Grupo brasileiro centrado no segmento de luxo e da alta renda, a JHSF escolheu sua divisão de hospitalidade e gastronomia para desbravar as fronteiras além do mercado brasileiro. E está avançando nessa estratégia ao fincar mais uma bandeira em seu mapa de operações internacionais.
O mais novo destino dessa tese é a cidade de Milão, na Itália. A empresa acaba de anunciar a compra do Palazzo Taverna Medici del Vascello, imóvel que, assim como as investidas anteriores nessa esfera, irá abrigar um novo hotel do grupo sob a marca Fasano.
Para a aquisição, no valor de € 52 milhões (R$ 322 milhões), a JHSF Capital, gestora do grupo, estruturou e concluiu a captação do fundo JHSF Capital Fasano Italy, cuja investidora controladora é a JHSF UK LTD, holding internacional da operação que detém participações em ativos de alta renda.
“Esse é um projeto que preenche várias caixinhas do nosso desenho estratégico”, diz Augusto Martins, CEO da JHSF, ao NeoFeed. “É um passo muito importante ter o Fasano, que, claro tem uma conexão de origem com a Itália, no coração de uma das cidades que é o destino da alta renda.”
O novo projeto preenche todos os racionais da estratégia de expansão do grupo no exterior. Entre eles, as localizações privilegiadas e a já citada busca por cidades-destino dos clientes de alta renda.
“Estamos, por exemplo, na principal quadra de Nova York, a Quinta Avenida com a 52, em frente ao Central Park, no Upeer Side, o lugar mais disputado da cidade”, diz o CEO. “E, em Londres, na Hill Street, em Mayfair, a uma quadra da Berkeley Square e do Hyde Park”.
Nesse caso, o imóvel também carrega um componente histórico relevante. Erguido no século 16, o novo endereço internacional do grupo está localizado na Via Bigli, número 9, entre as vias Montenapoleone e Manzoni, no chamado Quadrilátero da Moda e a cinco minutos da Catedral de Milão.
Em março de 1848, num dos episódios que colocaram o endereço na história do país, o Palazzo Taverna foi a sede do Comitê de Guerra e do Governo Provisório durante os chamados “Cinco dias de Milão”, considerado um dos marcos iniciais do Risorgimento – o processo de unificação italiana.
Com cerca de quatro mil metros quadrados, atualmente, o prédio tem oito apartamentos residenciais de luxo, distribuídos em três andares. O local conta ainda com um pátio interno, com colunas de granito.
A partir da aquisição, os próximos passos vão envolver a reforma do local. Com 40 suítes, opções de gastronomia e o Private Members Club, a previsão é de que o Fasano Milão abra suas portas num prazo de três anos.

Esse será o oitavo empreendimento da JHSF no exterior e o segundo em solo italiano. A companhia desembarcou no país em agosto de 2024, na Sardenha, onde atualmente tem um projeto amplo em desenvolvimento, cujo soft opening aconteceu em 2025, com a abertura do Fasano Al Mare Beach Club.
O portfólio internacional da companhia começou a tomar forma em 2010, com a abertura do Fasano Punta del Este, no Uruguai. E, entre ativos em operação e em desenvolvimento, ganhou aceleração nos últimos anos.
Atualmente, além de um segundo empreendimento em Punta del Este e do complexo em desenvolvimento na Sardenha, essa relação inclui hotéis em Nova York, Miami, Londres e Cascais, em Portugal.
Incluindo os ativos em operação e em desenvolvimento no Brasil, a JHSF chega a um total de 19 hotéis e 37 restaurantes em sua unidade de hospitalidade e gastronomia, que, nos dados públicos mais recentes, registrou uma receita bruta de R$ 113,4 milhões no terceiro trimestre de 2025, alta anual de 11,2%.
No período, a receita bruta total do grupo foi de R$ 516,7 milhões, um salto de 33% sobre igual período de 2024. Já o faturamento dos negócios de receita recorrente cresceu 29,2%, para R$ 342,1 milhões, tendo hospitalidade e gastronomia como carro-chefe, respondendo por 33% dessa conta.
Martins ressalta que a JHSF segue em busca de novos destinos para alcançar a meta traçada de consolidar uma base de vinte unidades internacionais com a marca Fasano. E que essa expansão deverá combinar projetos nos formatos greenfield – erguidos “do zero” - e brownfield.
“Achar lugares especiais, super disputados, envolve sempre a questão de oportunidade e disponibilidade”, diz o CEO. “Então, em capitais e cidades como Milão, provavelmente serão prédios que já existem e que demandam essa adaptação e esses ajustes para os nossos padrões.”
As ações da JHSF fecharam o pregão da sexta-feira, 13 de fevereiro, cotadas a R$ 9,65, com alta de 1,47%. Em 2026, os papéis acumulam uma valorização de 21,6%, e, em 12 meses, de 74,5%. O grupo está avaliado em R$ 6,45 bilhões.