A Blue Origin, companhia de voos espaciais fundada por Jeff Bezos, está próxima de realizar sua primeira captação de recursos externos em seus 25 anos de história. A rodada de investimentos pretende levantar US$ 10 bilhões, com um valuation pré-money estimado em cerca de US$ 130 bilhões, segundo informações da newsletter DealBook, do New York Times.

Até então, a empresa vinha sendo financiada exclusivamente pelo próprio Bezos, que agora planeja aportar US$ 2 bilhões na operação. O fundo Coatue Management deve liderar a rodada com um compromisso de US$ 4 bilhões, enquanto outros US$ 4 bilhões devem vir de grandes investidores institucionais.

A rodada ocorre em meio a uma corrida espacial cada vez mais acirrada, impulsionada, no caso da empresa, pela demanda por projetos como a rede de comunicações via satélite TeraWave, lançada em janeiro e destinada a conectar até 100 mil clientes prioritários, como data centers.

A iniciativa da Blue Origin compete diretamente com a Starlink, da SpaceX, empresa de Elon Musk, que recentemente realizou uma oferta pública inicial na Nasdaq, registrando o maior IPO da história e atraindo ainda mais os olhos de investidores para esse mercado.

Após a euforia inicial, quando as ações chegaram a subir quase 50% nos primeiros dias, os preços voltaram para próximo dos níveis do IPO, com a empresa sendo avaliada em cerca de US$ 2 trilhões - 15 vezes a mais que o valuation pretendido pela Blue Origin. Desde 2023, a SpaceX é avaliada acima de US$ 150 bilhões.

Entretanto, a rivalidade entre Bezos e Musk vai além da internet via satélite. Em 2021, a NASA escolheu a SpaceX para desenvolver o primeiro módulo de pouso tripulado do programa Artemis, em um contrato de US$ 2,9 bilhões. A Blue Origin contestou a decisão em órgãos administrativos e na Justiça americana, mas não conseguiu revertê-la.

Dois anos depois, a companhia de Bezos conquistou um contrato de US$ 3,4 bilhões para atuar como uma segunda fornecedora de módulos lunares da agência espacial americana. Desde então, as duas empresas passaram a disputar terreno também em lançamentos orbitais, missões à Lua e contratos com o governo americano.

Os números ainda mostram, porém, alguma vantagem para a empresa de Musk. Em 2025, a SpaceX completou 165 lançamentos orbitais — a maior parte com o Falcon 9 —, enquanto a Blue Origin realizou apenas dois voos do New Glenn.

O descompasso entre as companhias aumentou ainda mais em maio deste ano, quando o foguete New Glenn explodiu durante um teste de disparo estático no Complexo de Lançamento 36, em Cabo Canaveral, única plataforma operacional da Blue Origin. Segundo fontes do setor citadas pela Ars Technica, a reconstrução pode levar mais de um ano.

Apesar do incidente, o interesse dos investidores permanece focado nas perspectivas de longo prazo da empresa. Bezos afirmou em entrevista à CNBC que a Blue Origin finalmente tem “visibilidade suficiente sobre seu futuro e sucesso financeiro” para atrair investidores externos.

Analistas estimam que a Blue Origin poderá gastar quase US$ 5 bilhões somente neste ano, acumulando um investimento total de aproximadamente US$ 28 bilhões desde a sua fundação.

A entrada de capital externo pode aliviar a necessidade de Bezos financiar a companhia por meio da venda de suas ações da Amazon, empresa da qual é fundador.

Com a rodada, a Blue Origin estabelece um valuation que poderá servir de base para futuras negociações e amplia as possibilidades de financiamento para seus ambiciosos projetos.

A nova rodada dará à Blue Origin mais recursos para retomar os voos do New Glenn, avançar no desenvolvimento do módulo lunar Blue Moon e ampliar a TeraWave — três projetos considerados essenciais para reduzir a distância em relação à SpaceX.