Em um passo bastante aguardado pelo mercado, a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, anunciou que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo homologou o seu plano de recuperação extrajudicial, apresentado em 5 de junho deste ano.

O plano de recuperação extrajudicial foi apresentado com dívidas de R$ 98,6 bilhões, sendo o passivo total composto por R$ 65,14 bilhões em créditos sujeitos à reestruturação e R$ 33,49 bilhões em dívidas intercompany — obrigações financeiras entre empresas do próprio grupo.

A empresa informou em fato relevante divulgado no fim da tarde desta quinta-feira, 30 de julho, que o plano contou com a adesão de 81,6% dos credores quirografários e não foi alvo de nenhuma contestação de qualquer credor.

“A homologação do plano reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do grupo Raízen, conciliando suas necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital adequada e sustentável no longo prazo”, afirmou a companhia, no comunicado.

A Raízen ressaltou que, com a homologação, segue avançando na preparação e nas medidas necessárias para a implementar efetivamente o plano. Isso incluirá, por exemplo, a conversão de parte dos créditos pendentes em participação no grupo, por meio de units e novos títulos de dívida garantidos.

Outra etapa prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, a ser integralizado, em dinheiro, na data de fechamento da operação. A cifra corresponde ao valor da conversão de 45% da dívida incluída no plano em ações.

Esse movimento prevê ainda a possibilidade de uma injeção adicional de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações S.A., controlada pela família de Rubens Ometto, controlador da Cosan.

As iniciativas passam ainda por frentes como reorganizações societárias, segregação e desinvestimentos de ativos e medidas correlatas para a separação dos negócios de distribuição de combustíveis e de energia.

O plano prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada em participação acionária (transformam a dívida em equity) e a substituição, refinanciamento ou aditamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida.

O fato é que, depois de protocolar seu pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen já vinha acelerando o passo em algumas dessas etapas, enquanto aguardava a homologação do plano em questão. Entre elas, a redução do seu portfólio, uma frente que se tornou um de seus focos já no fim de 2024.

No movimento mais recente nessa direção, a companhia anunciou na semana passada um acordo para vender a Usina Caarapó, no município de Caarapó (MS), para a Adecoagro Vale do Ivinhema, por R$ 760 milhões.

Anunciada em 20 de julho, a transação envolveu ainda a cessão da cana-de-açúcar própria e dos contratos com fornecedores vinculados à unidade, que processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26.

Nesse cenário, o principal acordo veio, porém, no início de junho, quando a Raízen anunciou a venda de seus ativos na Argentina para o grupo suíço Mercuria Energy, em uma transação avaliada em US$ 1,42 bilhão (cerca de R$ 7,2 bilhões).

As ações da Raízen fecharam as negociações de hoje cotadas a R$ 0,26, o mesmo patamar registrado no pregão da quarta-feira, 29 de julho, avaliando a empresa em R$ 2,68 bilhões. Em 2026, os papéis acumulam queda de cerca de 68%.