspectiva é de que a empresa supere os US$ 29 bilhões arrecadados pela Saudi Aramco, em 2019, e alcance uma valorização de US$ 800 bilhões.

Nesse cenário, os analistas do Goldman Sachs observam que as ofertas de grandes empresas privadas irão moldar o mercado de 2026. E que, dependendo da concretização desses e outros IPOs desse porte, a captação total pode chegar a quase US$ 200 bilhões, além da projeção inicial de US$ 160 bilhões.

O time do banco americano ressalta, porém, que uma onda de vendas de ações de software no início desse ano realçou os riscos de avaliação das operações, especialmente pelo fato de o setor representar cerca de um quarto da carteira de IPOs prevista para 2026.

"A volatilidade contínua nos preços das ações e na confiança corporativa são os principais riscos macroeconômicos para nossa previsão. O peso substancial do setor de software na carteira de pedidos de IPO é outro risco", acrescentou o Goldman Sachs.