Jamie Dimon está com apetite para aquisições. Em um evento voltado para analistas de ações em Nova York, o CEO do J.P. Morgan surpreendeu ao dizer que o banco com o maior valor de mercado do mundo está com o radar ligado sobre os concorrentes.

“Acredito que possam existir oportunidades, e por isso estamos atentos”, disse Dimon, no Bernstein Strategic Decisions Conference, na quarta-feira, 27 de maio, segundo relato do Financial Times. “Pode haver, nos próximos dois anos, a chance de investir US$ 10 bilhões ou US$ 20 bilhões na compra de alguma coisa.”

Com US$ 799,5 bilhões de valor de mercado, o J.P. Morgan é conhecido pelo seu conservadorismo com grandes aquisições. Nos últimos anos, o banco priorizou negócios menores e facilmente absorvíveis pela sua estrutura.

A exceção foi a compra do First Republic em 2023. Mas a aquisição da instituição financeira da Califórnia, que faliu na crise dos bancos regionais, foi mediada pelo Federal Deposit Insurance Corporation (FIDC) - o pagamento de US$ 10,6 bilhões foi feito diretamente para a agência.

Outra crise abriu oportunidades semelhantes para o J.P. Morgan. Em 2008, no subprime, Dimon fez seus grandes deals com a absorção do Bear Stearns e do Washington Mutual em meio ao colapso de grandes bancos.

Mas o CEO do maior banco global foi cuidadoso com as palavras para calibrar as expectativas. Ele enquadrou o M&A quase como um último recurso, alertando que executivos que se apoiam em fusões e aquisições frequentemente estão compensando um crescimento orgânico fraco.

"Você fica em muitas reuniões de gestão e a primeira coisa que fazem quando não vão bem no crescimento orgânico é começar a falar de M&A", disse ele.

Dimon também estabeleceu condições claras para qualquer aquisição. O alvo precisaria se encaixar na estrutura existente do banco, alinhar-se com sua cultura e fortalecer as linhas de negócio centrais - e não existir como uma entidade separada.

Há, porém, um limitador na legislação americana que inibe o apetite do banco liderado por Dimon. Por controlar mais de 10% dos depósitos do país, o J.P.Morgan não pode adquirir outro banco com as mesmas características.

Isso, automaticamente, direciona o foco para outros fintechs, gestoras, plataformas de tecnologia financeira ou empresas de wealth management.

Por que mudou?

O pano de fundo regulatório é central para entender o momento do J.P. Morgan. Em março deste ano, a gestão de Donald Trump anunciou um "reset" do arcabouço de capital nos EUA, revisando substancialmente a proposta original do Basel III Endgame de 2023, que teria elevado as exigências de capital dos grandes bancos em quase 20%.

O recuo regulatório, impulsionado pela agenda do presidente americano representa o ambiente mais desregulamentador para Wall Street desde a crise financeira de 2008.

Para a maioria dos grandes bancos, o efeito é menos capital retido, mais liberdade para investir, recomprar ações ou fazer aquisições.

No caso do J.P. Morgan, há entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em capital excedente, acima do exigido pelos reguladores - estima-se que os grandes bancos americanos tenham um total de US$ 157 bilhões.

Os maiores bancos dos EUA gastaram um recorde de US$ 33 bilhões em recompras de ações no início de 2026, um sinal de que o excesso de capital está sendo devolvido aos acionistas. Portanto, aquisições e crescimento inorgânico aparecem como um próximo passo.

E Dimon está otimista. As receitas de banco de investimento do J.P. Morgan devem crescer cerca de 10% no segundo trimestre frente ao ano anterior, enquanto as receitas de trading devem avançar pelo menos 11%.

"É muita animação, pessoal. Fusões e aquisições estão sendo o melhor ano em muitos anos. O mercado de capitais vai bombar este ano", afirmou o CEO.