Menos de um mês após a oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos da SpaceX, de Elon Musk, realizada no dia 12 de junho, na Nasdaq, o mercado financeiro já enxerga um potencial grande de crescimento no valor das ações.
Para a gestora americana Raymond James, que iniciou a cobertura da companhia, o valor de mercado da SpaceX pode alcançar, em breve, a marca de US$ 10 trilhões, segundo informou o Financial Times.
“Iniciamos a cobertura da SpaceX com uma recomendação de compra forte e um preço-alvo de US$ 800, pois consideramos a empresa uma das principais empresas de infraestrutura industrial do século XXI”, diz relatório da instituição financeira sediada na Flórida e que atuou no IPO da empresa.
“O acesso industrializado à órbita e a inteligência artificial (IA) estão impulsionando a convergência de infraestrutura mais significativa desde o surgimento da internet”, completa.
A meta de preço de US$ 800 é mais que o dobro da previsão do analista Adam Jonas, do Morgan Stanley (preço-alvo de US$ 300). E quase quatro vezes maior que a meta de preço dada pelo Goldman Sachs, um dos principais bancos da oferta do IPO (US$ 205).
Dessa forma, a SpaceX passaria ser a empresa mais valiosa do mundo, levando em conta o market cap atual das principais companhias listadas na Bolsa.
Na prática, a companhia valeria mais do que Nvidia (US$ 4,7 trilhões) e Apple (US$ 4,5 trilhões) juntas, as primeiras do ranking.
Também atinge valor equivalente a pelo menos 10 empresas investidas pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. Seria o mesmo que todo o mercado de ações chinês, ou a união dos mercados da França, Alemanha e Reino Unido.
E, se fosse um país, com base nesta avaliação da Raymond James, a Space X seria o terceiro maior se seu valor de mercado fosse o Produto Interno Bruto (PIB), atrás apenas de Estados Unidos e China, e à frente da Alemanha.
Hoje a Space X vale US$ 2 trilhões. Ainda assim, desde que abriu o capital, os papéis da companhia acumulam queda de 6,4%. Nesta quinta-feira, 9 de julho, as ações registravam alta de 1,5% por volta de 12h (horário local). E o papel, negociado a US$ 150,5.
A avaliação se baseia nas projeções de Raymond James de que a receita anual da SpaceX ultrapassará US$ 837 bilhões até 2031, enquanto o Ebitda chegará a US$ 696 bilhões, cenário ainda distante da realidade.
No ano passado, a receita alcançada pela empresa de Elon Musk chegou a US$ 18,7 bilhões, acumulando um prejuízo de US$ 4,9 bilhões. Mas a aposta para esta possível decolagem astronômica, na visão da gestora, está no novo modelo de foguete da companhia, a Starship, que terá um próximo voo de teste ainda em julho.
“A Starship reduz o custo de transporte de massa para a órbita em mais de 99%, ao mesmo tempo que aumenta a capacidade de carga útil em uma ordem de magnitude, transformando o acesso ao espaço de uma capacidade escassa em uma plataforma industrial abundante”, afirma a gestora.
“Acreditamos que a Starship representa o próximo ponto de inflexão, desbloqueando um mercado endereçável total que estimamos se aproximar de US$ 30 trilhões”, diz o texto.
A tese se baseia também no fato de que, à medida que os custos de lançamento diminuem, a SpaceX passará a comercializar plataformas de infraestrutura que abrangem conectividade, IA, segurança nacional e transporte.
A visão é que a SpaceX conseguiu, de fato, criar um importante ciclo virtuoso de infraestrutura. Cada geração de infraestrutura financia a seguinte. A família de foguetes Falcon financiou a unidade de satélites Starlink. Esta divisão ajudou a financiar o Starship, que agora viabiliza a próxima geração das unidades de negócios.
“À medida que cada plataforma atinge escala, ela gera o capital para financiar a próxima, ao mesmo tempo que aumenta o valor de cada plataforma, criando um mecanismo de alocação de capital que multiplica os lucros, o valor da empresa e a vantagem competitiva”, afirma a gestora.