A companhia de infraestrutura Motiva tem um potencial tesouro bilionário escondido nos possíveis aditivos de seus contratos. Segundo o BTG Pactual, a avenida de crescimento da empresa não está em projetos greenfield (que partem do zero), a partir de novas concessões, mas os chamados brownfield, que são extensões de iniciativas já em desenvolvimento. E o mercado ainda não precificou isso.

Relatório produzido pelo banco e divulgado nesta quinta-feira, 10 de setembro, mostra que, somente com a extensão de seus projetos de infraestrutura, a Motiva teria um pipeline de R$ 20 bilhões em novos investimentos. As quatro principais alavancas estão na AutoBan, SPVias, ViaCosteira e as linhas 5 e 17 do metrô.

Com isso, na visão dos analistas, a empresa poderia ganhar R$ 3,8 bilhões em valor presente líquido (VPL), ou o equivalente a R$ 1,90 por ação. Hoje o preço-alvo estabelecido pelo BTG à Motiva é de R$ 20 por ação. A recomendação é de compra.

“Na nossa visão, aditivos contratuais representam uma das formas mais atraentes para uma concessionária alocar capital, pois geralmente envolvem um processo regulatório mais rápido e oferecem um equilíbrio atraente de risco-retorno. A empresa está alocando capital em um ativo conhecido e estabelecido”, diz o relatório assinado por Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmin.

Entre os maiores potenciais de capex estaria na SPVias, uma concessão que envolve 516 quilômetros de cinco rodovias estaduais e liga São Paulo ao sudoeste do Paraná. O plano levantado pelos analistas incluiria a ampliação da capacidade, incluindo obras de duplicação em trechos próximos às cidades paulistas de Avaré e Capão Bonito.

Isso significaria um volume de investimentos de R$ 3,3 bilhões, o que garantiria uma extensão de seis anos do contrato, que hoje se encerra em 2030. Em 2025, a SPVias registrou 75,6 milhões de veículos, R$ 1,1 bilhão em receitas e R$ 887 milhões em Ebitda ajustado.

No caso da AutoBan, que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes, em um corredor estratégico de 320 quilômetros, a oportunidade vista pelo BTG está no plano na duplicação das estradas, na construção de novos acessos e melhorias nos pontos de intercâmbio. Para estas obras, o plano envolve um volume de investimentos de R$ 3 bilhões.

Com 324,5 milhões de veículos que trafegaram pelas vias em 2025, a Autoban garantiu R$ 3,7 bilhões de receita líquida e R$ 3,2 bilhões de Ebitda ajustado no ano passado para a Motiva. Com contrato vigente até 2037, a estimativa é que estes novos aportes garantiriam um acréscimo de três anos, levando a concessão até 2040.

“Consideramos a AutoBAn como uma das oportunidades brownfield mais diretas no portfólio da Motiva, dada a sua base de ativos madura, demanda comprovada e complexidade de engenharia relativamente baixa”, diz o banco.

Complementam os analistas: “Além disso, à medida que a concessão se aproxima de sua maturidade atual, a possível emenda proporcionaria uma extensão significativa do fluxo de caixa do ativo, permitindo à Motiva investir capital incremental em um corredor de alta qualidade.”

Na ViaCosteira, trecho de 220 quilômetros da BR-101, em Santa Catarina, concedida à Motiva em licitação do governo federal realizada em 2020, a possível alteração está concentrada na construção de um túnel no Morro dos Cavalos, para aliviar um gargalo expressivo na região. Também incluiria mais uma praça de pedágio. São previstos R$ 3 bilhões em investimentos.

A concessão rendeu R$ 194 milhões em receita líquida em 2025, com registro de 87,8 milhões de veículos. O atual contrato vai até 2050 e, segundo a projeção do BTG, ele poderia ganhar mais 20 anos.

A concessão das linhas 5 e 17 do metrô de São Paulo foi conquistada pela Motiva em 2018, e abrange operação, manutenção, conservação e expansão do sistema de transportes. Com 20 anos, o prazo termina em agosto de 2038.

Em 2025, o sistema transportou 170,1 milhões de passageiros e gerou R$ 587 milhões em receita líquida para a Motiva. Para este novo ciclo projetado pelo BTG, o plano de investimentos alcança R$ 3,5 bilhões.

“O principal projeto envolveria uma extensão de 2,5 quilômetros a 3 quilômetros da Linha 5-Lilás, com o reequilíbrio econômico potencialmente incorporando uma combinação de fluxos adicionais de passageiros, suposições tarifárias e uma extensão do termo de concessão”, afirmam os analistas.

Além disso, a expectativa do banco é que uma parte significativa do risco de construção associado aos trabalhos subterrâneos seja transferida ao governo federal, o que reduziria a exposição da Motiva ao risco de execução. Com isso, o contrato iria até 2053.

No segundo trimestre deste ano, a companhia reportou receita líquida ajustada de R$ 3,6 bilhões, alta de 20,8% sobre a mesma base de 2025. O lucro líquido ajustado cresceu 67%, com R$ 663 milhões registrados entre abril e junho deste ano.

No acumulado de 2026, as ações MOTV3 na B3 registram alta de 8,1%. Em 12 meses, a valorização alcança 10,8%. O valor de mercado da Motiva é de R$ 32,6 bilhões.